Apadrinha Uma Oliveira é uma organização nascida em Abrantes que tem como principal objetivo recuperar o património natural local, com o apoio de diversos padrinhos, particulares e empresariais. Só na região de Abrantes, existem 2.000 hectares de olival abandonado, o equivalente a cerca de 2.800 campos de futebol.

Esta vasta área está exposta a um risco elevado de incêndios devido ao clima da região, que, como sabemos, pode ter consequências devastadoras para a fauna e flora. Na Apadrinha Uma Oliveira, os olivais abandonados são recuperados, por forma a garantir a continuidade da biodiversidade que sempre fez parte da nossa paisagem e património natural. Ao recuperar estes olivais, estamos não só a preservar o património natural, mas também a gerar novas oportunidades de trabalho para pessoas em risco de exclusão social. Este é um dos pilares deste projeto social: promover uma economia verde e inclusiva, onde o desenvolvimento sustentável caminha lado a lado com a criação de emprego e a revitalização do território.

É necessário cuidar do olival desde a poda, à fertilização, passando pelos trabalhos no solo e na irrigação O grande inimigo das oliveiras centenárias, para além das pragas e das secas, é o abandono, com o consequente aparecimento de ramos que crescem a partir da base do tronco, roubando os recursos que a árvore deveria utilizar para si e para o seu fruto, a azeitona. Assim, e para evitar esta situação, é necessário cuidar do olival.

Conseguir recuperar uma oliveira, através de um apadrinhamento, é ter a garantia de que aquele ser vivo vai crescer durante gerações, vai cuidar do solo, abrigar vida e sustentar comunidades. Apadrinhar uma oliveira é deixar um legado que perdurará no tempo, um investimento num futuro mais verde e a criação de novas oportunidades para a região, enquanto o património natural que nutre a biodiversidade e a cultura local é preservado.

Oliveira do Mouchão

Longevidade e resiliência da oliveira quando bem cuidada

A oliveira, para além de marcar paisagens e culturas, é uma árvore que consegue atravessar séculos, ou até milénios, resistindo às adversidades do tempo e às transformações da sociedade, se bem cuidada. A longevidade destes seres vivos ancestrais deve-se a um conjunto de fatores naturais que os tornam incrivelmente resistentes:

Mesmo que o tronco central morra, a oliveira continua a gerar rebentos a partir da base ou das raízes, garantindo a sua regeneração. É por essa razão que muitos consideram as oliveiras imortais, pois elas continuam a renascer a partir da sua base original;
A oliveira é uma árvore muito resistente a solos pobres e sobrevive a condições difíceis onde outras plantas teriam dificuldade em crescer. O seu sistema radicular permite-lhes extrair água a grandes profundidades, o que as torna alta- mente resilientes mesmo em climas áridos;
Devido ao seu crescimento lento, o metabolismo da oliveira é mais estável, fazendo com que ela viva mais tempo, sem apresentar sinais de envelhecimento. Entre as oliveiras mais antigas do mundo, destacamos a Oliveira do Mouchão com 3350 anos e que continua a produzir fruto (…).

Mais informações: www.apadrinhaumaoliveira.org

→ Leia este e outros artigos completos do Especial Olival Tradicional, na Revista Voz do Campo  edição de outubro 2025, disponível no formato impresso e digital.