José Coutinho, docente da Escola Superior Agrária de Castelo Branco, alerta para a importância do controlo fitossanitário na cultura da cereja.

Na cultura da cereja, os aspetos sanitários podem ser determinantes para o sucesso ou fracasso de uma campanha. Em entrevista à Revista Voz do Campo, o professor José Coutinho, da Escola Superior Agrária de Castelo Branco, sublinha que “isso pode representar, pelo menos em algumas pragas, entre não ter produção nenhuma e ter uma produção normal”.

Duas grandes ameaças: Drosophila suzukii e o cancro bacteriano

Entre as principais preocupações fitossanitárias dos produtores destacam-se a Drosophila suzukii, uma mosca que ataca os frutos maduros, e o cancro bacteriano das prunóideas, que pode levar à morte das árvores. “Se não for combatida no momento certo e devidamente, este inseto pode estragar toda a produção”, alerta José Coutinho.

A Drosophila entrou em Portugal em 2012, detetada no Alentejo em estufas de framboesa. Chegou à Cova da Beira em 2013-2014 e, em 2015, provocou perdas totais em pomares de cereja temporã. Desde então, a investigações e projetos colaborativos entre a Escola Superior Agrária, associações e organizações de produtores como a Apizêzere, AAPIM e COTHN têm permitido desenvolver metodologias de controlo. “Hoje já existem métodos mais ou menos afinados, sobretudo de captura em massa e aplicação de inseticidas, mas a incidência depende muito das condições climáticas de cada ano”, acrescenta o docente. Quanto ao cancro bacteriano, este permanece uma ameaça silenciosa: “É uma doença que pode estar latente durante anos e, de repente, as árvores podem morrer” (…).

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