Ser filho e neto de agricultores fez com que ouvisse muitas vezes em casa a conversa do “não há um ano igual”, “se não chover o que será de nós?” ou “se não vier o frio não haverá rendimento”.

Sempre entendi isto como a complexidade natural que tem a atividade agrícola, muito dependente de fatores que não se podem controlar.

António Barbas Machado, diretor da Agromillora Portugal

Tal como nas conversas que há uns anos ouvia em casa, este está a ser um ano atípico. Altas temperaturas, para a época em que estamos, ausência de precipitação e mais alguns fatores, que até desconhecemos, fazem antecipar um início de mais uma campanha complicada, a vários níveis: rendimentos pouco uniformes em geral, azeites de fraca qualidade e extratabilidades complicadas em lagar.

Dentro de toda esta complexidade tenho acompanhado bem de perto o comportamento da variedade Coriana em diferentes regiões: Elvas, Casa Branca, Estremoz, Montemor, Évora, Beja, Ferreira do Alentejo e Moura.

A maioria destas zonas já iniciou a colheita desta variedade, os principais parâmetros assim o indicavam:
• % Gordura – Entre 19 e 22%
• % G.M.S – Entre 39 e 44%
• % Humidade – Entre 47% e 52%

É a antítese daquilo que tenho verificado na maioria dos olivais e variedades. Mais uma página escrita no livro da aprendizagem e do conhecimento.

António Barbas Machado, diretor da Agromillora Portugal