Ser filho e neto de agricultores fez com que ouvisse muitas vezes em casa a conversa do “não há um ano igual”, “se não chover o que será de nós?” ou “se não vier o frio não haverá rendimento”.
Sempre entendi isto como a complexidade natural que tem a atividade agrícola, muito dependente de fatores que não se podem controlar.

Tal como nas conversas que há uns anos ouvia em casa, este está a ser um ano atípico. Altas temperaturas, para a época em que estamos, ausência de precipitação e mais alguns fatores, que até desconhecemos, fazem antecipar um início de mais uma campanha complicada, a vários níveis: rendimentos pouco uniformes em geral, azeites de fraca qualidade e extratabilidades complicadas em lagar.
Dentro de toda esta complexidade tenho acompanhado bem de perto o comportamento da variedade Coriana em diferentes regiões: Elvas, Casa Branca, Estremoz, Montemor, Évora, Beja, Ferreira do Alentejo e Moura.
A maioria destas zonas já iniciou a colheita desta variedade, os principais parâmetros assim o indicavam:
• % Gordura – Entre 19 e 22%
• % G.M.S – Entre 39 e 44%
• % Humidade – Entre 47% e 52%
É a antítese daquilo que tenho verificado na maioria dos olivais e variedades. Mais uma página escrita no livro da aprendizagem e do conhecimento.
António Barbas Machado, diretor da Agromillora Portugal

