O olival tradicional é uma paisagem cultural emblemática da região mediterrânica, constituindo um sistema agrícola milenar que oferece muito mais do que apenas a produção de azeite. Tradicionalmente cultivado em sequeiro e baixa intensificação, desempenha funções ecológicas fundamentais para além da sua importância económica.

Por ser conduzido em regime de sequeiro, o olival tradicional está adaptado às condições climáticas mediterrânicas, caracterizadas por verões secos e invernos moderados. Este sistema agrícola, desenvolvido ao longo de séculos, é suportado apenas pela precipitação. As oliveiras desenvolvem raízes profundas e extensas, capazes de explorar grandes volumes de solo em busca de água e nutrientes, conferindo-lhes notável resistência à seca.

O compasso alargado, típico do olival tradicional, permite a gestão eficiente dos recursos hídricos limitados, reduzindo a competição com as árvores vizinhas.

Essa estrutura aberta também permite o estabelecimento de uma vegetação herbácea e arbustiva espontânea que se desenvolve entre as árvores e suporta uma comunidade rica de flora e fauna. Assim, podemos considerar que os olivais tradicionais são áreas de elevada biodiversidade na paisagem mediterrânica.

A flora inclui frequentemente espécies adaptadas, endémicas e raras. Orquídeas selvagens, leguminosas espontâneas e plantas aromáticas mediterrânicas contribuem para a diversidade botânica e auxiliam a polinização e o controlo biológico de pragas. As comunidades de aves, mamíferos, répteis, anfíbios e invertebrados beneficiam desse sistema, onde encontram alimento, abrigo e espaço para a nidificação.

Outra contribuição do olival tradicional é a conservação in situ das variedades autóctones e regionais de oliveiras, funcionando como bancos genéticos vivos de valor inestimável.

O cultivo de variedades tradicionais, como a ‘Galega’, a ‘Cobrançosa’, a ‘Verdeal’ ou a ‘Maçanilha’, entre muitas outras, preserva ainda características específicas de resistência a doenças e de adaptação às condições edafoclimáticas mediterrânicas, produzindo azeitonas e azeites de qualidade sensorial diferenciada (…).

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Elda Eller 2; Pedro Matias 1,2,3,4; Ana Rita Trindade 1,2,5; Alcinda Neves 2; Amílcar Duarte 1,2; Luísa Coelho 5

1 MED — Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento & CHANGE — Instituto para as Alterações Globais e Sustentabilidade, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade do Algarve, Campus de Gambelas, 8005-139, Faro.
2 Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade do Algarve, Campus de Gambelas, 8005-139, Faro.
3 CIMA/ARNET — Centro de Investigação Marinha e Ambiental / Rede de Investigação Aquática, Universidade do Algarve, Campus de Gambelas, 8005-139, Faro, Portugal.
4 Instituto de Engenharia, Universidade do Algarve, Campus da Penha, 8005-139, Faro, Portugal.
5 MED (Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento) & CHANGE — Instituto para as Alterações Globais e Sustentabilidade, Universidade de Évora, Pólo da Mitra, 7006-554, Évora, Portugal.

Documentação consultada: https://q.me-qr.com/DCHu5mA6