Durante a “JUDIA com Futuro V”, Dinis Pereira, CEO da Agromontenegro, mostrou-se preocupado com o estado atual do setor.

O cenário é preocupante. “Não se consegue produzir a qualidade que se produzia há 8 ou 10 anos. Hoje aproveita-se 40%, quando antes se aproveitava 80 ou 90%”, alerta o CEO da Agromontenegro, em Carrazedo de Montenegro, uma das poucas empresas portuguesas que assegura toda a fileira da castanha, da produção à comercialização.

“Os produtores de castanha acumulam prejuízos”

As pragas, como a tinta, têm devastado soutos, enquanto os apoios públicos são escassos. “O setor é pequeno, pobre e não tem peso político. Enquanto o vinho do Porto recebe ajudas, os produtores de castanha acumulam prejuízos há três anos”, denuncia. Além disso, lembra, “plantar uma vinha dá frutos ao fim de dois anos, um souto demora doze”. Apesar de uma campanha que se antevia positiva, as condições meteorológicas geram apreensão. “Prevêem-se temperaturas de 2 ou 3 graus que podem destruir a produção de um dia para o outro”, refere.

“Produtores envelhecidos tornam futuro incerto”

Com 80% dos produtores acima dos 60 anos, o futuro é incerto. “Há terrenos herdados por emigrantes ou gente nas cidades que só aparece 15 dias por ano. O abandono é preocupante e temo que, em breve, também os incêndios passem a dizimar esta mancha ainda preservada”, conclui o empresário.

→ Leia este e outros testemunhos, na reportagem da JUDIA com Futuro V, na Revista Voz do Campo  edição de outubro 2025, disponível no formato impresso e digital.

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