O olival em Portugal, entre as culturas permanentes, é a que ocupa a maior superfície agrícola, 377.234ha (RGA, 2021), tendo registado um incremento de aproximadamente 41.000ha no período entre 2009 e 2019.

O número de oliveiras por unidade de superfície é muito variável. Os olivais com menores densidades estão maioritariamente em sequeiro, particularmente o olival tradicional (até 100 oliveiras/ha) e o olival com densidades entre 101 e 300 oliveiras/ha, representando, respetivamente, cerca de 37% e 39% da superfície olivícola total. Os olivais com densidades superiores a 1000 oliveiras/ha, são regados. Na zona beneficiada pelo regadio do Alqueva verificou-se uma reconversão da área olivícola, passando uma grande mancha de olival tradicional e olival intensivo a olival em sebe regado, com uma densidade média de 1500 a 2000 oliveiras/ha. Em 2024 no Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA) estavam inscritos 74.059ha de olival regado (EDIA, 2025). Nos dias de hoje, estima-se que a área de olival regado em Portugal (rega gota-a-gota) corresponda a mais de 1/4 da superfície total.

O regadio é responsável pelos aumentos na produção e de produtividade verificados nas últimas campanhas olivícolas em Portugal. A região do Alentejo, onde se concentra a maior superfície de olival regado, é responsável por quase três quartos da produção nacional de azeite. A rega permite que a oliveira disponha de água nos momentos oportunos ajudando a mitigar os efeitos da seca e dos anos de precipitação irregular. Esta prática conduz a aumentos significativos na produção da azeitona e do azeite, garantindo produções mais regulares assim como um maior desenvolvimento vegetativo e uma entrada mais precoce das árvores jovens na plena produção. Para se alcançar a produção máxima no olival deve-se assegurar uma dotação de rega calculada com base na Evapotranspiração cultural (ETc) determinada a partir do conhecimento da taxa de evapotranspiração de uma cultura de referência (ETo) quando cultivada em condições agronómicas favoráveis.

A opção pela rega deficitária controlada (RDC) é vantajosa pela redução da quantidade de água aplicada e com efeitos reduzidos na produção e na rentabilidade do olival.

O volume de rega a utilizar é função da evapotranspiração da cultura, da precipitação efetiva e da reserva de água do solo.

A eficiência da oliveira no uso da água permite que o volume unitário utilizado no regadio do olival seja inferior à recomendada para a maior parte de espécies vegetais. Para tirar partido desta vantagem é necessário a monitorização do ciclo anual da cultura através da utilização da fenologia, particularmente do ciclo reprodutivo, e da eficiência do uso da água nas diferentes fases do ciclo anual.

Em Portugal Continental predomina o clima mediterrânico, especialmente no Norte Interior e no Sul do País, verificando-se também uma influência atlântica.

As condições climáticas, nomeadamente a temperatura e a humidade relativa, a precipitação e o vento, apresentam grandes oscilações de um ano para o outro que condicionam o ciclo produtivo. Apesar da irregularidade climática prevalecem as temperaturas elevadas no Verão e as temperaturas baixas a suaves no Inverno; ocorre uma variação térmica anual acentuada a moderada; e a precipitação é relativamente escassa a moderada com um período 4 a 6 meses sem ocorrência significativa de precipitação.

Ciclo anual da oliveira

O crescimento vegetativo reinicia-se ao final do inverno / início da primavera quando a temperatura ambiente está entre os 10 a 15ºC e é interrompida quando a temperatura supera os 35 a 40ºC. Nos olivais em sequeiro ocorre uma paragem do crescimento vegetativo no verão devido ao stress hídrico e com a redução das temperaturas e as primeiras chuvas outonais o crescimento é retomado.

O ciclo reprodutivo da oliveira é bianual. Num mesmo ano coexistem dois ciclos reprodutivos ainda que em fases distintas. Para os menos atentos, o desenvolvimento das inflorescências, a floração e a formação de frutos ocorrem no crescimento vegetativo do ano anterior. Como se pode constatar pela Figura 2, os frutos da campanha de 2025 aparecem na parte do ramo que se desenvolveu no ano anterior (em 2024); nos crescimentos registados na primavera e outono de 2025 será onde em 2026 aparecerão as azeitonas (…).

→ Leia este e outros artigos completos do Especial Olival Tradicional, na Revista Voz do Campo  edição de outubro 2025, disponível no formato impresso e digital.

Autoria: Cordeiro A. M.¹ *; Ponte A.¹ ; Manuelito Mª. C.1 ; Keller W.¹ ; Inês C.¹ ; Guerra, J.¹ , Pragana, J.¹ ; Jordão P.²

1 Instituto Nacional de Investigação Agrária, I.P. (INIAV, I.P.) – Pólo de Elvas. Estrada de Gil Vaz s/n, apartado 6, 7351-091 Elvas, Portugal
2Instituto Nacional de Investigação Agrária, I.P. (INIAV, I.P.) Laboratório Químico Agrícola Rebelo da Silva, 1300-596 Lisboa, Portugal

*antonio.cordeiro@iniav.pt

Bibliografia: https://qr1.me-qr.com/text/MTktV1eP


SUBSCREVA E RECEBA TODOS OS MESES A REVISTA VOZ DO CAMPO

→ SEJA ASSINANTE (clique aqui)