Luís Lourenço, médico veterinário da Associação de Criadores de Gado da Beira Alta, defende que o futuro do território rural português passa pelas micro e pequenas explorações familiares.

Na sua intervenção durante a Conferência “InovEnsino” realizada na Escola Superior Agrária de Viseu, acrescentou ainda que “na região, predominam sistemas tradicionais e extensivos, ambientalmente sustentáveis e baseados no aproveitamento de recursos sem desperdício”. Contudo esta realidade está a desaparecer, já que lamentou o facto de existirem aldeias que há 15 anos tinham 60 produtores e hoje contam apenas 10, resultando em mais mato, abandono agrícola e maior risco de incêndios.

“Rotação de pastagens é uma prática antiga que se está a perder”

Lourenço crítica o foco exclusivo nos grandes rebanhos, lembrando que muitos pequenos produtores conseguem, em conjunto, resultados equivalentes e mantêm o território limpo graças à rotação de pastagens – prática antiga que se está a perder. Para o veterinário, apoiar estas famílias é investir na primeira forma de economia: a economia doméstica. Mais pequenos produtores significam mais riqueza local, alimentos de qualidade e maior prevenção de fogos rurais.

Defende, por isso, apoios estatais que mantenham estas explorações e valorizem o seu contributo. “O trabalho das autarquias e da academia junto de quem produz é essencial para travar o abandono rural”, refere lembrando ainda que reconhece a qualidade do que é local – como o cabrito de Natal ou o queijo tradicional – mas, nas grandes superfícies, o preço ainda fala mais alto. Para Luís Lourenço, o pequeno agricultor não pode ser tratado como “parente pobre” da agricultura: é peça-chave para a sustentabilidade económica, social e ambiental do país.

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