Autoria: Ilda Caldeira, Rita Roque, Ofélia Anjos, Sílvia Lourenço, João de Deus, Miguel Damásio, José Silvestre

DESCOBRINDO O POTENCIAL DE DIVERSAS CASTAS BRANCAS PARA VINHOS EM REGIÕES QUENTES

Compreender os impactos das alterações climáticas no desempenho agronómico e enológico das castas constitui um grande desafio para o setor vitivinícola. A variabilidade genética oferece uma ferramenta fundamental para a adaptação, uma vez que algumas castas conseguem suportar melhor as condições variáveis, mantendo a qualidade do vinho. No âmbito do Grupo Operacional WineClimAdapt (PDR2020-101-031010), foi realizado um estudo sobre a adaptabilidade de duas dezenas de castas brancas às condições quentes e secas de Portugal.

Enquadramento e metodologia

As alterações climáticas, com o aumento das temperaturas e mudança dos padrões de precipitação, influenciam a viticultura mundial [1], afetam diferentes constituintes das uvas, nomeadamente os compostos do aroma, determinantes para a qualidade final do vinho. O aroma, resultante da presença de uma grande diversidade de compostos voláteis provenientes das uvas, de reações pré-fermentativas, fermentativas e pós-fermentativas, é um fator central na preferência do consumidor.

Portugal destaca-se pelo vasto património genético vitícola, com cerca de 230 castas nativas entre as 343 autorizadas pela Portaria n.o 380/2012. O estudo de castas menos conhecidas é estratégico para diversificar a oferta, responder a novos mercados e identificar aquelas com maior resistência ao stress abiótico previsto num clima mais quente e seco.

Integrado no projeto WineClimAdapt (PDR2020-101-031010), este trabalho avaliou a adaptabilidade de castas brancas na região do Alentejo, uma região quente e árida de Portugal.

A seleção das castas baseou-se em critérios agronómicos, designadamente eficiência no uso da água, vigor, tolerância a ondas de calor e rendimento. Foram escolhidas dezoito castas: ‘Parellada’, ‘Cayetana Blanca’ (’Sarigo’), ‘Albillo Mayor’ (‘Pardina’), ‘Trajadura’, ‘Fernão Pires’, ‘Galego Dourado’, ‘Cercial’, ‘Lameiro’, ‘Folha de Figueira’ (‘Dona Branca’), ‘Mal- vasia Rei’ (‘Palomino Fino’), ‘Roupeiro Branco’, ‘Bastardo Branco’, ‘Pedro Ximenez’, ‘Alvadurão’, ‘Castelão Branco’, ‘Uva Salsa’ (‘Chasselas Cioutat’), ‘Larião’ e ‘Molinha Macia’. O conjunto abrange origens diversas: Espanha (‘Parellada’, ‘Cayetana Blanca’, ‘Trajadura’, ‘Palomino Fino’, ‘Pedro Ximenez’, ‘Albillo Mayor’), França (‘Chasselas Cioutat’), e maioritariamente, Portugal.

Muitas destas variedades portuguesas são classificadas como minoritárias, figurando na lista oficial portuguesa de castas autorizadas para o cultivo, mas não possuindo material de propagação certificado. A sua conservação e estudo têm ganho relevância para reforçar a diversidade vitícola e encontrar soluções de adaptação às alterações climáticas.

As uvas foram cultivadas na Herdade do Esporão (Alentejo) e vinificadas, duas réplicas de cada casta, na adega experimental do Polo de Inovação de Dois Portos – INIAV, originando 36 vinhos brancos monovarietais.

Realizaram-se análises físico-químicas e sensoriais: análise geral, cromatografia de gases com deteção por ionização de chama (GC-FID) e por espectrometria de massa (GC-MS), bem como prova organolética efetuada pelo painel treinado do INIAV (8 provadores), que avaliou vários atributos sensoriais usando uma escala estruturada (0–10) e a apreciação geral (0–20). Os resultados obtidos foram sujeitos a análise estatística, designadamente ANOVA, considerando a casta como fator fixo e aplicando testes de comparação de médias quando se detetou efeito significativo (…).

→ Leia este e outros artigos completos, na Revista Voz do Campo  edição de novembro 2025, disponível no formato impresso e digital.

Autoria: Ilda Caldeira1,2,*, Rita Roque3, Ofélia Anjos3,4,5, Sílvia Lourenço1, João de Deus1, Miguel Damásio1, José Silvestre1,6

1 INIAV, Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, Polo de Inovação de Dois Portos, Quinta de Almoinha, 2565-191 Dois Portos, Portugal; ilda.caldeira@iniav.pt
2 MED – Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development & CHANGE – Global Change and Sustainability Institute, Instituto de Investigação e Formação Avançada, Universidade de Évora, Pólo da Mitra, Ap. 94, 7006-554 Évora, Portugal;
3 CERNAS-IPCB, Research Centre for Natural Resources, Environment and Society, Polytechnic University of Castelo Branco, 6000-084 Castelo Branco, Portugal; ofelia@ipcb.pt
4 Centro de Estudos Florestais (CEF), Laboratório Associado TERRA, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, 1349-017 Lisboa, Portugal;
5 Centro de Biotecnologia de Plantas da Beira Interior, 6000-084 Castelo Branco, Portugal;
6 GREEN-IT Bioresources4sustainability, ITQB NOVA, Av. da República, 2780-157 Oeiras, Portugal; jose.silvestre@iniav.pt *Autor para correspondência: ilda.caldeira@iniav.pt

Referências

[1] Silvestre J., Caldeira I., de Deus J. Damásio M. 2025. Adaptação da viticultura às alterações climáticas. Voz do Campo, fevereiro. https://vozdocampo.pt/arquivo/37513
[2] Caldeira I., Roque R., Anjos O., Lourenço S., de Deus J., Damásio M., Silvestre J. 2025. Potential of Different Eighteen Grapevine Genotypes to Produce Wines in a Hot Region: First Insights into Volatile and Sensory Profiles. Beverages, 11, 68. https://doi.org/10.3390/

 


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