GESTÃO FLORESTAL, PRODUÇÃO E VALORIZAÇÃO DA RESINA 

A resina de pinheiro (Gema) é um líquido viscoso, pegajoso e translúcido, de cor amarelada, com um odor característico a pinho, produzida por algumas árvores, em particular, as resinosas do género Pinus, quando sofrem algum dano ou incisão no seu tronco e ramos (RESIPINUS, 2018). Seca em contacto com o ar e após algum tempo, em especial com temperaturas baixas, fica dura e quebradiça formando cristais (SOUSA, 2015), e é insolúvel em água, mas solúvel noutros solventes, como o álcool. A resina é formada por várias substâncias (ácidos, álcool e óleo) da sua destilação obtêm-se dois produtos com várias utilizações industriais: a Essência de Terebintina (ou Aguarrás) e a Colofónia (ou Pez) (RACHID, 1995; PEREIRA, 2015; SOARES et al.,2023).

A resina é naturalmente produzida e armazenada em canais de resina ou resiníferos dedicados, distintos dos da seiva, e com funções relacionadas com a defesa contra insetos e outros agentes nocivos, pois cria uma camada protetora no tronco que contribui para a cicatrização dos tecidos e elimina fungos e insetos (DUARTE, 2016).

Na resinagem são feitas incisões no tronco da árvore (também chamadas feridas ou renovas) que estimulam a formação de novos canais resiníferos e consequentemente maior produção de resina, que é recolhida num recipiente preso à árvore (saco ou púcaro). Na resinagem à vida, são realizadas incisões nas árvores jovens a partir dos cerca de 30 anos de idade e faz-se a exploração até ao fim do seu ciclo produtivo (60-70 anos). Na resinagem à morte, realiza-se um maior número de incisões e faz-se a exploração durante os 4 anos que antecedem o abate das árvores (ADER, 2020). A resinagem à vida e à morte faz-se em vários países com adaptações à espécie de Pinus explorada.

Em Portugal, as principais espécies produtoras de resina com interesse comercial são o Pinheiro bravo (Pinus pinaster) e o Pinheiro manso (Pinus pinea), sendo que a espécie que mais se destaca é o Pinheiro bravo (ICNF, 2015).

A resinagem era feita principalmente à morte, já que desde os incêndios de 2017, esta prática diminuiu de forma drástica, uma vez que era muito utilizada em Matas Nacionais que arderam. Nos últimos 4/5 anos pelo conhecimento que temos, diríamos que esta modalidade é residual. A produção da resina é sazonal, ocorre durante 6-9 meses por ano no período do estio. Durante este período, cada árvore é visitada individualmente, aproximadamente de 15 em 15 dias, para se proceder à abertura de uma nova ferida e à aplicação da pasta estimulante. De acordo com informações dos atores chave (os resineiros), em média, cada árvore produz 3 a 4 kg por ano. A atividade encontra-se regulamentada pelo DL n.o 181/20154. As declarações de resina, bem como as transações internacionais, são registadas no sistema SiResin5. De acordo com este sistema, as principais regiões produtoras de resina em Portugal são o Litoral Centro (distritos de Leiria e Coimbra) e o Interior Norte e Centro (distritos de Viseu e Vila Real). (SANTOS et al., 2002; ICNF, 2019).

Produção de resina em Portugal

Em 2019, a produção nacional de resina foi de 5,634 mil toneladas (INE, 2020).
De acordo com os dados do IFN6 relativos a 2015 (ICNF, 2015), a produção anual era de 7,9 mil toneladas e a área resi- nada era de 24,1 mil hectares, maioritariamente na zona Centro do país, onde se concentra mais de metade da produção nacional de resina. Terá havido recentemente uma redução da produção decorrente dos incêndios florestais de 2017, uma vez que desde 2014 a produção da resina não sofria grandes oscilações (…).

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Bibliografia

Solicitar ao autor correspondente: miguel.pestana@iniav.pt

Autoria: Andreia Soares¹, Hilário Costa², Marco Ribeiro³, Miguel Pestana¹*

¹ Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P., Av. da República, 2780-159 Oeiras, Portugal.
² VieiraFabril Lda., Estrada Nacional 109 Vieirinhos, Carriço Vieirinhos, 3105-069 CARRIÇO, Pombal, Portugal.
³ RESIPINUS – Associação de Destiladores e Exploradores de Resina, Rua Anzebino da Cruz Saraiva, Edifício Beira Rio, Lote 9, Loja 5, 2415-371 Leiria, Portugal.
*Email: miguel.pestana@iniav.pt


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