Mais um ano vitícola que chega ao fim e mais um ano de enormes desafios. Se na região de Lisboa, o ano de 2024 havia sido complexo, 2025 foi inclemente.

OPINIÃO DE GONÇALO PATULEIA MARQUES
AVA – ASSOCIAÇÃO DE VITICULTORES DE ALENQUER

Da costa Atlântica ao encostar no Tejo, a grande pluviosidade e as temperaturas amenas observadas durante a Primavera foram a tempestade perfeita para a proliferação da doença do míldio da videira. A intransitabilidade das máquinas no terreno, a chuva incessante e as condições ideais para o avanço da doença, reflectiram-se em avultados estragos: cachos “queimados” total ou parcialmente. A campanha está encerrada e estima-se que as quebras se situem entre os 25 e os 40% nesta região. Em certas vinhas a quebra chega a ser perto de 80% em determinadas castas em determinadas condições. Depois de uma Primavera extremamente húmida, verificou-se um Verão extremamente seco com pelo menos uma vaga de calor em Agosto, induzindo stress hídrico e térmico nas plantas. O facto de a grande generalidade das vinhas da região de Lisboa serem de sequeiro, agrava esta situação e face ao galopar da nova realidade climática, será urgente avaliar se o regadio na vinha não poderá vir a ser uma ferramenta importante para mitigar os efeitos de Verões quentes e secos que cada vez são mais frequentes e intensos. Resta perceber onde ir buscar a água para o regadio na Estremadura, questão que é debatida há anos e sem solução à vista.

Juntando a retirada gradual de substâncias activas do mercado, a falta de mão-de-obra para a realização de certas operações (na poda, a maquinaria ainda não substitui integralmente o trabalho da mão humana), o envelhecimento dos produtores e a instabilidade dos preços da uva, muitas dúvidas pairam sobre o futuro da viticultura nesta região.

Vinha. Vinho. Turismo. Três conceitos que deveriam ser indissociáveis e que se têm conjugado melhor noutras regiões.

A região de Lisboa tem todos os elementos para que essa conjugação se materialize: a paisagem, as quintas, as pessoas, a tradição, história e gastronomia, temos a serra, o mar e o rio. Encontra-se aqui uma das três regiões do mundo demarcadas para produção de Aguardente Vínica – Lourinhã, peculiaridades como Bucelas, Carcavelos ou Colares com os seus vinhos únicos, os colossos de Alenquer e Torres Vedras que juntos contribuem para uma das maiores manchas de vinha do país, bem como outras Denominações de Origem como Arruda, Encostas d’Aire e Óbidos (…).

→ Leia este e outros artigos completos, na Revista Voz do Campo  edição de novembro 2025, disponível no formato impresso e digital.

*Escrito no âmbito do antigo acordo ortográfico