No Plastics Summit – Global Event 2025, Marco Versari, presidente da Biorepack, apresentou o modelo italiano que integra a reciclagem de embalagens compostáveis com o desperdício alimentar.

Marco Versari, presidente da Biorepack, foi orador convidado do Plastics Summit que decorreu em outubro em Lisboa. Foi também Vice-presidente da Assobioplastiche e membro do Conselho Diretivo do CIC – Italian Compost Producers Alliance. Marco Versari tem uma vasta experiência na área da sustentabilidade, tendo também desempenhado funções como diretor de Assuntos Públicos Globais na Novamont.

Marco Versari, presidente da Biorepack, foi orador convidado
do Plastics Summit 2025

O responsável explica que “Biorepack é a primeira entidade que se relaciona com a reciclagem orgânica de embalagens compostáveis”, um modelo que, segundo afirma, contribuiu para tornar eficiente o sistema de gestão de resíduos orgânicos em Itália. “Isso significa que em Itália temos um sistema em que a reciclagem compostável de embalagens se faz juntamente com o desperdício alimentar”, refere.

Marco Versari sublinha que a Biorepack “faz parte da Conai”, o sistema italiano responsável pela reciclagem de embalagens, e que “sob a umbrela deste consórcio há sete consórcios verticais que reciclam embalagens de papel, vidro, alumínio e também as compostáveis”. Sobre o funcionamento prático do modelo, explica: “O que fazemos? Fazemos contratos com autarquias locais e pagamos às autarquias pela recolha, transporte e reciclagem orgânica de embalagens compostáveis”

O presidente destaca ainda a importância deste sistema para melhorar a gestão de resíduos alimentares.

“Os resíduos alimentares são o fluxo mais importante dos resíduos que geramos. Nós, como cidadãos, geramos todos os dias. Mas a recolha é muitas vezes complicada, porque o resíduo alimentar é muitas vezes sujo e líquido, atrai animais e insetos. Então, o saco é a primeira ferramenta para ajudar os cidadãos a fazer esta recolha. Mas o saco deve ter a mesma durabilidade e as mesmas características de fim de vida dos alimentos”, defende.

Em Itália, esta ligação entre resíduos alimentares e materiais compostáveis está consagrada na lei.

“Temos uma legislação muito estrita que liga embalagens compostáveis com aos resíduos da comida e os desperdícios da mesma. Este é o primeiro tipo de circularidade, ou seja, a conexão de uma embalagem com outro fluxo representado pelo resíduo alimentar”, sublinha. Marco Versari lembra que “todas as autarquias locais têm de fazer a recolha do desperdício alimentar” e que “existe um grupo de legislação que ajuda o uso de embalagens compostáveis para ajudar na recolha de resíduos alimentares”.

Assim, explica que, “o resíduo de alimentos deve ser recolhido sem sacos, ou com sacos compostáveis à base de papel ou feitos em plástico compostável”. O enquadramento legal italiano vai ainda mais longe.

“Temos uma legislação sobre sacos — os sacos de frutas e legumes devem ser compostáveis. Depois temos uma legislação sobre produtos de uso único; portanto, os talheres e pratos devem ser compostáveis o reutilizáveis. Há uma legislação muito clara que liga embalagens compostáveis com a recolha dos resíduos alimentares. Dessa maneira, a legislação italiana ajuda a indústria a mover os materiais convencionais para uma nova aplicação”, afirma.

Legislação europeia não é clar

Apesar disso, o presidente deixou algumas reservas quanto ao contexto europeu. “Tenho algumas dúvidas sobre a eficiência da legislação europeia, porque não vejo uma ligação clara entre esta nova geração de materiais, em particular embalagens compostáveis, e a reciclagem orgânica”, considera. Na sua perspetiva, “a legislação sobre embalagens e o regulamento de resíduos de embalagens baseiam-se na ideia de que a reciclagem é material para material — recolhemos plástico para fazer plástico novo, recolhemos papel para fazer papel novo. Não há um suporte específico para a transformação de um material em outro”. Marco Versari sublinha a importância desta transição: “A transformação de plástico em composto também é reciclagem, porque o composto é um material, e é muito importante, pois é um fertilizante que ajuda a manter a fertilidade do solo. Desta forma, vejo que falta alguma coisa na legislação europeia”.

Em Itália, explica, “a Biorepack é a única entidade que investe dinheiro na recolha de biorresíduos, porque pagamos às autarquias locais pela parte do material compostável representado por embalagens compostáveis. Mas nós só representamos 1% da quantidade total de material compostável. Precisamos de colocar suporte na produção de composto. Em vez disso, estamos a apoiar só a produção de energia (biometano). Isto é uma falta na legislação europeia”.

Marco Versari apela à disseminação de boas práticas e à partilha de experiências entre países e setores.

“Todos devíamos ser embaixadores de boas práticas. Acredito que fui convidado hoje para estar aqui no fundo para espalhar a mensagem de que é possível gerar novos fluxos de reciclagem e, desta forma, podermos ligar novos produtos e novos materiais capazes de gerarem circularidade e uma oportunidade positiva para a base europeia da indústria (…). Através do orgânico é possível ter, em Itália, e na Europa, uma indústria plástica forte, estritamente ligada à inovação, circular, porque pode fechar o círculo no solo. Isto é muito positivo, porque também está ligado ao cidadão — os cidadãos todos os dias usam este material de uma forma positiva, têm a perceção de que este material é muito positivo para o ambiente (…). os nossos sistemas, podem gerar um valor acrescentado não apenas social e ambientalmente positivo, mas também económico”, conclui.

Veja aqui a entrevista:


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