Os plásticos tornaram-se indispensáveis na vida humana devido à sua versatilidade, durabilidade e baixo custo de produção. No entanto, a sua persistência no ambiente, resultante das suas estruturas complexas e elevados pesos moleculares, tem suscitado grandes preocupações ambientais.
Um dos principais problemas é a sua degradação gradual em partículas mais pequenas, através de processos físicos, químicos e biológicos, como a degradação mecânica, variações de temperatura, a radiação UV, e as práticas agrícolas. A sua natureza hidrofóbica, bem como as ligações covalentes e eletrostáticas, promovem a adsorção e o transporte de diversos agentes patogénicos e contaminantes ambientais, incluindo metais e ftalatos.
Uso de mulch com vista à otimização das condições do solo e ao bom desenvolvimento das plantas
Na agricultura a utilização de plásticos aumentou visando a melhoria da produtividade. Dentre as práticas agrícolas salienta-se o uso de coberturas plásticas do solo (mulch), derivadas de polietileno ou de polipropileno, com vista à otimização das condições do solo e ao bom desenvolvimento das plantas. As coberturas do solo contribuem para eliminar a emergência de infestantes, conservar o teor de humidade e regular a temperatura do solo, sendo especialmente utilizadas em culturas hortícolas e em pomares e vinhas jovens.
Microplásticos secundários, acumulados no solo podem comprometer a qualidade deste recurso natural.
Contudo, a degradação gradual destes materiais plásticos leva à formação de resíduos, microplásticos secundários, que se acumulam no solo e podem comprometer a qualidade deste recurso natural, afetando a sua saúde, nomeadamente as propriedades físicas, químicas e biológicas, bem como o desenvolvimento das plantas, aumentando, ainda, o risco de contaminação da água, por lixiviação, escorrência superficial ou erosão do solo. Embora o impacte ambiental dos resíduos plásticos esteja bem documentado, a presença e os efeitos dos microplásticos nos solos, especialmente nos solos agrícolas, apenas recentemente tem despertado atenção da comunidade científica.
A quantificação de microplásticos nos solos tornou-se uma área de investigação prioritária.
Deste modo, o desenvolvimento de metodologias eficazes para a quantificação de microplásticos nos solos tornou-se uma área de investigação prioritária. Diversas técnicas têm sido desenvolvidas e melhoradas para a deteção de microplásticos em diferentes matrizes ambientais, contudo os solos são sistemas muito heterogéneos no que respeita à densidade aparente, textura, pH e, especialmente no teor de matéria orgânica, o que dificulta a deteção e quantificação de microplásticos.
Estudo, desenvolvido no âmbito do projeto “Agri-Plast – Organização e Inovação para a Redução de Plásticos Agrícolas”

O presente estudo, desenvolvido no âmbito do projeto “Agri-Plast – Organização e Inovação para a Redução de Plásticos Agrícolas” [PRR-C05-i03-I-000167 LA10.2], foi apoiado por uma extensa revisão bibliográfica e envolveu o aperfeiçoamento de diferentes metodologias. Para tal, utilizaram-se amostras de solo coberto com um geotêxtil preto (derivado de polipropileno), colhidas num ensaio com a cultura de mirtilos ‘Centra Blue’, localizado no Polo de Inovação do INIAV, na Fataca, em Odemira (Figura 1) (…).
→ Leia este e outros artigos completos, na Revista Voz do Campo – edição de dezembro 2025, disponível no formato impresso e digital.
Autoria: Filipe Pedra e Corina Carranca
INIAV, I.P. Av. da República, Quinta do Marquês, 2780-157 Oeiras
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