O Encontro Nacional de Técnicos da CONFAGRI está a decorrer hoje e amanhã, 13 de fevereiro, em Mortágua, reunindo técnicos de organizações agrícolas e dirigentes associativos de todo o país para discutir as principais políticas que impactam o setor. O encontro constitui um espaço de partilha, reflexão e articulação sobre os desafios do cooperativismo agroalimentar em Portugal.

Na sessão de abertura, Nuno Serra, secretário-geral da CONFAGRI, destacou o carácter do encontro, afirmando que é destinado aos técnicos e dirigentes associativos. “Este é um encontro feito para eles, feito para debatermos os nossos problemas, para iniciarmos sempre a campanha com o pé direito, e também para partilharmos com as entidades públicas e políticas aquilo que são os nossos desafios para este ano. Fazemos sempre deste encontro um momento especial para o cooperativismo agroalimentar, para a CONFAGRI, mas acima de tudo para Portugal”.O dirigente enviou uma mensagem de solidariedade aos agricultores afetados pelos recentes acontecimentos, lembrando a presença da CONFAGRI no terreno. “Não podia começar este encontro sem mandar um abraço solidário a todos os que foram afetados pelos últimos acontecimentos. Temos muitos dos nossos agricultores e muitas organizações afetadas, e achei importante mandar-lhes esse abraço, dizer que a CONFAGRI tem estado presente no terreno junto a eles, dizer que estamos em contacto com a Associação Nacional de Municípios, com a Cáritas e com outras instituições, e que estamos a programar ações de solidariedade mais alargadas”.

Nuno Serra abordou os desafios da campanha agrícola que se aproxima e destacou o papel dos técnicos presentes, com mais de 500 inscrições.

“Efetivamente, um ano extremamente desafiante que não começou da melhor maneira. Esperemos que acabe bem com esta campanha. Acreditamos que, com as mudanças que têm existido no IFAP, com maior articulação com as associações e mais diálogo, esta campanha tenha muito mais sucesso do que as anteriores”.

O secretário-geral salientou ainda problemas operacionais que continuam a afetar técnicos e associações, como erros na documentação ou na medição de produtos. “Eu não posso ter técnicos e associações penalizados por trocar entre toneladas e quilos, nem por não preencherem corretamente o cabeçalho de uma fatura ou não escreverem no caderno de campo aquilo que vai numa evidência física anexada ao processo. Quando falamos de rendimento dos agricultores, é exatamente neste pormenor que temos de atuar”, lamenta. Para reduzir estes obstáculos, anunciou a implementação de formulários de reporte. “A partir de amanhã teremos um formulário, na verdade dois, de natureza distinta, que poderão reportar todos estes casos e dizer-nos a toda hora o que está a acontecer no terreno. Assim, nós, que somos a vossa voz, poderemos encaminhar em tempo real para o Ministério da Agricultura ou para as entidades competentes aquilo que está a acontecer, para que possa ser corrigido”, afirma.

Nuno Serra destaca também os desafios ligados aos acordos internacionais e à nova PAC. Sobre acordos comerciais, alerta que, embora existam oportunidades, as ameaças não podem ser ignoradas.

“Cada vez mais temos, ainda ontem se falava de mais um acordo económico, neste caso com a Austrália, e para vos dizer que nós não fazemos pirraça por acaso. Estamos no terreno e percebemos perfeitamente que, neste momento, existem mais ameaças do que oportunidades. É verdade que existem oportunidades, mas a nossa preocupação não é só olhar para aquilo que podemos fazer lá fora, mas proteger os que estão cá dentro. Portanto, a CONFAGRI não vai desistir desta luta”, sublinha.

Em relação à PAC, considera que o modelo apresenta profundas mudanças para os próximos sete anos e que é fundamental garantir apoio adequado ao setor.

“A nova PAC será o maior desafio para o setor agroalimentar nos próximos sete anos. É um modelo totalmente disruptivo em relação ao passado e dá espaço ao Estado-Membro para escolher o nível de apoio que quer para a nossa agricultura. Este era o momento ideal para mostrarmos que é preciso uma palavra forte de todos os atores — Governo, Parlamento, associações e agricultores — para que o Governo se sinta respaldado com a nossa força e possa assumir, por exemplo, que vai pedir a verba intercalar, e que essa verba seja exclusivamente para a agricultura”, sublinha.O dirigente reforça ainda que os investimentos em inovação, tecnologia, bioeconomia e gestão da água são essenciais para a competitividade do setor. “Aquilo que a PAC tem é colocar de fora tudo o que é investimento em inovação, tecnologia, conhecimento na bioeconomia e, inclusivamente, na gestão da água. Nós precisamos disso para ser competitivos”.

Mais desenvolvimento na Revista Voz do Campo.

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