A Doença do Bico e das Penas (PBFD, do inglês Psittacine Beak and Feather Disease) é uma doença infeciosa viral de grande relevância em aves da ordem Psittaciformes, que inclui papagaios, periquitos, caturras, araras e cacatuas. O agente etiológico é o vírus da Doença do Bico e das Penas (BFDV), um vírus amplamente distribuído a nível mundial e reconhecido como uma ameaça importante para a saúde animal, produção avícola ornamental e conservação de espécies selvagens.

CARATERÍSTICAS DO VÍRUS BFDV

O BFDV pertence à família Circoviridae e ao género Circovirus, que inclui alguns dos vírus mais pequenos conhecidos a infetar vertebrados. Trata-se de um vírus sem envelope, com cápside de simetria icosaédrica, que contém um genoma de DNA circular de cadeia simples com cerca de 2000 nucleótidos. A sua estrutura simples confere-lhe elevada estabilidade no ambiente, permitindo que o vírus permaneça infecioso durante longos períodos fora do hospedeiro, o que facilita a sua persistência e disseminação.

Este vírus apresenta tropismo para células em divisão ativa e, portanto, para tecidos que sofrem crescimento rápido ou renovação constante. Nos psitacídeos, isto traduz-se numa infeção preferencial dos tecidos epiteliais responsáveis pela formação das penas e do bico, bem como dos tecidos linfoides associados ao sistema imunitário. A infeção destes últimos resulta em depleção de células imunitárias e consequentemente em imunossupressão progressiva, um dos aspetos mais críticos da doença.

Vulnerabilidade a infeções secundárias

As aves infetadas tornam-se, por isso, extremamente vulneráveis a infeções secundárias de origem bacteriana, fúngica ou viral, que frequentemente agravam o quadro clínico causado pelo BFDV e contribuem para a elevada taxa de mortalidade observada em casos crónicos.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA PBFD

As manifestações clínicas da PBFD são variadas e podem diferir significativamente consoante a idade da ave, a espécie afetada e o estado do seu sistema imunitário no momento da infeção. Em aves jovens, a doença tende a ser mais grave e de evolução rápida. Os sinais clínicos mais característicos incluem distrofia das penas, crescimento anormal da plumagem, perda simétrica das penas, hemorragias nas raízes das penas e incapacidade de formar penas novas. O bico pode tornar-se frágil, apresentar fissuras, deformações ou crescimento excessivo, dificultando a alimentação. Para além destes sinais externos, é comum obser- var-se atraso no crescimento, apatia, perda de condição corporal e infeções secundárias recorrentes (…).

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Autoria: Ana Margarida Mourão, Teresa Fagulha
Laboratório de Virologia, Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária

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