Entrevista a Luís Souto Barreiros – Presidente do Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas I.P. – IFAP. 

Desde que assumiu funções em setembro de 2025, Luís Souto Barreiros tem conduzido o IFAP com foco na simplificação de processos, na aceleração dos pagamentos e no reforço da previsibilidade dos apoios ao setor agrícola. Nesta entrevista, explica as mudanças em curso.

Quais são as principais prioridades do IFAP desde que assumiu funções em setembro de 2025?

O IFAP desempenha um papel determinante no desenvolvimento do setor agroflorestal nacional, uma vez que é responsável por uma parte muito significativa do seu financiamento. Quando assumimos funções em setembro de 2025, definimos um conjunto claro de prioridades estratégicas:

  • Garantir a regularidade e a previsibilidade dos apoios, que é essencial para a gestão das explorações e para a estabilidade do setor.
  • Assegurar a execução atempada de todos os fundos nacionais e europeus, de modo a permitir que os beneficiários planeiem com segurança os seus investimentos.
  • Melhorar a eficiência operacional do IFAP, o que implicará uma revisão profunda dos processos internos, a eliminação de redundâncias e a consequente redução dos tempos de decisão.
  • Reduzir a burocracia, tanto ao nível do beneficiário como da própria administração, tornando os processos mais claros e mais rápidos.
  • Modernizar e digitalizar os serviços do IFAP, introduzindo mecanismos de validação automática e de apoio à decisão que permitam identificar erros numa fase mais precoce dos processos, evitando correções posteriores que poderão atrasar a análise das candidaturas e os respetivos pagamentos.
  • Reforçar a confiança e a proximidade com o setor, passando por uma comunicação mais clara, por maior transparência nos processos e por uma capacidade de resposta mais eficaz às necessidades dos beneficiários.

“ESTAMOS A INTERVIR DESDE A ANÁLISE DAS CANDIDATURAS ATÉ À VALIDAÇÃO DOS PEDIDOS DE PAGAMENTO E AOS MECANISMOS DE CONTROLO, COM O OBJETIVO DE SIMPLIFICAR PROCEDIMENTOS E REDUZIR TEMPOS DE RESPOSTA”

Que mudanças estratégicas considera essenciais para melhorar a eficiência do organismo?

As mudanças estratégicas em curso representam uma transformação, orientada para maior eficiência, reforço da confiança e uma resposta mais ágil às necessidades do setor. Esta transformação não é apenas conceptual, traduz-se em alterações concretas nos processos, na tecnologia e na forma como a organização se responsabiliza pelos seus resultados.

Muitas das alterações mais imediatas que estamos a implementar incidem diretamente sobre os processos internos, ao longo de toda a cadeia de decisão. Estamos a intervir desde a análise das candidaturas até à validação dos pedidos de pagamento e aos mecanismos de controlo, com o objetivo de simplificar procedimentos e reduzir tempos de resposta.

Em paralelo, a digitalização e a adoção de novas soluções tecnológicas assentes em imagens de satélite, fotografias georreferenciadas e ao nível da inteligência artificial constituem um eixo central desta transformação.

Estamos a evoluir para sistemas mais integrados, inteligentes e orientados para o utilizador, com uma forte aposta na automatização de tarefas e na interoperabilidade entre plataformas.

Ao nível da inteligência artificial estamos a trabalhar em soluções para auxiliar a revisão do parcelário e para a leitura de documentos. Estamos também a iniciar a implementação de soluções desta natureza na análise dos pedidos de pagamento, evoluindo para uma abordagem mais orientada para o risco, em substituição de um modelo predominantemente sistemático e uniforme.

Este conjunto de mudanças irão criar, certamente, as condições para um IFAP mais eficiente e mais próximo do setor. 

Como avalia o atual desempenho do IFAP na execução dos fundos agrícolas?

O IFAP tem a seu cargo o pagamento dos Fundos Europeus Agrícolas – FEAGA e FEADER – e Marítimos – FEAMPA –, bem como a competência dos pagamentos do Mecanismo de Recuperação e Resiliência (PRR) e das ajudas nacionais a estes setores.Os pagamentos do IFAP podem ser, de forma simples, divididos em dois grandes grupos, consoante o tipo de ajudas.

Por um lado, existem as ajudas baseadas em informação já disponível em bases de dados (SIGC). Nestes casos, o processamento é maioritariamente automático, o que permite maior rapidez e previsibilidade. Estes pagamentos seguem um calendário anual, definido após o período de candidaturas do Pedido Único (PU), que decorre geralmente entre fevereiro e maio. A maior parte destes pagamentos concentra-se no final do ano (cerca de 80% pagos entre outubro e dezembro).

Por outro lado, existem as ajudas que dependem essencialmente da informação submetida pelos próprios beneficiários (Não-SIGC). Estas exigem uma análise caso a caso por parte dos técnicos, o que torna o processo mais complexo e menos automatizado. Os pagamentos são feitos ao longo do ano, à medida que os beneficiários vão apresentando pedidos de pagamento associados à execução dos seus projetos (…).

→ Leia a entrevista completa na edição de maio 2026. Aceda aqui ‹