Autoria: José Ignacio Salgado Pardo1, Antonio González Ariza2, Juan Vicente Delgado Bermejo1, José Manuel León Jurado2, Nuno Carolino3,4,5, Inês Carolino3,6, María Esperanza Camacho Vallejo7

1Departamento de Genética, Universidad de Córdoba (España);
2Centro Agropecuario Provincial, Diputación de Córdoba (España);
3Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, Polo de Inovação da Fonte Boa – Estação Zootécnica Nacional (Portugal);
4Centro de Investigação Interdisciplinar em Sanidade Animal, Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade de Lisboa (Portugal);
5Laboratório Associado para a Ciência Animal e Veterinária, Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade de Lisboa (Portugal);
6Escola Universitária Vasco da Gama, Coimbra (Portugal);
7Departamento de Agricultura y Ganadería Ecológica, Área de Agricultura y Medio Ambiente, Instituto Andaluz de Investigación y Formación Agraria, Pesquera, Alimentaria y de la Producción Ecológica (IFAPA), Alameda del Obispo (España)

Análise físico-química da carne da raça Pavo Andaluz (Peru Andaluz): Potencialidade de um produto de qualidade diferenciada

INTRODUÇÃO E OBJETIVOS

O Peru Andaluz (Nome original: Pavo Andaluz, https://sites. google.com/view/pavoandaluz/) é uma população originária do sul de Espanha, que se enquadra no tronco das raças ancestrais mediterrânicas de perus de porte leve e, geralmente, de plumagem escura, como o Peru Preto Português, o Dindon Noir de Gascogne (França) ou o Nero d’Italia. Diversas evidencias históricas sugerem que a origem do Peru Andaluz remonta aos primeiros animais que chegaram do México, no início do século XVI. Da mesma forma, o Peru Andaluz é considerado o antepassado das restantes raças de perus existentes atualmente no “Velho Continente”, uma vez que o porto de Sevilha desempenhou um papel fundamental no mercado internacional de mercadorias provenientes da América.

Esta teoria, sobre a origem o Peru Andaluz, foi reforçada devido à grande semelhança genética e biomé- trica que apresenta com outras populações locais de perus do México e de outros países mediterrânicos 

Apesar da sua relevância histórica e cultural, esta população diminuiu ao longo do século XX, com o desenvolvimento de linhas genéticas comerciais especializadas. O Peru Andaluz perdurou até aos dias de hoje graças ao trabalho de criadores de zonas rurais da Andaluzia, que o utilizam em sistemas tradicionais de criação em liberdade, ao ar livre ou em capoeiras (Figura 1).

Figura 1. Bando de juvenis de Peru Andaluz em sistemas de pastoreio ao ar livre

Embora a sua produção se destine, na sua maioria, ao autoconsumo, existe uma certa procura e consumo associados às festividades natalícias

Por um lado, esta preferência deve-se ao facto de, como é uma raça de pequeno porte, as suas carcaças têm o tamanho ideal para certas preparações culinárias, como o assado no forno. Por outro lado, esta procura evidencia que o consumidor familiarizado com este produto reconhece a sua elevada qualidade e está disposto a pagar um preço mais elevado pelo consumo desta carne em períodos festivos (…).

→ Leia este e outros artigos, na Revista Voz do Campo  edição de maio 2026, disponível no formato impresso e digital.