A 2.ª Conferência “Construir Valor em Conjunto”, organizada pela Associação Nacional das Organizações de Produtores de Frutas e Hortícolas (FNOP), realizou-se no passado dia 27 de maio, em Lisboa.
Na abertura da 2.ª Conferência “Construir Valor em Conjunto”, promovida pela FNOP, o presidente da Associação, Domingos dos Santos, defende que o setor agrícola deve responder aos desafios atuais com maior capacidade de adaptação e competitividade. “Temos estado ao longo dos anos em dificuldades”, admite, mas sublinha que o essencial é perceber “como é que vamos resolver os problemas” e “tirar partido das oportunidades que saem destas ameaças”.
O dirigente refere-se à reforma da Política Agrícola Comum (PAC) como “uma ameaça garantidamente”, mas considera que o setor deve procurar formas de reforçar “a capacidade de organização” e “a resiliência” através dos instrumentos europeus.
Domingos dos Santos aponta ainda as novas técnicas genómicas como uma oportunidade para garantir produção alimentar e sustentabilidade
“É um dos caminhos para conseguirmos produzir alimentos seguros, em quantidade”, afirma, defendendo também a redução dos custos de produção e dos “inputs externos”. No seu discurso, alerta igualmente para a realidade do consumo alimentar. “Os consumidores não têm capacidade para pagar mais caro os alimentos”, diz, defendendo maior eficiência produtiva sem comprometer a qualidade nem a segurança alimentar.
O presidente da FNOP crítica também o aumento das exigências e certificações impostas aos produtores. “Continuamos nos nossos processos a aumentar custos com níveis de certificações que depois não são reconhecidas pelos consumidores”, refere.
A terminar, deixa um apelo ao setor: “Não nos foquemos nas ameaças. Foquemo-nos em encontrar oportunidades e em sair daqui com mais conhecimento, mais resiliência e mais competitivos”.
Álvaro Mendonça e Moura alerta para risco de “destruição do mercado comum europeu”
Também na sessão de abertura, o recém-eleito presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Álvaro Mendonça e Moura, começou por destacar o papel das organizações de produtores como “espinha dorsal” da estrutura produtiva e comercial do setor hortofrutícola, defendendo que estas são fundamentais para a concentração da oferta, o planeamento da produção e o reforço do poder negocial dos agricultores. Álvaro Mendonça e Moura centra a intervenção na reforma da PAC e nas negociações em Bruxelas. “Estou preocupado com o que se está a passar em Bruxelas”, afirma, apesar de reconhecer que “tem havido alguma evolução positiva nas negociações” relativamente à proposta inicial da Comissão Europeia.
O presidente da CAP considera que o principal problema não está apenas na redução das verbas, mas na possibilidade de cada Estado-membro apoiar os seus agricultores de forma diferente.
“O risco é destruir aquilo que tentámos criar, que é um verdadeiro mercado comum europeu”, alerta. O presidente da CAP destaca ainda a situação particular de Portugal face à concorrência espanhola. “Nós temos ali ao lado o quarto maior exportador agro da União Europeia”, lembra, considerando que os agricultores portugueses não podem competir em desigualdade de condições. “O que eu quero é regras iguais para todos”, afirma.
Na intervenção houve também críticas à retirada de substâncias ativas fitossanitárias sem alternativas viáveis. “Não se podem retirar moléculas quando não há alternativas”, diz, referindo o aumento de doenças e pragas associado às alterações climáticas.
Álvaro Mendonça e Moura defende igualmente que o setor agrícola deve conseguir captar mais fundos europeus destinados à inovação e à investigação. “Temos de conseguir ir buscar verbas da competitividade para investigação em matérias que interessam ao setor agrícola”, afirma, considerando que atualmente muitos desses apoios acabam concentrados “nos países mais desenvolvidos da União Europeia”.
No final, deixa um apelo ao Governo português para que acompanhe o discurso político sobre a importância estratégica da agricultura com medidas concretas. “Gosto do discurso do atual Governo quando diz que a agricultura é estratégica. O problema é que o discurso não paga contas no fim do mês”, frisa.
Mais desenvolvimento em breve na Revista Voz do Campo.








