Autoria: David Pires e Maria L. Inácio
Os nemátodes fitoparasitas são uma das ameaças mais silenciosas à sanidade vegetal global. Estima-se que causem perdas anuais de milhares de milhões de euros, comprometendo a produtividade e a sustentabilidade dos sistemas agrícolas e florestais. Acresce que os sintomas que provocam nas plantas são geralmente inespecíficos, sendo muitas vezes confundidos com stresse abiótico, o que dificulta o diagnóstico e o controlo atempado.
Entre os nemátodes mais problemáticos na agricultura, destacam-se os dos géneros Meloidogyne (nemátodes-das-galhas-radiculares), Globodera e Heterodera (nemátodes-de-quisto) e Pratylenchus (nemátodes-das-lesões-radiculares), frequentemente incluídos entre os mais relevantes a nível mundial. Em sistemas florestais, salienta-se Bursaphelenchus xylophilus (nemátode-da-madeira-do-pinheiro), responsável pela doença da murchidão do pinheiro.
LIMITAÇÕES DO CONTROLO QUÍMICO E MUDANÇA DE PARADIGMA
Historicamente, o controlo destes organismos microscópicos tem dependido de nematodicidas de síntese. No entanto, devido à sua elevada toxicidade ambiental e aos riscos para a saúde humana, o seu uso tem vindo a ser progressivamente restringido. Esta mudança de paradigma tem impulsionado a procura de alternativas mais sustentáveis, entre as quais se destaca o controlo biológico como uma das abordagens mais promissoras.
O CONTROLO BIOLÓGICO BASEIA-SE NA UTILIZA ÇÃO DE ORGANISMOS VIVOS, COMO BACTÉRIAS E FUNGOS, CAPAZES DE REDUZIR A DENSIDADE POPULACIONAL DE NEMÁTODES E MITIGAR OS SEUS EFEITOS NAS PLANTAS.
Trata-se de uma verdadeira “corrida armamentista” biológica, onde diferentes microrganismos desenvolveram estratégias especializadas para atacar estes parasitas (Figura 1). Alguns fungos predadores capturam nemátodes através de estruturas sofisticadas, como anéis constritores ou redes adesivas, imobilizando-os. Outros adotam estratégias mais subtis, parasitando ovos, fêmeas ou quistos, ou ainda aderindo ao corpo do nemátode através de esporos, colonizando-o a partir do interior. Paralelamente, muitas bactérias produzem compostos nematodicidas, enzimas hidrolíticas ou metabolitos voláteis capazes de imobilizar ou eliminar os nemátodes. Em certos casos, estas bactérias funcionam como verdadeiros “cavalos de Troia”, invadindo o hospedeiro e libertando compostos letais no seu interior.

Para além do ataque direto, muitos destes agentes atuam de forma indireta, promovendo o crescimento das plantas e ativando mecanismos de defesa
Ao modularem vias hormonais e respostas fisiológicas, tor nam as plantas mais resistentes ou tolerantes à infeção, reduzindo o impacto global dos nemátodes no sistema (…).
→ Leia este e outros artigos completos na Revista Voz do Campo, edição de junho 2026.

