Autoria: Pedro Cardoso¹,²
¹ Santarém Polytechnic University, School of Agriculture, Quinta do Galinheiro – S. Pedro, 2001-904 Santarém, Portugal
² Research Center in Natural Resources, Environment and Society (CERNAS), Santarém Polytechnic University, Quinta do Galinheiro – S. Pedro, 2001-904 Santarém, Portugal.
Um solo supressivo é um solo vivo
No passado, estávamos habituados a ver o solo apenas como suporte às culturas agrícolas, menosprezando uma parte importante da sua constituição. Hoje sabemos que, para além de minerais, água e ar, o solo possui também uma fração biológica relevante, constituída por matéria orgânica em decomposição, bactérias, fungos, microartropodes e outros seres vivos. Cada espécie contribui com a sua função ecológica, atuando como decompositores, mineralizadores, entomopatogénicos, antagonistas e bioremediadores (Fig. 1).

São estes organismos que, em conjunto e equilíbrio, possibilitam a limitação natural de muitas pragas e doenças, sobretudo as do solo, enquadrando o conceito de solo supressivo. Para potenciar esta capacidade, é essencial considerar alguns aspetos na análise físico-química do solo, importantes para o desenvolvimento da vida, em especial de organismos autóctones.
IMPORTÂNCIA DA MATÉRIA ORGÂNICA, C/N E TEXTURA
Num relatório de análise, devem ser considerados fato res como: matéria orgânica (%MO), razão carbono/azoto (C/N), pH, condutividade elétrica (CE), nutrientes disponí veis, equilíbrio de catiões, metais pesados, saturação de bases, capacidade de troca catiónica (CTC), humidade e textura.
A matéria orgânica, a relação C/N e a textura assumem particular relevância
No caso da textura, o foco deve ser a correção de camadas compac tadas, com especial atenção a solos mais pesados, mais propensos à asfixia radicular. A gestão das mobilizações deve ser consciente e otimizada. Zonas de compactação, impermeabilização e falta de arejamento favorecem organismos saprófitos e fito patogénicos.
Estratégias para aumento da matéria orgânica movem o seu aumento, situando-se entre 2–3% os valores mínimos desejáveis para um solo em equilíbrio. Entre as mais relevantes destacam-se: enrelvamentos, culturas de cobertura, mobilização mínima, gestão de infestantes e aplicação de matéria orgânica, nomeadamente compostos e substâncias ricas em ácidos húmicos. Estas melhoram a estrutura do solo e alimentam a biologia, promovendo a base da cadeia trófica (…).
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Fontes consultadas: https://qr1.me-qr.com/pt/text/wm9vj493

