O futuro do regadio português num cenário sem apoios da Política Agrícola Comum (PAC) esteve em debate no colóquio “O Regadio sem PAC”, promovido pela FENAREG no Auditório ACOS, durante a 42.ª Ovibeja, no passado dia 29 de abril. A sessão contou com a participação de representantes institucionais, especialistas e dirigentes do setor agrícola para refletir sobre os desafios do financiamento, da coesão territorial e da sustentabilidade da agricultura nacional perante um eventual novo quadro europeu de apoios.
Com moderação de Pedro Santos, da CONSULAI, o painel contou com intervenções de Ricardo Pinheiro, presidente da CCDR Alentejo, Álvaro Beleza, presidente da SEDES, e Rui Veríssimo Batista, diretor da FENAREG. Em cima da mesa estiveram questões como o financiamento do regadio sem fundos da PAC, a futura configuração das políticas agrícolas europeias, o impacto dessas mudanças no mundo rural e o papel do Observatório Nacional do Regadio na análise da evolução do setor. O presidente da Federação Nacional de Regantes de Portugal – FENAREG, José Núncio, considerou que o debate permitiu abrir perspetivas sobre aquilo que poderá ser o futuro da agricultura portuguesa. “Foi um seminário muito interessante, em que abordámos aqui a hipótese do que será o futuro da agricultura de regadio sem os apoios da PAC. E foi muito interessante ouvir gente ligada ao regadio, assim como os restantes palestrantes – fora do setor, como o presidente da CCDR ou o presidente da SEDES, a colocar as hipóteses, o que acham e o que acreditam que poderá ser o futuro do regadio em Portugal, ou o futuro da agricultura nacional”, afirma em declarações à Voz do Campo.

“A estratégia ‘Água que Une’ tem de passar urgentemente do papel para o terreno”
“Portugal precisa de 2 mil milhões de euros até 2030 para garantir o futuro do regadio, mas enfrenta hoje um bloqueio total do investimento, apesar de existirem já 900 milhões de euros em projetos prontos para avançar para obra (…). Não há plano B para o regadio e a estratégia ‘Água que Une’ tem de passar urgentemente do papel para o terreno”, adianta ainda José Núncio.
DURANTE A TARDE, UMA DAS IDEIAS MAIS REPETIDAS FOI A NECESSIDADE DE REPENSAR OS MECANISMOS DE FINANCIAMENTO DO SETOR AGRÍCOLA, ANTECIPANDO UMA REALIDADE DE MAIOR CONCORRÊNCIA PELOS FUNDOS EUROPEUS
Ricardo Pinheiro, presidente da CCDR Alentejo, sublinhou a importância de alinhar os instrumentos financeiros da coesão com os desafios da agricultura do século XXI, defendendo novos modelos de governação e de aplicação das verbas comunitárias.

“Fundamentalmente foi uma tarde de trabalho onde pensámos a forma como os fundos comunitários, a partir da coesão, são capazes de se alinhar com os grandes desafios da agricultura do século XXI”, afirma. O presidente da CCDR Alentejo defende que a inovação nos modelos de financiamento será determinante para assegurar o futuro do setor. “É extraordinariamente importante percebermos de que forma inovamos em relação aos modelos de financiamento. Se não tivermos PEPAC, como somos capazes de garantir financiamento a um setor tão importante como a agricultura?”, questiona (…).
→ Leia a reportagem e outros artigos completos na Revista Voz do Campo, edição de junho 2026.



