A biotecnologia aplicada à agricultura e a preservação das variedades autóctones de oliveira e castanheiro estiveram em destaque no painel de Engenharia Agronómica da 6.ª Conferência InovEnsino, na Escola Superior Agrária de Bragança. A Deifil salientou o papel da propagação in vitro na qualidade do material vegetal e na conservação de variedades tradicionais ameaçadas.

Foi Andreia Afonso, CEO da Deifil, que marcou presença no painel dedicado à Engenharia Agronómica e sublinhou o papel da propagação in vitro na produção de plantas com maior qualidade genética e fitossanitária. “A propagação in vitro ajuda a obter material com qualidade genética e fitossanitária”, afirma. Segundo Andreia Afonso, esta tecnologia é particularmente importante na preservação das variedades tradicionais portuguesas, muitas delas ameaçadas pelo abandono agrícola e pela substituição por variedades estrangeiras. “Há aqui um papel muito importante da conservação de espécies e evitar a sua extinção, porque o que sabemos é que se os produtores não plantam, é natural que essas variedades acabem por se extinguir”, alerta.

Durante a intervenção, Andreia Afonso explica que muitos viveiros acabam por disponibilizar sobre tudo variedades estrangeiras devido à facilidade de propagação e às elevadas taxas de enraizamento

“O que acontece é que os viveiros muitas das vezes têm altas taxas de enraizamento e são essas plantas que colocam à disponibilidade no mercado”, refere. Apesar disso, sublinha que várias variedades autóctones continuam a destacar-se pela qualidade diferenciadora dos seus azeites. “Há algumas variedades tradicionais que dão excelentes azeites”, salienta.

Coleção nacional de oliveiras certificadas

Andreia Afonso revela ainda que a Deifil integra um projeto desenvolvido em parceria com o Instituto Politécnico de Bragança, o MORE CoLAB e o INIAV para criar uma coleção nacio nal certificada de variedades de oliveira propagadas in vitro.

“Temos, via micropropagação, toda a coleção de oliveiras que estão registadas no Catálogo Nacional de Variedades”, explica. Além da uniformidade genética, estas plantas possuem certificação varietal atribuída pelo INIAV. “Além de serem micropro pagadas, ou seja, geneticamente iguais, têm também o certificado varietal”, acrescenta.

Plantas mais resistentes às alterações climáticas

A responsável aborda ainda os trabalhos desenvolvidos na área da adaptação às alterações climáticas, nomeadamente através de ensaios com plantas jovens sujeitas a stress térmico e hídrico.

“O que foi feito foi submeter plantas jovens a altas temperaturas e falta de água para perceber qual era o seu comportamento”, explica.

Nas palavras de Andreia Afonso, os resultados demonstraram capacidade de adaptação das plantas às condições extremas. “As plantas que estiveram sob esses stresses desenvolveram aquilo que podemos chamar memória”, afirma.

A técnica permite ainda conservar grandes quantidades de material vegetal em espaços reduzidos. “Num espaço de 140 metros quadrados conseguimos ter dois milhões de plantas”, vinca.

TECNOLOGIA AO SERVIÇO DOS PRODUTORES

Mais do que responder apenas às exigências científicas, a estraté gia de expansão e modernização das instalações da Deifil foca-se em colocar esta tecnologia diretamente ao serviço dos produtores, tanto no mercado nacional como internacional. Ao interligar o trabalho de multiplicação in vitro com o suporte técnico e o acompanhamento direto no campo, a empresa garante que os resultados obtidos no laboratório se traduzem em vantagens concretas para as explorações agrícolas, desde a redução dos riscos associados à instalação das culturas até ao aumento da produtividade e da rentabilidade por hectare. A disponibilização de plantas certificadas e com total garantia fitossanitária permite aos agricultores iniciar os seus pomares e plantações com maior segurança, previsibilidade e potencial produtivo. Num mercado cada vez mais competitivo, o futuro do setor e a preservação das variedades tradicionais dependem precisamente desta capacidade de entregar soluções que combinam inovação, sustentabilidade e retorno económico, ajudando os produtores a enfrentar os desafios climáticos e a maximizar o valor do seu investimento.

→ Leia este e outros artigos completos na Revista Voz do Campo, edição de junho 2026.