No âmbito do encontro “O Clima Já Mudou. E Nós?”, promovido pelo CATAA – Centro de Apoio Tecnológico Agroalimentar, no âmbito do projeto NeuroClima, e realizado no dia 25 de junho, na Fábrica da Criatividade, em Castelo Branco, o presidente da Câmara Municipal, Leopoldo Rodrigues, destacou a importância da participação dos cidadãos na resposta aos desafios ambientais e climáticos, defendendo a adoção de comportamentos mais sustentáveis e o reforço das políticas de adaptação às alterações climáticas nos territórios.

O presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, evidenciou a importância da adoção de práticas mais sustentáveis na gestão do espaço público, dos resíduos e dos recursos hídricos, defendendo mudanças de comportamento por parte da população para enfrentar os desafios ambientais e económicos que se colocam aos municípios.
Durante a sua intervenção, o autarca abordou a decisão do município de não recorrer à utilização de glifosatos e herbicidas no controlo da vegetação urbana, uma opção que reconhece nem sempre ser consensual junto da população.
“Temos procurado sensibilizar e explicar às pessoas que a não utilização de glifosatos e herbicidas é algo positivo, porque nos permite ter uma melhor diversidade ambiental”, afirmou.
Leopoldo Rodrigues reconheceu que a estratégia tem sido alvo de críticas e que diariamente chegam à autarquia fotografias e mensagens relacionadas com o crescimento das ervas nos espaços públicos. Ainda assim, garantiu que a posição do município se manterá.
“Seria muito fácil utilizar herbicidas e manter as ervas afastadas durante meses, mas não é essa a nossa posição. Sabemos bem a importância daquilo que estamos a fazer e, independentemente das críticas, manteremos este caminho”, sublinhou.
Custos dos resíduos preocupam município
Outro dos temas centrais da intervenção foi a gestão dos resíduos urbanos e o impacto financeiro crescente associado ao seu tratamento.
Segundo o presidente da Câmara, o custo pago pelo município pelo tratamento de resíduos sofreu um aumento significativo nos últimos anos.
“Passámos de cerca de 53 euros por tonelada para 93 euros por tonelada. E os estudos apontam para que possamos chegar aos 200 euros por tonelada até 2030”, alertou.
Para o autarca, a única solução sustentável passa por reforçar a separação dos resíduos na origem.
“Todos os dias recolhemos mais lixo e mais diversificado. A separação traz vantagens ambientais, mas também económicas, porque aquilo que se separa tem valor e reduz os custos associados ao tratamento dos resíduos indiferenciados.”
Leopoldo Rodrigues apelou ainda a uma maior responsabilidade individual, referindo que muitos resíduos recicláveis continuam a ser colocados nos contentores errados.
“Cada vez que colocamos resíduos que podiam ser separados no contentor indiferenciado, estamos a aumentar a fatura dos serviços municipalizados e, em consequência, a nossa própria fatura”, afirmou.
Projeto de recolha de biorresíduos apresenta resultados positivos
O presidente destacou também os resultados do projeto de recolha seletiva de biorresíduos implementado inicialmente junto dos grandes produtores, como restaurantes, hotéis e cantinas.
“Tem sido um sucesso. Falámos com cada um dos produtores, explicámos o projeto e o grau de contaminação dos resíduos recolhidos tem sido praticamente nulo”, explicou.
O município está agora a testar o sistema junto de cidadãos em zonas-piloto da cidade, embora mantenha algumas reservas quanto à eficácia dos modelos de recolha em espaço público aberto.
Educação ambiental é fundamental
Para Leopoldo Rodrigues, as mudanças necessárias dependem sobretudo da consciencialização das novas gerações.
“Sabemos que estas transformações e mudanças culturais começam muitas vezes na escola. Essa é uma área de intervenção que considero muito importante.”
O autarca considera que o sucesso das políticas ambientais depende do envolvimento de toda a comunidade.
“Sabemos onde estamos e para onde queremos ir, mas só teremos sucesso se os nossos concidadãos interiorizarem estas boas práticas e as aplicarem no seu dia a dia.”
Câmara mantém oposição a projeto de megacentral energética
Na parte final da intervenção, Leopoldo Rodrigues voltou a manifestar a sua oposição à localização proposta para um projeto de grande dimensão ligado à produção de energia renovável no concelho.
O autarca esclareceu que não é contra as energias renováveis, mas considera que existem limites quanto aos locais onde estes investimentos podem ser instalados.
“Não somos fundamentalistas. Entendemos que as energias renováveis são parte do futuro, mas existem limites para aquilo que estamos disponíveis para aceitar”, referiu.
Segundo explicou, desde o primeiro contacto com os promotores definiu como princípios a não instalação de infraestruturas em áreas agrícolas, áreas classificadas ou junto de zonas sensíveis.
A proposta atualmente em análise, que prevê a instalação de estruturas em áreas da Serra da Gardunha, continua a merecer a oposição da Câmara Municipal e das juntas de freguesia envolvidas.
“Temos 1.438 quilómetros quadrados de território. Certamente haverá espaço para projetos de produção de energia renovável sem comprometer áreas que consideramos sensíveis”, concluiu.
O NeuroClima é um projeto europeu (financiado pelo Horizonte Europa) focado nas alterações climáticas e resiliência dos territórios. Em Castelo Branco, o CATAA (Centro de Apoio Tecnológico Agro-Alimentar) é o único parceiro português, sendo responsável pela liderança dos estudos-piloto internacionais do projeto.



