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“Agricultores portugueses receberam 30 a 40 vezes menos do que os espanhóis”

Presidente da CAP apela a uma mudança na política agrícola portuguesa e alerta para as dificuldades de competitividade, renovação geracional e acesso a apoios.

As declarações foram realizadas durante a sessão de abertura do TERRA’26, realizada na Quinta da Melhorada, na Azinhaga, Golegã, num evento organizado pela Quinta da Cholda e dedicado à agricultura regenerativa.

Na sua intervenção, Álvaro Mendonça e Moura, Presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), centrou o discurso na competitividade da agricultura portuguesa, na renovação geracional e nas desigualdades no acesso a apoios face a outros países europeus.

Durante o discurso, Álvaro Mendonça e Moura sublinhou a dificuldade de competir em condições que considera desiguais, sobretudo quando Portugal pretende promover a entrada de uma nova geração no setor agrícola.

“É muito difícil competir. E não percebo como é que se diz que em Portugal se quer fazer uma renovação geracional e depois me obrigam a competir”, afirmou.

O Presidente da CAP destacou particularmente a diferença entre os apoios efetivamente recebidos pelos agricultores portugueses e espanhóis. Segundo referiu, até hoje (dia 9 de setembro de 2026, às 10h00), os produtores portugueses receberam “entre 30 a 40 vezes menos” do que os agricultores espanhóis.

Álvaro Mendonça e Moura fez questão de distinguir entre os anúncios de novas medidas e aquilo que chega efetivamente às explorações agrícolas.

“Os anúncios podem ser que venham a corrigir as coisas. Mas os anúncios a mim não pagam as contas. O que me paga as contas é o que eu recebo”, afirmou, defendendo respostas mais concretas e céleres às dificuldades enfrentadas pelo setor.

A mensagem foi igualmente de inconformismo. “Nós não nos resignaremos a isto. Isto tem de mudar”, declarou, defendendo que o desenvolvimento do país não pode ser pensado sem integrar os agricultores nas decisões relacionadas com território, ambiente e saúde.

Na sua perspetiva, os agricultores devem fazer parte da resposta aos grandes desafios atuais. “Os que querem defender o ambiente, os agricultores. Os que querem defender a saúde, os agricultores. Todos em conjunto”, referiu.

Mas essa participação, acrescentou, só será possível se existir viabilidade económica para permanecer na atividade.

“Queremos ficar na terra. Queremos poder ter rendimento ficando na terra”, salientou, lembrando que o setor agrícola tem uma longa história de dificuldades, mas também uma forte capacidade de adaptação e resiliência.

Apesar das críticas, o discurso terminou com uma mensagem de confiança no futuro e de valorização dos exemplos positivos já existentes no setor. Álvaro Mendonça e Moura destacou o trabalho desenvolvido por João Coimbra, apontando-o como exemplo de inovação, perseverança e capacidade de adaptação com resultados económicos.

“Temos aqui um magnífico exemplo”, afirmou, classificando o projeto como um caso de “otimismo, perseverança, de olhar para o futuro” e de coragem na procura de soluções inovadoras.

A intervenção do Presidente da CAP deixou, assim, uma mensagem clara: a agricultura portuguesa enfrenta constrangimentos estruturais e competitivos que exigem respostas concretas, mas dispõe também de conhecimento, experiência e exemplos capazes de apontar caminhos para uma agricultura economicamente viável, resiliente e preparada para o futuro.

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