Nos dias 9 e 10 de setembro de 2026, a Quinta da Melhorada, na Azinhaga, Golegã, recebeu o TERRA’26 – Enraizados no Futuro, um encontro dedicado à agricultura regenerativa que reuniu mais de 1500 agricultores, técnicos, investigadores, empresas e outros agentes do setor em torno da partilha de conhecimento, demonstrações no terreno e debate sobre novas formas de produzir.

Ao longo dos dois dias, práticas relacionadas com a saúde e biologia do solo, diversidade de culturas, biofertilizantes, maneio animal, floresta e mecanização estiveram entre os vários temas abordados, sempre com uma forte componente prática e de contacto direto com as soluções apresentadas.
No final do evento, a Voz do Campo esteve à conversa com João Coimbra, agricultor e um dos organizadores do TERRA’26, para conhecer as primeiras impressões sobre a iniciativa e, sobretudo, perceber que mensagem a organização pretende que os agricultores levem consigo para as suas próprias explorações.
Para João Coimbra, mais do que apresentar conceitos ou modelos fechados, o principal objetivo passa por estimular a curiosidade, a experimentação e a adaptação das práticas à realidade de cada agricultor.

“O primeiro passo é experimentar numa pequena parcela”
“Acreditamos que a mensagem foi bem recebida. Tivemos aqui muitos colegas agricultores, e esse era precisamente um dos grandes objetivos: fazer com que cada agricultor leve daqui ideias que possa adaptar à sua própria exploração.
O contacto com as máquinas em funcionamento, as conversas, a partilha de experiências e a possibilidade de perceber como determinadas práticas podem ser aplicadas em diferentes contextos ajudaram a mostrar que há soluções que podem ser testadas nas explorações. Esse é, para nós, um dos grandes desafios do TERRA’26: incentivar uma atitude de mudança, sobretudo através da experimentação, levando cada agricultor a testar, numa parte da sua exploração, algumas das ideias e práticas aqui apresentadas.

Entre os vários temas em destaque, há desafios particularmente interessantes, como trabalhar várias espécies em simultâneo, recorrer à inoculação e aos biofertilizantes e enriquecer a biologia do solo. São áreas que, à partida, podem parecer complexas, mas que, quando apresentadas de forma prática e simplificada, tornam-se muito mais acessíveis e atrativas para os agricultores.
Destaco também a gestão e o maneio holístico do gado. Apesar de não ser produtor pecuário, parece-me uma abordagem capaz de introduzir uma forma diferente de pensar o maneio animal. Na floresta, a diversidade é igualmente fundamental, nomeadamente através da consociação do eucalipto com outras culturas e da criação de áreas de pastagem para os animais.
Aquilo que mais gostaríamos que ficasse deste trabalho é a vontade de experimentar. O primeiro passo pode ser começar numa pequena parcela, numa zona em que o agricultor se sinta mais seguro, observar os resultados e, a partir daí, evoluir.
É também muito importante que os agricultores visitem explorações, troquem experiências e aprendam uns com os outros. Espaços como o TERRA’26 permitem experimentar, observar, colocar questões, apresentar críticas e discutir soluções diferentes.
Cada encontro entre agricultores traz novas ideias e experiências. Isso é particularmente importante numa fase em que muitas destas práticas ainda são pouco conhecidas por quem trabalha num modelo mais convencional. Existe naturalmente receio de arriscar e de mudar, sobretudo quando a situação económica das explorações já é exigente. É precisamente por isso que a experimentação, a partilha e o contacto direto com outros agricultores são tão importantes” (...).
Veja parte do balanço final com a organização do TERRA’26 na vídeo-reportagem da VOZ DO CAMPO:
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