DESAFIOS ATUAIS DA VITICULTURA
A sessão arrancou com uma análise ao impacto da retirada de substâncias ativas na cultura da vinha, uma realidade que tem condicionado as estratégias de proteção. Seguiu-se uma mesa-redonda com produtores de diferentes regiões — Ribatejo, Oeste, Península de Setúbal e Alentejo — que traçaram o balanço da campanha vitícola, evidenciando problemas comuns, ainda que tratados de forma distinta em cada região. No plano técnico, também mereceu destaque o tema das pragas emergentes, com ênfase na Cryptoblabes gnidiella, a traça-dos-cachos, cuja presença crescente exige atenção reforçada à monitorização e aos momentos de intervenção.

Paulo Machado, diretor comercial da Syngenta Portugal
Syngenta disponibiliza portefólio completo
Para a Syngenta, o Simpósio assume-se como um ponto de contacto direto com o setor. “Após o sucesso do Simpósio na zona Norte, realizamos agora a edição dedicada à zona Sul. Para nós é muito importante ter um simpósio de viticultura, pelo portefólio que agora podemos disponibilizar para os agricultores”, afirma Paulo Machado, diretor comercial da Syngenta Portugal.
O responsável sublinha a evolução da empresa nos últimos anos. “Nos últimos anos temos vindo a melhorar o nosso portefólio e, claramente, agora somos a empresa que tem o portefólio mais completo”, considera.
LANÇAMENTO DO ORONDIS FORTE
Um dos momentos centrais do encontro foi o lançamento de uma nova solução para o controlo do míldio. “Estamos hoje na zona Sul a focar o lançamento do Orondis Forte, uma solução completamente inovadora, que completa o nosso portefólio para a cultura da vinha”, explica.
Segundo o diretor comercial da Syngenta Portugal, este produto vem fechar um ciclo. “Nós nos últimos anos temos lançado vários produtos e, claramente, hoje, com o lançamento do Orondis Forte, era a chave que nos faltava para termos a cultura da vinha completamente coberta”, partilha.

Paulo Machado, o contexto europeu continua a ser desafiante
Nas palavras de Paulo Machado, o contexto europeu continua, no entanto, a ser desafiante: “Estamos num mercado europeu muito desafiante, onde têm saído muitas substâncias ativas (...). E onde desde 2019 não é aprovada nenhuma nova substância ativa. Daí a necessidade de preservar as novas ferramentas disponíveis”.
CONTROLO DE PRAGAS E SOLUÇÕES BIOLÓGICAS
No controlo de pragas, a traça-da-uva mantém-se como principal preocupação ao longo do território. “A traça-da-uva, de Norte a Sul, é a praga mais complicada, embora apareçam outras (...), esta é claramente a traça-da-uva é a mais difícil”, explica. A resposta passa também por soluções de base biológica. “Temos também o Exployo Vit, que é uma feromona pulverizável, que faz o controlo da traça impedindo os machos de encontrar as fêmeas e assim contribuindo para reduzir a população da praga”, refere Paulo Machado.
Esta abordagem enquadra-se numa estratégia mais ampla. “O mercado solicita cada vez menos resíduos à colheita (...). Tem que haver aqui um complemento entre a parte de controlo de pragas tradicional e a parte de produtos biológicos”, considera.
E reforça a importância desse equilíbrio. “Asseguramos a viabilidade da cultura até ao final, e garantimos também um resíduo cada vez menor à colheita”, acrescenta.

Durante a tarde, a Syngenta apresentou o seu portefólio completo, incluindo soluções digitais como o Cropwise, que permite integrar informação sobre pragas, doenças e condições do solo numa única plataforma.
EXPLOYO VIT - feromona pulverizável

Gilberto Lopes, Field Expert da Syngenta
Entre as ferramentas destacadas, Gilberto Lopes, Field Expert da empresa, deu-nos mais pormenores sobre o Exployo Vit. “Exployo Vit é uma feromona pulverizável, diferente do que existe no mercado, e com esta ferramenta conseguimos fazer o controlo da traça mais ligado à parte do biocontrolo”, explica.
Uma das vantagens passa pela facilidade de integração com outros tratamentos. “É uma feromona que pode ser misturada com qualquer solução que vá ser utilizada na vinha”, refere.
Mas o sucesso da aplicação depende do momento certo. “O que é imprescindível neste tipo de monitorização, é saber quando começa o início do voo da praga, e a partir daí fazer a aplicação”, sublinha.
A tecnologia apresenta ainda uma janela de aplicação bem definida. “Temos uma janela de aplicação entre 3 a 5 dias, com uma persistência de ação que pode variar entre 2 a 3 semanas”, conclui.
ORONDIS FORTE: “Falamos de duas substâncias ativas diferentes”
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Nuno Zibaia, técnico Gestor Conta Cliente (Ribatejo) da Syngenta
Nuno Zibaia, técnico Gestor Conta Cliente (Ribatejo), reforça as palavras dos colegas e acrescenta detalhes sobre a introdução da nova solução no portefólio da Syngenta. “Falamos de duas substâncias ativas diferentes, com modos de ação distintos. Isto vai-nos garantir maior eficácia por parte do Orondis Forte e também uma gestão mais simpática, no ponto de vista das resistências”, argumenta, em declarações à nossa reportagem.
O QUE DIZEM AS REGIÕES PRODUTORAS:

Participantes na mesa-redonda, representando diferentes regiões - Ribatejo, Oeste, Península de Setúbal e Alentejo - que traçaram o balanço da campanha vitícola
“A viticultura de precisão e a digitalização são uma ajuda importante”
A técnica Ana Chambel, da AVIPE, salienta que cada região tem as suas particularidades, tornando essencial a troca de conhecimento. “Neste painel, tivemos quatro regiões diferentes (…) têm sempre as suas particularidades e, portanto, esta troca de experiências é muito importante”, afirma.
A técnica sublinha o de
“Partilhar experiências entre regiões é fundamental”
Também Fábio Santos, da Adega de Almeirim, sublinha o valor de aprender com outras regiões e monitorizar as pragas e doenças que afetaram a vinha. “O objetivo foi partilhar um pouco daquilo que é feito em termos de viticultura na região do Tejo e com outros colegas, essencialmente acerca das pragas e das doenças que afetaram a cultura da vinha no ano de 2025”, explica.
safio da retirada de substâncias ativas. “Na AVIPE, através do nosso corpo técnico, vamos adaptando e jogar com todas as armas que temos ao nosso dispor. As novas tecnologias, a viticultura de precisão e a digitalização são uma ajuda importante. Adquirimos agora um drone para fazer o mapeamento das parcelas, não para pulverização, mas de mapeamento”, partilha. Para Ana Chambel, a demonstração prática é essencial. “Temos campos de demonstração nas parcelas dos nossos associados, para conhecermos os produtos e depois mostrá-los aos agricultores (…). É muito nessa base da partilha de conhecimento que trabalhamos com os nossos agricultores”, reforça ainda.
O setor da vinha está a passar um período menos bom”
Para Nuno Chegadinho, da ATEVA, acompanhar as soluções disponíveis no mercado é fundamental para apoiar os viticultores. “Participar no Simpósio é vital. Estar a par de tudo aquilo que a Syngenta faz e tem para oferecer no mercado é importante para podermos aconselhar os nossos associados viticultores”, afirma. Sobre a campanha passada, destaca os desafios do clima e do solo: “Os solos estavam muito pesados, saturados de água, fruto da precipitação de março e abril, e tardou-se a entrar nos terrenos para fazer os tratamentos fitossanitários.
Diz Nuno Chegadinho que o “setor da vinha está a passar um período menos bom, e a grande preocupação é o rendimento do agricultor: Tudo sobe, o produto final sobe e o preço da uva ao agricultor é praticamente o mesmo”.
“RETIRADA DE SUBSTÂNCIAS ATIVAS PODE CAUSAR UM IMPACTO DE CERCA DE 151 MILHÕES DE EUROS DE MARGEM BRUTA POR ANO NA CULTURA DA VINHA”

João Cardoso, diretor executivo da CropLife Portugal
No simpósio de viticultura da Syngenta, João Cardoso, diretor executivo da CropLife Portugal, sublinha a importância de debater com produtores e distribuidores o contexto atual da proteção das plantas. “Debater o estado atual do setor, as novas políticas europeias como o Omnibus 10 e a retirada das substâncias ativas é fundamental”, afirma.
O estudo de impacto apresentado pela CropLife revela perdas significativas para a vinha. “A retirada de substâncias ativas pode causar um impacto de cerca de 151 milhões de euros de margem bruta por ano na cultura da vinha”, sublinha.
Para minimizar os efeitos, a associação defende simplificações administrativas e uma maior abertura a biopesticidas. “Há um fast track europeu para que estas tecnologias cheguem mais rápido ao agricultor, complementando as soluções de base química com soluções biológicas, biotecnologia e agricultura de precisão”, explica.
TRAÇA-DOS-CACHOS PREOCUPA VITICULTORES
Jorge Sofia, investigador do INIAV, aos presentes chamou a atenção para a emergência da Cryptoblabes gnidiella, conhecida como traça-dos-cachos. “Esta é uma praga nativa do Mediterrâneo, que se considerava secundária na vinha, mas recentemente demos conta de que estavam a ocorrer danos com alguma importância na região da Península de Setúbal”, conta.
O investigador detalhou os trabalhos de identificação e monitorização. “Colheram-se exemplares, observaram-se os estragos, definiu-se a sintomatologia e, quer por morfologia, quer por biologia molecular, chegámos à conclusão de que os estragos estavam associados à Cryptoblabes gnidiella e não à Lobesia botrana”, afirma.

Jorge Sofia, investigador do INIAV
Nova praga exige monitorização mais rigorosa
Jorge Sofia reforça a necessidade de atenção específica para esta praga. “É importante chamar a atenção dos agricultores para este problema, particularmente porque uma monitorização baseada apenas numa espécie pode induzir em erro na proteção da vinha”, diz.
Quanto ao controlo, o investigador defende estratégias integradas. “Vejo com bons olhos a aplicação de agentes de biocontrolo numa fase inicial do desenvolvimento da praga, para manter os níveis baixos e estáveis. Defendo a monitorização, a confusão sexual e a utilização racional de inseticidas, de forma a não duplicar tratamentos, mas a controlar tanto a traça-dos-cachos como a Lobesia botrana”, conclui.
Artigo publicado na edição de Maio de 2026, da Revista Voz do Campo