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Dos prados açorianos à mesa dos consumidores

PAULO GOMES
DIRETOR VOZ DO CAMPO

Há produtos que representam muito mais do que aquilo que colocamos à mesa. São o reflexo de um território, da dedicação de sucessivas gerações de agricultores e da capacidade de um país preservar e valorizar o que tem de melhor. A Carne dos Açores - IGP é, sem dúvida, um dos maiores exemplos da agricultura portuguesa.

Num tempo em que os consumidores procuram cada vez mais alimentos de origem conhecida, produzidos de forma sustentável e com garantias de qualidade e segurança alimentar, a Carne dos Açores afirma-se como uma referência nacional e internacional. Não apenas porque provém de bovinos nascidos, criados e abatidos na Região Autónoma dos Açores, mas porque resulta de um sistema de produção profundamente ligado à natureza, ao bem-estar animal e ao respeito pelos ciclos da terra.

As nove ilhas do arquipélago oferecem condições únicas. Os solos de origem vulcânica, a abundância de precipitação ao longo do ano e as vastas pastagens naturais criam um ambiente privilegiado para uma pecuária extensiva que atravessa séculos de história. Desde o século XVI existem referências à aptidão destas terras para a criação de bovinos, testemunhando uma tradição que soube evoluir sem perder a sua autenticidade.

É precisamente desta relação harmoniosa entre o homem e a natureza que nasce uma carne de características singulares: tenra, suculenta, de sabor intenso e equilibrado, com uma com-posição nutricional diferenciadora, resultante de uma alimentação baseada essencialmente em pastagens  naturais.  Rica  em  ómega-3,  CLA,  vitamina  E  e  beta-carotenos,  a  Carne  dos  Açores  demonstra que qualidade gastronómica e qualidade nutricional podem caminhar lado a lado.

Mas importa recordar que a excelência não acontece por acaso. Ela constrói-se diariamente através do trabalho rigoroso dos produtores, do cumprimento de um exigente Caderno de Encargos e de um sistema de certificação que acompanha todas as fases da cadeia produtiva, desde a exploração pecuária até ao consumidor. É esta exigência que garante a autenticidade da Indicação Geográfica Protegida e reforça a confiança de quem escolhe este produto.

Infelizmente, nem sempre o consumidor conhece a dimensão deste património agroalimentar. Muitos desconhecem o processo de criação dos animais, o papel determinante das pastagens naturais ou o significado de um selo de qualidade como a IGP. Valorizar estes produtos passa, por isso, por informar, comunicar e aproximar a sociedade do mundo rural, tornando visível o trabalho daqueles que, diariamente, produzem alimentos de excelência.

É nesta missão que a Revista Voz do Campo continuará empenhada. Dar voz aos agricultores, divulgar  o  conhecimento  técnico,  promover  os  produtos  nacionais  e  contribuir  para  uma  agricultura mais valorizada e mais reconhecida, faz parte do compromisso editorial que assumimos há quase três décadas.

Nesta edição de agosto/setembro dedicamos as páginas centrais ao Azores Beef Fest, um dos mais importantes eventos de promoção da pecuária açoriana.

Porque defender a Carne dos Açores - IGP é, acima de tudo, defender a agricultura portuguesa,  os  seus  produtores  e  um  modelo  de  produção  que  alia  tradição,  sustentabilidade  e  excelência. É preservar um património coletivo que honra o país e que merece continuar a conquistar consumidores, dentro e fora de Portugal.

A  equipa  de  reportagem  da  Voz  do  Campo  teve  o  privilégio  de  acompanhar  de  perto  este  acontecimento, testemunhando uma realidade que confirma a excelência de um setor profundamente enraizado no território e na identidade dos Açores.

Editorial da edição conjunta de agosto/setembro de 2026, da Revista Voz do Campo.

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