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Setor cervejeiro gera forte retorno fiscal para o Estado, conclui estudo

Cada euro de receita fiscal associado diretamente ao setor cervejeiro gera quase 37 euros para o Estado.

Por ocasião do Dia Internacional da Cerveja, a APCV - Cervejeiros de Portugal celebra um setor profundamente ligado à cultura, à gastronomia, ao turismo e aos momentos de convívio dos portugueses, divulgando novos dados sobre o seu contributo para a economia nacional. O estudo “Impacto Socioeconómico do Setor Cervejeiro em Portugal”, desenvolvido pela Nova School of Business and Economics, evidencia o forte efeito multiplicador da atividade cervejeira, enquanto as estatísticas do primeiro semestre de 2026 e a mais recente edição do relatório European Beer Trends 2026, da Brewers of Europe, revelam a resiliência do mercado português e uma tendência comum: o crescimento sustentado da cerveja sem álcool.

Celebrado anualmente na primeira sexta-feira de agosto, o Dia Internacional da Cerveja constitui também uma oportunidade para reconhecer a diversidade e a evolução de uma bebida que acompanha há séculos os momentos de encontro, partilha e celebração. Em Portugal, essa dimensão social assume uma expressão particularmente relevante, com cerca de 70% da cerveja comercializada através da restauração, hotelaria, cafés e bares.

Assim, depois de uma primeira apresentação centrada no contributo do setor para o Produto Interno Bruto nacional, equivalente a 2,53%, e no facto de sustentar mais de 170 mil empregos diretos, indiretos e induzidos, o relatório completo permite agora aprofundar a forma como a atividade cervejeira transforma o valor que gera diretamente em receita para o Estado, remunerações, emprego e atividade económica no conjunto da economia portuguesa.

Uma das principais conclusões do estudo é a dimensão do efeito multiplicador fiscal do setor. Em 2024, cada euro de receita fiscal diretamente associado à atividade cervejeira traduziu-se em 36,86 euros de receita fiscal total para o Estado, através do emprego, da atividade dos fornecedores e dos restantes efeitos gerados ao longo da cadeia de valor. Este indicador considera a receita proveniente de IRS, IRC e contribuições para a Segurança Social, não incluindo o IVA, e demonstra que o contributo fiscal do setor ultrapassa amplamente a receita gerada diretamente pelas empresas produtoras de cerveja.

O impacto da atividade cervejeira é igualmente expressivo na geração de rendimento. Por cada euro pago diretamente em remunerações pelo setor, são gerados 32,50 euros em remunerações no conjunto da economia portuguesa. Em termos globais, a atividade cervejeira esteve associada a 2.776,2 milhões de euros em remunerações, considerando os efeitos diretos, indiretos e induzidos. Este resultado demonstra que o contributo social do setor não se limita ao número de postos de trabalho, traduzindo-se também em rendimento para os trabalhadores e para as famílias.

Este efeito multiplicador é particularmente expressivo em Portugal, o país europeu onde o consumo de cerveja fora de casa, através do canal HoReCa, tem maior peso e ocupa o lugar número um no ranking. O impacto económico do setor não se concentra, assim, apenas a montante, na produção de cerveja e nos fornecedores, mas estende-se de forma muito significativa a jusante, através da distribuição, da restauração, da hotelaria, dos cafés e de milhares de estabelecimentos espalhados pelo país.

O setor caracteriza-se ainda por emprego qualificado, estável e com elevada capacidade de criação de valor. Em 2024, gerou 130.612 euros de valor acrescentado por trabalhador, quase três vezes acima da média da economia portuguesa e perto do dobro da indústria das bebidas. Quase nove em cada dez trabalhadores têm contrato sem termo e a proporção de trabalhadores licenciados é superior à média nacional, reforçando o perfil especializado e estável do emprego no setor.

O relatório revela ainda a forte capacidade de mobilização da economia nacional pelo setor cervejeiro. Em 2024, foram realizados 545,21 milhões de euros de gastos diretos na economia portuguesa, excluindo importações, através da aquisição de bens e serviços a fornecedores e prestadores de serviços nacionais.

Vendas do setor cervejeiro crescem 1.67% primeiro semestre, impulsionadas pela cerveja sem álcool

No Dia Internacional da Cerveja, os Cervejeiros de Portugal assinalam a evolução positiva do setor cervejeiro nacional, que continua a demonstrar resiliência, capacidade de inovação e adaptação às novas preferências dos consumidores. Os dados preliminares relativos ao primeiro semestre de 2026 revelam um crescimento de 1,67% das vendas no mercado interno, face ao período homólogo.

A principal tendência do mercado português continua a ser a forte evolução da cerveja sem álcool. Depois de ter crescido 11,5% em 2025, o segmento registou, no primeiro semestre de 2026, um aumento de cerca de 12% nas vendas e de quase 17% na produção. A evolução confirma a aposta continuada das empresas cervejeiras na inovação, na diversificação da oferta e no desenvolvimento de alternativas adaptadas a diferentes momentos de consumo e estilos de vida.

O mercado português contrasta com a retração europeia, embora partilhe uma tendência comum: o crescimento sustentado da cerveja sem álcool. De acordo com o mais recente relatório European Beer Trends, da Brewers of Europe, a produção de cerveja na União Europeia diminuiu 2,9% em 2025, enquanto o consumo recuou 3,2%. Em sentido contrário a esta contração geral, a cerveja sem álcool continuou a crescer no mercado europeu. Os volumes na União Europeia aumentaram 5,87% em 2025 e mais de 38% desde 2020. Atualmente, uma em cada 12 cervejas consumidas na União Europeia é sem álcool.

No ano em que assinalam o seu 40.º aniversário, os Cervejeiros de Portugal celebram o Dia Internacional da Cerveja valorizando o passado, a diversidade e a capacidade de inovação de um setor que continua a evoluir com os consumidores. Uma celebração que é também um reconhecimento das pessoas, empresas, produtores, trabalhadores e milhares de estabelecimentos que fazem parte da cultura cervejeira portuguesa e que contribuem diariamente para a economia, o turismo, a gastronomia e a vida social do país. A efeméride reforça igualmente o compromisso do setor com a promoção do consumo responsável, a inovação, a sustentabilidade e o diálogo necessário para que a cerveja continue a ser um motor de crescimento, competitividade e criação de valor em Portugal.

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