Durante a última edição da Agro, que se realizou recentemente em Braga, a Nanta realizou as Jornadas de Bovinos de Leite – Nanta Dairy 360º, sob o mote “Do desafio à eficiência”, centrando-se nas estratégias para uma transição eficiente nas explorações leiteiras e na aplicação de robôs de ordenha como resposta às exigências do setor.
Manuel Ferreira, diretor comercial adjunto da Nanta, abriu a sessão destacando que “o nosso principal objetivo, sobretudo no período de transição, sabemos que é o momento de maior stress para um animal, para o produtor de leite, que é quando é o parto”.
À nossa reportagem, Manuel Ferreira destacou que o Seminário teve como missão “os produtores perceberem quais são as causas que provocam esse stress no animal e como, através de técnicas tanto de maneio como nutricionais, podemos ultrapassar esse período crítico e potenciar, ao máximo, a produção leiteira dos animais que estão estabulados”.
Segundo o responsável, a produção leiteira representa uma das grandes apostas da Nanta, que “trabalha muito no que é a produção leiteira e é um segmento de mercado muito importante para nós, onde fazemos muita investigação, tanto na parte de maneio, como na parte técnica e nutricional”, acrescentado que a empresa conta com uma equipa técnica nacional de zootécnicos e veterinários que acompanha os clientes desde o crescimento das novilhas até à produção leiteira.
Sobre a utilização crescente de robôs de ordenha, Manuel Ferreira salientou que esta solução surge, sobretudo, pela escassez de mão de obra e pelo desgaste dos produtores. “Acaba por haver alguma saturação, porque é 365 dias do ano, de manhã e à noite, e, em alguns casos, uma terceira ordenha. O robô acaba por fazer esse trabalho rotineiro”, considera, salientando ainda que “o nosso trabalho, muito junto deles, está associado em como podemos potenciar a parte da nutrição e da alimentação, juntamente com o novo sistema operativo da ordenha, que são os robôs”.
Manuel Ferreira, destacou ainda a importância da genética e do aproveitamento das forragens produzidas localmente: “O nosso propósito é sempre tentar tirar o proveito máximo da genética e do sistema de alimentação que eles próprios também produzem”.
Pedro Nogueira, colaborador da Nutreco com experiência no Canadá, partilhou as perspetivas práticas e conhecimento acumulado sobre o período crítico da transição.
“Foi como extensionista que aprendi a valorizar a transmissão de conhecimento, e este tipo de jornadas ajudam a partilhar experiências com os produtores”, explica Pedro Nogueira durante o Seminário. O especialista considera o tema da transição como central: “Se conseguimos ter uma vaca que pare e arranque bem para a lactação, é meio caminho andado para o sucesso da exploração”.
Durante a sua intervenção, chamou a atenção para os detalhes do maneio. “A nutrição é um dos pilares, mas o maneio é fundamental. Podemos ter uma nutrição excelente, mas se houver sobrelotação dos parques, alimentação irregular ou mudanças frequentes, isso tudo vai contra a dieta”. Sublinhou ainda fatores fundamentais como a ventilação, o espaço de manjedoura e a consistência no trato. “É um conjunto de pequenas coisas que levam ao sucesso final”, considera.
Pedro Nogueira, colaborador da Nutreco com experiência no Canadá Sobre as dificuldades das explorações familiares, Pedro Nogueira defende que “os produtores de leite são super-homens. Têm que inseminar vacas, tratar vitelos, trabalhar no campo (…). Muitas vezes sabem o que fazer, mas não têm tempo nem estrutura”. Por isso, sublinha a necessidade de priorizar. “Se há área que vale a pena dedicar tempo, é o colostro e a transição. Não faz sentido investir só após o parto, se a transição correr mal, afeta a lactação toda”.
Pedro Nogueira reforça a importância de uma comunicação constante entre técnicos e produtores. “O nutricionista, o veterinário, a pessoa que trata dos cascos — todos têm que conversar e perceber onde estão os problemas e tentar corrigi-los”, afirma.
A tecnologia também foi destacada: “hoje em dia temos computadores que simulam uma vaca, integrando o peso, a ingestão, a parição, e dados laboratoriais das forragens”. Esta informação permite prever com maior precisão o desempenho digestivo e ajustar as dietas com base em novos parâmetros.
Questionado sobre as diferenças entre o Canadá e Portugal, foi perentório: “Tirando a forragem, o resto é muito igual. No entanto, no Canadá, o sistema de quotas garante rendimento estável aos produtores, o preço está legislado e isso permite-lhes fazer investimentos constantes”.
As Jornadas de Bovinos de Leite – Nanta Dairy 360º reuniram mais de 90 produtores, representando uma expressiva fatia do setor leiteiro nacional.
Foi um dia de partilha de conhecimentos, experiências e inovação, reafirmando o compromisso da Nanta com o desenvolvimento técnico e económico dos seus clientes e do setor leiteiro em Portugal.
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(Re)Veja aqui alguns momentos do encontro:
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