Fundada em Mafra, a ANIMOB é um projeto de uma empresa portuguesa inovadora que atua na gestão regenerativa de terrenos, integrando tecnologia, dados e mobilidade animal para responder a problemas estruturais como a gestão da vegetação, o risco de incêndio, a desertificação e o abandono rural. O modelo assenta numa ideia simples, mas pouco explorada de forma estruturada: Utilizar os animais, de forma planeada e monitorizada, como ferramenta ativa de gestão do território.
Através de uma plataforma digital de matchmaking, a ANIMOB conecta proprietários de terrenos que precisam de gerir a vegetação, a produtores pecuários que necessitam de áreas de pastagem. A empresa assegura as condições de segurança, planeamento, logística e monitorização necessárias para que este encontro aconteça de forma profissional e contínua. Na prática, custos recorrentes associados à limpeza mecânica ou química passam a ser encarados como investimentos regenerativos, com benefícios económicos, ecológicos e sociais acumulados no tempo.
Atualmente, a ANIMOB encontra-se numa fase de crescimento sustentado, com contratos assinados com empresas promotoras de parques solares e explorações agrícolas. A validação do modelo no terreno e a estrutura tecnológica desenvolvida permitem uma ambição clara: alcançar a gestão ativa de mais de 8.000 hectares por ano em 2030.
O problema estrutural do território
A origem da ANIMOB está ligada a experiências diretas em ecossistemas africanos, onde o movimento contínuo das grandes manadas mantém o equilíbrio entre solo, vegetação e biodiversidade. Um princípio ecológico simples, que durante séculos também existiu na Península Ibérica, mas que foi progressivamente interrompido por fenómenos como o abandono rural, a fragmentação fundiária e o desaparecimento dos pequenos agricultores.
Hoje, mais de 60% dos solos europeus encontram-se degradados, mais de 60% da Península Ibérica está em risco de desertificação, e todos os anos mais de 500.000 hectares ardem na União Europeia, com prejuízos económicos estimados entre 2 e 5 mil milhões de euros. A ausência de gestão contínua do território transformou Portugal e Espanha em zonas de elevada vulnerabilidade ecológica.
A este cenário soma-se o colapso do mundo rural: falta de sucessão geracional, terrenos sem retorno económico e uma quebra profunda da relação histórica entre pastores e proprietários. Paralelamente, a pecuária passou a ser frequentemente apontada como responsável pelos impactos ambientais. A ANIMOB propõe uma leitura diferente: o problema não reside nos animais, mas na forma como são — ou não — integrados nos sistemas de gestão do território.
O episódio que deu origem à ANIMOB
O momento fundador do projeto ocorreu há cerca de quatro anos, em Mafra. De um lado da estrada, um pastor com um pequeno rebanho a explorar um terreno esgotado. Do outro, um pasto verde, abandonado e sem qualquer uso. À pergunta aparentemente óbvia — porque não mudar os animais para o outro terreno — surgiu uma resposta reveladora: falta de confiança, ausência de seguro, inexistência de infraestruturas e tempo limitado.
Esse episódio expôs um problema estrutural claro: não existia uma entidade capaz de coordenar, regular e operacionalizar a mobilidade animal entre terrenos. Foi nesse vazio que nasceu a ANIMOB.
Hoje, a empresa atua como elo de ligação entre quem possui terra e precisa de a gerir e quem possui animais e precisa de os alimentar. Ao fazê-lo, transforma o pastoreio num verdadeiro serviço profissional de gestão do território, inspirado nos padrões naturais das manadas selvagens, baseados em movimento constante, pressão controlada e fertilização natural. Os animais limpam, fertilizam e regeneram.
Muito mais do que controlo de vegetação
Embora o controlo de vegetação seja muitas vezes o ponto de entrada, o valor da ANIMOB vai significativamente além disso, variando consoante o tipo de cliente e o território intervencionado. Nos parques solares, o pastoreio planeado permite não só um controlo eficaz da vegetação, mas também a promoção ativa da biodiversidade, a melhoria da estrutura do solo e a redução de riscos operacionais. Ao substituir cortes mecânicos frequentes por gestão contínua, reduz-se o risco de incêndio, de danos em infraestruturas e de emissões associadas, ao mesmo tempo que se geram dados e relatórios ambientais essenciais para obrigações ESG e licenciamento (…).
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