No âmbito do XVIII Seminário “Agricultura no Baixo Mondego”, promovido pela Cooperativa Agrícola do Concelho de Montemor-o-Velho, a ADP Fertilizantes – Grupo Fertiberia – participou no debate sobre “Inovação e fertilização – vantagens para o setor”, destacando o papel das novas tecnologias na melhoria da eficiência produtiva das culturas.

SOLUÇÕES DA ADP FERTILIZANTES
A intervenção esteve a cargo de Paula Rodrigues, dos Serviços Agronómicos do Grupo Fertiberia, que enquadrou os principais desafios que atualmente se colocam à agricultura europeia e nacional, desde as exigências regulamentares até à pressão ambiental e ao aumento dos custos de produção. “Hoje viemos falar de inovação na fertilização, apresentando tecnologias ao serviço da produtividade”, começa por referir a responsável, sublinhando que o setor enfrenta um contexto cada vez mais exigente, marcado por metas europeias ambiciosas para os próximos anos. Ao mesmo tempo, existem outros fatores que pressionam os produtores.
Paula Rodrigues, dos Serviços Agronómicos do Grupo Fertiberia, durante a sua intervenção “Temos matérias ativas que saem do mercado sem substituição. Temos o aumento dos custos de produção, incluindo fertilizantes e fitofármacos. Sem esses fatores de produção não é possível produzir”, salienta. A estas dificuldades soma-se a crescente exigência ambiental. “Temos toda a pressão ambiental que estamos a sentir na região e, portanto, cada vez é preciso produzir mais com menos”, reforça Paula Rodrigues. Neste cenário, a inovação assume um papel fundamental para manter a competitividade do setor agrícola. “Acreditamos que a inovação na fertilização é uma ferramenta essencial para aumentar, ou pelo menos preservar, a competitividade existente”, refere.

MELHOR GESTÃO NUTRICIONAL NO BAIXO MONDEGO
Durante a intervenção, a responsável destaca a importância estratégica da região do Baixo Mondego para a produção agrícola nacional. “O Baixo Mondego é uma região estratégica para o país, onde temos uma produção intensa de milho, arroz, e culturas de valor acrescentado como a batata e outras hortícolas”, afirma.
Apesar da fertilidade natural dos solos, a gestão da fertilização continua a ser determinante. “Os solos são férteis, mas requerem uma gestão cuidada da fertilização e da nutrição das culturas”, explica.
Segundo Paula Rodrigues, pequenas melhorias podem traduzir-se em ganhos relevantes. “Temos que pensar que peque- nas melhorias na eficiência nutricional poderão representar grandes ganhos na produtividade”, acrescenta.
Da fertilização à nutrição das plantas
A evolução das práticas agrícolas foi outro dos pontos sublinhados. “Hoje em dia damos prioridade à melhoria da eficiência dos nutrientes, à redução das perdas, ao maior aproveitamento da fertilidade natural do solo e ao reforço das respostas das plantas a stresses abióticos e bióticos”, explica. Assim, o objetivo deixou de ser apenas aumentar a quantidade de fertilizantes aplicados. “Não é aplicar mais fertilizantes que temos que pensar. Temos que pensar no melhor aproveitamento do que se aplica”, afirma.
De acordo com a especialista, o próprio conceito de fertilização também evoluiu: “Hoje, a gestão da nutrição vegetal implica, além do fornecimento de nutrientes, a estimulação de processos metabólicos da planta e a ativação dos seus mecanismos de defesa e resiliência”.
Nesse sentido, novos conceitos ganharam espaço no setor. “Hoje falamos em biofertilização e em bioestimulação e não tanto em fertilização propriamente dita”, acrescenta.
TECNOLOGIAS PARA MELHORAR A EFICIÊNCIA
Para responder a estes desafios, a ADP Fertilizantes tem apostado no desenvolvimento de novas soluções tecnológicas.
“Dispomos da marca Fertiberia Tech, que reúne os produtos mais avançados da empresa, incluindo soluções sólidas, líquidas e biotecnológicas que permitem melhorar a produtividade aplicando o mesmo ou até menos”, explica.
Entre as soluções destacadas está a linha Nergetic Complete, destinada à fertilização sólida e que integra tecnologias como o C-PRO. “Esta tecnologia consiste num polímero regulador de origem vegetal que reveste os grânulos de adubo. Em contacto com a humidade transforma-se num gel que protege os nutrientes de serem lixiviados rapidamente”, explica. Dessa forma, os nutrientes são libertados de forma gradual, tornando a fertilização mais duradoura. Além disso, esta tecnologia possui certificação como bioestimulante. “Com C-PRO conseguimos mais produção por cada quilo de adubo aplicado”, refere Paula Rodrigues.
Outra inovação apresentada foi a tecnologia NSAFE, baseada em microrganismos que protegem o azoto do fertilizante. “Atualmente estamos a substituir o inibidor químico por um inibidor biológico, tecnologia a que denominamos NSAFE”, explica. NSAFE atua através de uma via de redução do azoto totalmente única e distinta dos inibidores sintéticos. NSAFE assimila o azoto nítrico, converte-o em proteína, e liberta-o em forma amoniacal, após rápida mineralização. Os ensaios realizados revelam benefícios ambientais e agronómicos. NSAFE protege o azoto de ser lixiviado, independentemente do tipo de solo e do tipo de fertilizante. NSAFE protege o azoto de ser volatilizado. “Num ensaio em milho observou-se uma redução de 12% da emissão de gases nitrosos para a atmosfera”, refere. Em termos produtivos, os resultados também são positivos. “Nas culturas extensivas, como o milho e arroz, conseguem-se aumentos de colheita superiores a 7%”, afirma.
Na intervenção foram apresentadas as formulações Nergetic Complete existentes em catálogo e destacada a formulação desenvolvida especificamente para as necessidades da região do Mondego.
A ADP FERTLIZANTES apresentou também soluções biotecnológicas da linha Neoforce, com destaque nas tecnologias AntiOX e Care:
– A tecnologia AntiOX combina compostos antioxidantes e bioestimulantes que ajudam as plantas a superar condições abióticas adversas, através do fortalecimento das suas defesas naturais. Entre as formulações disponíveis, Paula Rodrigues destaca o Neoforce Promoter AntiOX, para promover o desenvolvimento vegetativo, e o Neoforce Brix AntiOX, direcionado para a fase final da cultura, melhorando o peso e qualidade dos grãos.
– Já a tecnologia Neoforce Care baseia-se em processos fermentativos com microrganismos, funcionando como um escudo de proteção ativo das plantas e do microbioma do solo, equilibrando o ecossistema agrícola: planta-solo-ambiente. Entre os produtos desta linha destaca-se o Neoforce N Fixer, composto por microrganismos fixadores de azoto que atuam de forma simbiótica e livre, favorecendo a biodisponibilidade e assimilação de nutrientes pela planta. Também foi nomeado o Neoforce Defender, elicitor com ação biofungicida, útil na redução de problemas como a piricularia no arroz.
Os resultados dos ensaios realizados são promissores
“Em 2023, quando se experimentou Neoforce N Fixer, em milho no Baixo Mondego obtivemos um aumento de produção de uma tonelada por hectare, valor que paga o investimento do biofertilizante, e gera retorno no rendimento”, revela Paula Rodrigues. As diferenças também são visíveis a nível vegetativo. “Consegue-se ver que as folhas são maiores, mantem-se mais verdes ao longo do ciclo e que as maçarocas têm melhor qualidade”. Estas melhorias refletem-se tanto na produção de grão como na produção de matéria verde de qualidade, importante para silagem.
“Estamos convictos de que estas tecnologias vão ajudar os agricultores a produzir com mais eficiência”, conclui Paula Rodrigues, referindo ainda que o Grupo Fertiberia está também a desenvolver fertilizantes de baixa pegada de carbono, integrados na linha Impacto Zero.
→ Leia este e outros artigos completo na Revista Voz do Campo, edição de abril 2026.
VEJA O VÍDEO
VOZDOCAMPO CANAL

