Morango, mirtilo, framboesa e amora ocupam hoje um lugar de destaque na agricultura portuguesa, refletindo uma fileira dinâmica, tecnicamente avançada e fortemente orientada para mercados exigentes.
Portugal tem vindo a afirmar-se, em particular, na produção de morango — o pequeno fruto mais consumido no país — e de mirtilo, cuja área tem crescido de forma consistente, com forte vocação exportadora.
Apesar do seu elevado valor comercial, os pequenos frutos caracterizam-se por uma elevada perecibilidade, resultante da sua intensa atividade metabólica, da pele fina e da elevada sensibilidade a danos mecânicos e ao desenvolvimento de fungos. Esta realidade torna a gestão da qualidade e da vida útil um dos principais desafios técnicos e económicos ao longo de toda a cadeia, do campo ao consumidor. A revisão científica publicada por Gonçalves et al. (2025)* evidência que a qualidade final destes frutos não se decide apenas após a colheita. Pelo contrário, resulta da interação entre decisões agronómicas, práticas de colheita, manuseamento, tecnologias de conservação e opções de valorização dos frutos que não seguem para o mercado em fresco.
ANTES DA COLHEITA, COMEÇA A QUALIDADE
A base da conservação constrói-se no campo. A escolha da variedade é determinante, influenciando a firmeza, resistência ao transporte e a suscetibilidade a podridões. No morango, atributos como a dureza, a cor e a uniformidade do fruto são decisivos para a aceitação comercial, enquanto no mirtilo a integridade da epiderme e da película cerosa está diretamente associada à vida útil.
As framboesas e as amoras, embora com menor expressão em volume, apresentam elevado valor comercial, mas exigem cuidados agronómicos e logísticos acrescidos devido à sua fragilidade extrema.
A gestão equilibrada da rega e da fertilização desempenha igualmente um papel central. Excesso de água próximo da colheita pode originar frutos maiores, mas mais moles e vulneráveis a danos e infeções. Uma nutrição adequada, em particular em cálcio, contribui para paredes celulares mais resistentes e para maior tolerância ao manuseamento.
PONTOS-CHAVE para o produtor (pré-colheita):
– Escolher variedades adaptadas ao mercado e à logística
– Evitar excessos de rega perto da colheita
– Promover plantas equilibradas e sem stress excessivo
COLHEITA E MANUSEAMENTO: MOMENTOS DECISIVOS
A colheita no estado de maturação correta é um dos fatores mais críticos que garantem a qualidade e a vida útil dos frutos. Os frutos colhidos demasiado maduros deterioram-se rapidamente; e as colheitas precoces comprometem o sabor e a aceitação por parte do consumidor.
O manuseamento cuidadoso é essencial, pois pequenos impactos ou compressões aceleram o aparecimento de podridões, sobretudo associadas a fungos como Botrytis. O intervalo entre a colheita e o arrefecimento deve ser o mais curto possível, tornando a gestão da colheita e da logística imediata um fator crítico de sucesso (…).
→ Leia o artigo completo publicado na edição de fevereiro de 2026 da Revista Voz do Campo.
Elsa M. Gonçalves1,2, Rui Ganhão3, Joaquina Pinheiro3 1 UEISTSA – Unidade Estratégica de Investigação e Serviços de Tecnologia e Segurança Alimentar, Instituto Nacional de Investigação Veterinária e Agrária, Av. da República, Quinta do Marquês, 2780-157 Oeiras, Portugal. 2GeoBioTec – GeoBioTec Research Institute, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa, Campus da Caparica, 2829-516 Caparica, Portugal. 3MARE – Marine and Environmental Sciences Centre/ARNET – Aquatic Research Network, School of Tourism and Maritime Technology, Polytechnic Institute of Leiria, 2520-614 Peniche, Portugal.
*Nota
Gonçalves, E. M., Ganhão, R., & Pinheiro, J. (2026). Pre- and Postharvest Determinants, Technological Innovations and By-Product Valorization in Berry Crops: A Comprehensive and Critical Review. Horticulturae, 12(1), 19. https://doi.org/10.3390/horticulturae12010019
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