No âmbito do XXXII Concurso Nacional de Jovens Reprodutores da Raça Limousine, integrado na FIAPE em Estremoz, o criador e médico veterinário Nuno Prates foi um dos protagonistas do evento, levando a concurso animais da sua exploração JP Limousine, um projeto familiar com raízes em Évora que já vai na terceira geração.

“Ganhámos alguns prémios. Normalmente costumamos participar, já há muitos anos (…). Dá trabalho, mas é gratificante”, refere Nuno Prates com orgulho. O Concurso, destinado a reprodutores com até 20 meses, é o culminar de meses de dedicação e preparação intensa. “Tem de se amansar os animais, tem de se meter animais a arrietar para poderem vir a ringue sem haver problemas nenhuns”, explica. O processo começa cedo, logo após o desmame: “Desde que são mais pequeninos, a dar-lhes mimos, a mexê-los, a pôr-lhes um arganel (…) é um trabalho diário que leva vários meses.”

“É um trabalho diário que leva vários meses”

Sobre os critérios de avaliação, o criador sublinha a importância da morfologia e da funcionalidade: “A espessura do lombo, a abertura dos trocânteres (…) são pontos principais porque, ao fim e ao cabo, somos produtores de carne”. Ainda que o foco esteja na reprodução, a aptidão carne dos animais mantém-se central: “Vendemos reprodutores, mas esses animais são usados para produzir carne. Temos de dar ênfase às zonas nobres”.

A ligação entre a criação de bovinos e a sua prática veterinária permite-lhe uma visão integrada e profunda das necessidades do setor.

“Vivo na pele os problemas que têm os meus próprios clientes enquanto veterinário. Por isso estamos muito por dentro do assunto”.

Apesar da qualidade genética e sanitária da produção nacional, Nuno Prates é realista sobre a autossuficiência: “Portugal ainda não é autossuficiente e não vai ser tão depressa. Exportamos bastante do que produzimos cá”. O criador aponta para a necessidade de retenção de valor na cadeia de produção: “Temos vindo a debater isso. Em vez de enviar animais vivos, enviar carne. Ficava cá a riqueza toda que a gente está a criar”, defende.

Um setor alinhado com os mais altos padrões europeus

No plano sanitário, Nuno Prates destaca os elevados padrões nacionais: “Temos de fazer análises a todos os animais que entram aqui, não só às doenças obrigatórias como a brucelose e tuberculose, mas também à besnoitiose, paratuberculose, IBR e BVD”. Sublinha ainda que “acompanhamos os mais altos standards a nível europeu”.

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Veja a entrevista a Nuno Prates, no decorrer do 32º Concurso Nacional de Jovens Reprodutores da Raça Limousine:

 

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