É um facto reconhecido que o desenvolvimento das alterações climáticas está a produzir importantes mudanças ambientais que têm impacto na agricultura em muitas regiões do mundo.

Assim, nos países do sul da Europa, podemos observar anos com temperaturas muito elevadas e falta de precipitação, e outros anos – como o atual – com uma grande quantidade de precipitação, muita dela de grande magnitude. Esta realidade está associada à presença acentuada de stresses abióticos para as plantas cultivadas, tais como, em alguns casos, a seca, as temperaturas elevadas, a elevada salinidade da água de rega e dos solos; e, noutros casos, a asfixia radicular devido ao excesso de água na rizosfera ou a deficiência de nutrientes devido à elevada lixiviação dos nutrientes fornecidos pelos fertilizantes. Além disso, todos estes fenómenos são acompanhados de danos ambientais associados à poluição da água e do solo.

Neste contexto, tem havido recentemente um interesse renovado na utilização de bioestimulantes que podem aliviar os efeitos negativos de todos estes stresses (Figura 1).

Tipos de bioestimulantes

Existem diferentes tipos de bioestimulantes que têm sido propostos como agentes anti-stress para a produção agrícola (Figura 2). Entre eles, destacam-se os seguintes:

Substâncias húmicas;
Extratos de algas marinhas;
Aminoácidos e proteínas.

Recentemente, tem-se verificado também um interesse crescente na utilização de microrganismos e exsudados provenientes do cultivo destes microrganismos, que se enquadram na categoria de biofertilizantes.

Neste artigo, centrar-nos-emos nos produtos bioestimulantes à base de substâncias húmicas.

Benefícios derivados da utilização de substâncias húmicas

As substâncias húmicas, principalmente os ácidos húmicos e fúlvicos, são uma família de compostos extraídos da matéria orgânica humificada, do húmus do solo e também da matéria carbonosa não humificada, através de tratamentos oxidativos controlados, como os tratamentos hidrotérmicos. Estes últimos são denominados ácidos húmicos ou ácidos fúlvicos artificiais. São extraídos por meio de soluções alcalinas, geralmente hidróxido de potássio ou hidróxido de sódio, e podem ser divididos em ácidos húmicos, que se obtêm por precipitação em meio ácido, e ácidos fúlvicos, que são solúveis em meios ácidos e básicos. Nos produtos comerciais, o fracionamento não é normalmente efetuado e o produto contém o extrato alcalino, incluindo os ácidos húmicos e fúlvicos, e outros constituintes que também se encontram na matéria orgânica, como proteínas, ácidos orgânicos simples, lípidos e açúcares. Em relação à sua utilização agrícola, os materiais orgânicos mais utilizados para a extração de substâncias húmicas são a leonardite, a turfa, a lenhite e diferentes tipos de composto.

Muitos estudos demonstraram que estas substâncias são capazes de estimular a nutrição mineral e o crescimento das plantas, especialmente em condições de stress (1,2,3).

Distinguem-se geralmente dois tipos de efeitos das substâncias húmicas: efeitos indiretos e efeitos diretos (1). Os efeitos indiretos resultam da ação das substâncias húmicas no solo, melhorando a concentração de nutrientes assimiláveis pelas plantas, a porosidade e a permeabilidade da água, bem como a ação do microbioma, entre outros. Os efeitos diretos decorrem da interação das substâncias húmicas com alguma parte da planta, por exemplo, a raiz (em aplicações localizadas) ou a superfície foliar. Esta ação, mediada por ação hormonal (principalmente citocininas, auxinas e ácido abscísico) e outras moléculas sinalizadoras (ROS), influencia diretamente a regulação bioquímica e molecular da resposta da planta ao stress (…).

→ Leia este e outros artigos completos, na Revista Voz do Campo  edição de junho 2025, disponível no formato impresso e digital.

Autoria: José Mª García-Mina, Catedrático de Química Agrícola, Departamento de Biología Ambiental.
Instituto Bioma.
Universidade de Navarra
Conselheiro científico do Grupo Roullier

Bibliografia

https://qr.me.qr.com/pt/text/gaelDfms


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