O solo é a base da vida na Terra, desempenhando múltiplas funções essenciais. Solos saudáveis produzem alimentos, armazenam carbono, regulam o ciclo da água ao filtrar e armazenar água potável e previnem cheias. Adicionalmente, são guardiões da biodiversidade e sustentam os ecossistemas terrestres, as paisagens e o património cultural.

No entanto, este recurso vital encontra-se ameaçado um pouco por toda a Europa, em particular na região mediterrânica, sendo estimado que mais de 60% dos solos europeus estejam degradados. A saúde do solo é avaliada com base num conjunto de indicadores, sendo que vários estudos evidenciam a presença de carbono orgânico no solo como um indicador-chave do seu estado, ou seja, da capacidade atual do solo para desempenhar as suas funções.
Missão “Um pacto para os solos da Europa”
Os solos enfrentam ameaças crescentes relacionadas com erosão, contaminação, compactação e perda de matéria orgânica e biodiversidade. Reconhecendo a urgência de restaurar e preservar a saúde dos solos, a Comissão Europeia lançou a Missão “Um pacto para os solos da Europa”, com o objetivo de criar 100 laboratórios vivos para testar e demonstrar práticas para promover solos saudáveis em condições reais.
O LILAS4SOILS, iniciado em setembro de 2024, é um dos primeiros projetos no âmbito desta Missão, que estabelecerá cinco laboratórios vivos em seis países mediterrânicos – Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia e Israel – com foco na implementação de práticas de agricultura de carbono, ou seja, práticas que aumentam o teor de carbono no solo e nas plantas, permitindo a redução das emissões de gases com efeito de estufa.

Estas práticas contribuem tanto para a mitigação das alterações climáticas como para a adaptação dos sistemas agrícolas a estas novas condições.
Cinco áreas de atuação em agricultura de carbono.
O projeto foca cinco grandes grupos de práticas de agricultura de carbono:
– Gestão de turfeiras (ex. evitar a degradação de turfeiras e zonas húmidas);
– Agro-floresta (ex. aumentar a área de sistemas silvo-pastoris e de vegetação lenhosa nas explorações agrícolas);
– Gestão de nutrientes no solo (ex. planeamento e distribuição mais eficiente da fertilização);
– Produção animal (ex. gestão de pastoreio e do estrume);
– Conservação e aumento do carbono orgânico do solo (ex. manter a cobertura do solo e minimizar a mobilização do solo).
Laboratórios Vivos: Da ciência à prática
Os laboratórios vivos do LILAS4SOILS funcionam como agregadores de locais de demonstração em condições reais, utilizando as próprias explorações agrícolas dos agricultores envolvidos no projeto. Estes laboratórios colocam o agricultor no centro do processo de mudança, promovendo a colaboração entre agricultores, investigadores, decisores políticos, indústria e sociedade civil. Juntos, estes atores desenvolvem, testam e aperfeiçoam práticas de agricultura de carbono com base na evidência científica.
Figura 3. Visitas a potenciais sítios de demonstração localizados na Beira Baixa
IBERSOILL: Um laboratório vivo transfronteiriço
Um dos laboratórios vivos que integra o projeto é o IBERSOILL, co-liderado pelo F4S (Portugal) e pelo ITACyL (Espanha), centrado nos agroecossistemas de sequeiro da zona raiana entre Espanha e Portugal. O IBERSOILL tem promovido eventos de co-criação em que os diferentes stakeholders discutem as diferentes práticas agrícolas a implementar ao longo do projeto.
O lançamento da rede formada pelo IBERSOILL decorreu no passado dia 25 de fevereiro de 2025, em Ciudad Rodrigo (Espanha), num evento que reuniu mais de 50 participantes, que discutiram ativamente o futuro da rede, promovendo a partilha de experiências e desafios em toda a cadeia de valor. Monte Silveira Bio e Real Idanha, envolvidas no projeto.
Explorações nacionais, como o Monte Silveira Bio e Real Idanha, estão envolvidas desde a génese do projeto, estando o número de stakeholders a crescer – desde agricultores, academia, industria, autoridades regionais e nacionais, consumidores – com visitas em curso a novas explorações que pretendam integrar a rede (…).
→ Leia este e outros artigos completos, na Revista Voz do Campo – edição de agosto/setembro 2025, disponível no formato impresso e digital.
Autoria: David Santos (Food4Sustainability), Margarida Palma (Food4Sustainability), Silvia Moreira (Food4Sustainability), Ana Marta Paz (INIAV), Olga Moreira (INIAV), Nádia Castanheira (INIAV).
Agradecimentos : O consórcio reconhece o financiamento europeu através do programa Horizonte Europa (bolsa número 101157414).



