Autoria: Ramiro Valentim¹, Liliana Santos², e Hélder Quintas¹
¹Centro de Investigação de Montanha (CIMO), Campus de Santa Apolónia, 5300-253 Bragança, Portugal
²Escola Superior Agrária de Bragança, Campus de Santa Apolónia, 5300-253 Bragança, Portugal

Os pequenos ruminantes foram domesticados há 11.000-10.000 anos e, desde então, os seus genomas têm sido moldados por diferentes fatores de pressão evolutiva, nomeadamente, ambientais e antropogénicos.

1. INTRODUÇÃO

Nas espécies domesticadas, a diversidade genética reflete-se nas raças, pelo que a sua conservação contribui para a manutenção desta diversidade. Estas são recursos genéticos previsíveis que permitem a adaptação dos animais a diferentes ambientes e objetivos de produção. Na verdade, algumas delas sofreram adaptações genéticas que as tornaram únicas e capazes de enfrentar desafios ambientais específicos. Atualmente, muitas raças autóctones estão ameaçadas de extinção.

Importância dos recursos genéticos animais

A conservação e a gestão dos recursos genéticos implicam a perceção de diferentes vertentes – políticas, culturais, sociais e ambientais. Elas estão associadas à preservação do património genético atual, tendo em vista possíveis necessidades futuras, à identidade cultural das populações, que contribui fortemente para a sua permanência no meio rural, e à gestão ambiental do território, designadamente na prevenção de fogos florestais (Figura 1).

Figura 1. As raças autóctones de pequenos ruminantes desempenham um papel estratégico na sustentabilidade dos sistemasagropecuários, combinando valor genético, adaptação ao meio e contributos para a gestão do território. A sua utilizaçãofavorece a conservação da biodiversidade, a manutenção da atividade económica em zonas rurais e a redução da carga combustível através do pastoreio, contribuindo para a prevenção de incêndios florestais

Desafios atuais da produção animal

Atualmente, a produção animal enfrenta grandes desafios causados por diferentes agentes que condicionam os mercados – globalização, desenvolvimento económico, mudanças demográficas, variações globais e regionais na procura de produtos de origem animal, alterações climáticas, relação entre a produção animal e o meio ambiente, ciência e inovação tecnológica.

2. CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE

A domesticação dos animais resultou num aumento do número e da diversidade de raças. Porém, nos últimos 75 anos, esta tendência inverteu-se drasticamente, com a substituição generalizada de raças autóctones por raças exóticas. Esta substituição seria lógica se os animais exóticos mantivessem o seu elevado potencial produtivo. Contudo, o seu rendimento decresce acentuadamente fora de ambientes estritamente controlados. A estes animais falta a adaptação ao meio, o que os impede de continuar tão produtivos (…).

→ Leia este e outros artigos completos na Revista Voz do Campo, edição de julho 2026.