Fileira quer aumentar a produtividade, reforçar a investigação aplicada e apostar na sustentabilidade para consolidar o crescimento alcançado nos últimos anos. Os desafios e as oportunidades do setor estiveram em destaque no V Congresso Nacional dos Frutos Secos, promovido pela Portugal Nuts, em Évora.

Há menos de seis anos, um grupo de empresas produtoras de frutos secos decidiu unir esforços e criar a Associação Promoção Frutos Secos (APFS), hoje conhecida como Portugal Nuts. A ambição era notória: contribuir para que Portugal fosse reconhecido como um dos melhores produtores mundiais de frutos secos, valorizando a origem nacional e reforçando a competitividade da produção portuguesa. A verdade é que o setor já percorreu um longo caminho. Há pouco mais de uma década, os frutos secos tinham uma expressão reduzida na agricultura nacional. Hoje, a amêndoa e a noz assumem um papel de destaque entre as culturas permanentes com maior potencial de criação de valor e exportação. A transformação começou com o desenvolvimento do regadio de Alqueva, que permitiu a instalação de pomares modernos e tecnologicamente avançados, mas rapidamente se estendeu a outras regiões do país.

“A Competitividade dos Frutos Secos”

Os números ajudam a explicar esta evolução. Segundo os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), as exportações de frutos secos, em particular de amêndoa e noz, ultrapassaram os 155 milhões de euros. Um crescimento que confirma a relevância crescente da fileira na economia agrícola portuguesa.

Foi neste contexto que a Portugal Nuts promoveu, em Évora, o V Congresso Nacional dos Frutos Secos, subordinado ao tema “A Competitividade dos Frutos Secos”. O encontro juntou produtores, técnicos, investigadores, empresas e especialistas nacionais e internacionais para debater os desafios que o setor enfrenta num contexto marcado pela instabilidade geopolítica, pela pressão sobre os custos de produção, pelas alterações climáticas e pelas exigências crescentes dos mercados.

UM SETOR ESTRATÉGICO QUE PROCURA TRANSFORMAR DESAFIOS EM OPORTUNIDADES

Para Tiago Costa, presidente da Portugal Nuts, o Congresso representa um momento privilegiado de encontro para toda a fileira, particularmente numa conjuntura marcada pela incerteza. “O Congresso da Portugal Nuts é sempre um momento importante no ano, evidentemente porque congrega todas as pessoas da fileira e porque nos permite trocar experiências, falar dos problemas da atualidade e também encarar o futuro”, afirma o presidente em entrevista à Voz do Campo.

Tiago Costa, presidente da Portugal Nuts

O presidente da Portugal Nuts considera que o atual contexto, marcado pela volatilidade dos mercados, pela pressão sobre os custos de produção e pelo aumento das exigências regulatórias, torna ainda mais importante o trabalho conjunto da fileira. “Estamos verdadeiramente a viver um momento em que ainda mais se justifica estarmos juntos a falar sobre os problemas e a conseguir encarar o futuro em coletivo”, partilha.

Na sua perspetiva, a resposta passa por reforçar a cooperação entre produtores, associações, universidades e entidades de investigação, procurando soluções adaptadas à realidade portuguesa e capazes de responder aos desafios da produção. “A Portugal Nuts procura, efetivamente, congregar todos estes esforços para apoiar os agricultores, encarar o futuro e sermos cada vez mais competitivos num mercado que é global”, sublinha (…).

→ Leia este e outros artigos completos na Revista Voz do Campo, edição de julho 2026.