A Deifil Technology organizou durante a Agro 2025 o Seminário “Agricultura Sustentável: preservar a biodiversidade, garantir o futuro”, com o objetivo de refletir sobre soluções práticas e inovadoras para enfrentar os desafios da agricultura num contexto de alterações climáticas e perda de biodiversidade.

Em entrevista à Voz do Campo, Andreia Afonso, CEO da Deifil, falou sobre os objetivos do Seminário, explicando que a iniciativa visou “dar a conhecer iniciativas que estamos a desenvolver, não só na Deifil, mas também em parceria com universidades, institutos politécnicos e laboratórios colaborativos, para que se compreenda o contributo destas entidades para a sustentabilidade na agricultura”. A CEO destaca a importância de envolver os agricultores neste debate, para que possam conhecer os projetos em desenvolvimento e as soluções já disponíveis no mercado: “É essencial que os agricultores percebam as iniciativas focadas em investigação e desenvolvimento que estão em curso, para que possam tirar partido delas e, assim, garantir o seu futuro”. Andreia Afonso sublinha também o papel fundamental da Deifil na conservação das espécies autóctones portuguesas, como por exemplo o olival. “Sabemos que muitas dessas variedades estão a desaparecer e, se nada fizermos, perderemos a nossa autenticidade a nível nacional”, argumenta. Referiu ainda que, graças às parcerias com instituições como o INIAV, CCDRs, IPB e MORE Colab, é possível adotar uma abordagem multidisciplinar, integrando áreas como biotecnologia vegetal, biologia molecular, genética e agronomia.

“Hoje em dia, não basta criar uma planta (…) é preciso compreender todo o ecossistema envolvido na produção. Nós não produzimos apenas plantas, produzimos ecossistemas”, reforça Andreia Afonso.

A CEO enfatiza ainda que, embora a Deifil seja uma empresa privada, a empresa aposta em nichos de mercado com forte ligação ao território e à conservação, destacando o papel da empresa na preservação do germoplasma nacional, como no caso do banco de castanheiros in vitro: “Temos plantas-mãe no nosso banco que, infelizmente, já morreram no terreno (…). Conseguimos conservar essa genética em laboratório, o que de outra forma não seria possível”.

Do Mar para a Terra: vasos biodegradáveis feitos de algas como solução sustentável para a agricultura

Irene Ferreira (STREAM) e Tiago Carreira (MOLDES RP) apresentaram um projeto inovador que visa substituir os vasos plásticos por alternativas biodegradáveis feitas a partir de algas e resíduos naturais, como conchas de bivalves. “O desafio é encontrar uma solução para a agricultura que ajude a reduzir o uso de plásticos”, explica Irene Ferreira, ressaltando a importância de integrar a indústria dos plásticos com o setor agrícola. Tiago Carreira reforça também: “Queremos aproveitar os recursos naturais e resíduos para transformar o ‘lixo’ em valor. Estamos convictos de que o nosso trabalho trará algo inovador e relevante para a sociedade”. O projeto, com três anos de duração, conta também com a participação da Deifil, da Aromáticas Vivas e do Politécnico de Leiria.

Da tradição à inovação: como a ciência está a recuperar as variedades tradicionais da oliveira em Portugal

Susana Araújo, do MORE Colab, falou sobre o projeto MiOlive3 – Desenvolvimento de variedades de oliveira micropropagadas, micorrizadas e microenxertadas, promovido pela Deifil em parceria com o INIAV, o IPB e o MORE Colab. “O nosso objetivo é recuperar variedades tradicionais e disponibilizá-las no mercado para que possam ser utilizadas de forma sustentável pela fileira da olivicultura”, explica Susana Araújo. O projeto visa trazer de volta ao mercado variedades tradicionais com valor comercial e também desenvolver bioestimulantes a partir de microrganismos do solo e do olival. O projeto teve início em outubro de 2024.

Micorrização e Stress Priming: duas ferramentas para a proteção do castanheiro face aos desafios climáticos

Coube a Fernanda Fidalgo e Cristiano Soares, da GreenUPorto/ FCUP, abordar a Micorrização e Stress Priming para a proteção do castanheiro face aos desafios climáticos. Fernanda Fidalgo destaca que “a micorrização é uma estratégia que pode ser utilizada para aumentar a resiliência das plantas, em particular do castanheiro, aos desafios climáticos”. De acordo com a investigadora, já existem resultados concretos que demonstram os benefícios da micorrização na mitigação dos efeitos da secura e das elevadas temperaturas, permitindo que as plantas se tornem mais resistentes às adversidades climáticas.

Fernanda Fidalgo mencionou também que, embora o stress priming esteja ainda nos “primeiros passos” da pesquisa, os resultados preliminares já indicam que essa técnica poderá ser muito benéfica na mitigação dos efeitos das alterações climáticas no castanheiro. Ao ativar mecanismos de defesa nas plantas, o stress priming pode prepará-las melhor para resistir a stresses mais intensos, aumentando a sua capacidade de adaptação. Uma das características fundamentais deste projeto é a colaboração com parceiros estratégicos, como a Deifil e diz Fernanda Fidalgo: “é absolutamente essencial” para o sucesso do projeto, pois é a responsável por fornecer as plantas jovens utilizadas na investigação”. Já Cristiano Soares acrescenta: “O facto de termos um parceiro industrial, em biotecnologia como a Deifil, ajuda também a que os resultados cheguem ao mercado de uma forma muito mais célere e muito mais direta (…). A interação que eles têm com produtores, associações, facilita muito que aquilo que nós estudamos num laboratório depois se concretize, em ações reais”.

De referir que, a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e o Instituto Politécnico de Bragança também fazem parte do consórcio.

Ingredientes do Futuro: Desenvolvimento de alimentos a partir de micélio de cogumelos

Catarina Ribeiro, da Deifil, falou sobre a diversificação estratégica da empresa e apresentou um projeto focado no uso de micélio de cogumelos em matrizes alimentares com alto valor nutricional. “A Deifil aposta na sustentabilidade e na exploração das propriedades nutricionais e organoléticas dos cogumelos. Queremos transformá-los em novos ingredientes alimentares, aproveitando a nossa micoteca única. Estamos a expandir a nossa atuação para além da produção de plantas in vitro e produtos micorrizicos”, afirma Catarina Ribeiro.

→ Leia este e outros artigos completos na Revista Voz do Campo  edição de maio 2025, disponível no formato impresso e digital.

Assista aqui à vídeo-reportagem:

 

(Re)Veja alguns momentos da 57.ª AGRO:

Conteúdo relacionado:

Myco2Feed: Inovação e sustentabilidade na criação de micélio comestível e de alimentos funcionais à base de micélio


SUBSCREVA E RECEBA TODOS OS MESES A REVISTA VOZ DO CAMPO

→ SEJA ASSINANTE (clique aqui)

 

EDIÇÕES MAIS RECENTES:


Caso pretenda adquirir ou aceder integralmente a alguma edição em especial, envie-nos o seu pedido por e-mail: assinaturas@vozdocampo.pt

Periodicidade: 11 edições anuais na versão em papel ou digital

→ ASSINE AQUI A REVISTA VOZ DO CAMPO