Num contexto de exigências ambientais, sociais e económicas cada vez maiores, a Olivum – Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal – lidera uma profunda transformação do setor olivícola nacional.
Com mais de 53.000 hectares de olival e 20 lagares que são responsáveis por extrair cerca de 70% do azeite produzido em Portugal, a Olivum não apenas defende os interesses do setor, como também atua como motor de inovação, sustentabilidade e excelência internacional. Portugal registou um crescimento de 320% na sua produção de azeite entre 2000 e 2022, passando de 24.600 para mais de 206.000 toneladas. Este aumento foi acompanhado por uma melhoria notável na qualidade: 98% do azeite português é virgem ou virgem extra, a percentagem mais elevada entre os principais países produtores. Esta qualidade superior deve-se à rápida modernização do olival – modelo em sebe, especialmente no Alentejo – ao uso de tecnologia de rega eficiente e à mecanização generalizada. Portugal já é o sexto maior produtor mundial, e prevê-se que em duas campanhas se posicione entre os três primeiros. Esta projeção é sustentada pelo maior parque industrial moderno de lagares do mundo, com capacidades de moagem líderes em eficiência e volume. Neste contexto, os olivais modernos e mecanizados de Portugal são considerados entre os mais avançados do mundo.
O crescimento do setor não se limita à produção, mas incorpora um forte compromisso com a sustentabilidade.
O Programa de Sustentabilidade do Azeite (PSA), promovido pela Olivum em parceria com a Universidade de Évora, tornou-se uma referência técnica e estratégica.
Trata-se de um quadro de avaliação rigoroso e pioneiro que reúne 98 critérios organizados em 20 áreas de intervenção chave, entre elas: solos, água, biodiversidade, qualidade do ar, eficiência energética, património, embalamento, gestão de recursos humanos e neutralidade carbónica. Cada critério é avaliado em quatro níveis cumulativos de cumprimento, permitindo ao produtor posicionar-se, traçar planos de melhoria e aceder à certificação. Esta ferramenta, digital e replicável, não só orienta a melhoria contínua das práticas no campo e no lagar, como também posiciona o azeite português como um produto diferenciado, verificado e competitivo à escala global.
O compromisso da Olivum estende-se também à economia circular. Um exemplo relevante foi a reclassificação do caroço da azeitona de “resíduo” para “subproduto” com valor energético, permitindo a sua integração em cadeias de uso sustentável. No entanto, persistem desafios como a atual classificação do bagaço de azeitona como resíduo pela Agência Portuguesa do Ambiente, apesar de o processo de extração ser exclusivamente mecânico. Esta barreira normativa impede o aproveitamento do bagaço como fertilizante orgânico, limitando o seu potencial para o sequestro de carbono e a poupança de água. A sua reclassificação, além de lógica, é urgente para transformar um passivo ambiental num ativo agronómico.
Em matéria climática, os dados são claros. Segundo o projeto Carbon Balance do Conselho Oleícola Internacional, um hectare de olival captura 4,58 toneladas de CO2 por ano, o equivalente à pegada de carbono anual de uma pessoa. Portugal, graças ao seu modelo de produção eficiente, alcançou alguns dos melhores índices de captura líquida de carbono do mundo, confirmados também pelos estudos do projeto LIFE SUSTAINOLIVE, que destacam práticas como a cobertura vegetal, a incorporação de restos de poda, a fertilização orgânica e a integração da pecuária como ferramentas-chave para aumentar a matéria orgânica do solo e a sua capacidade de retenção hídrica. Estes estudos revelam ainda que a sustentabilidade não é exclusiva dos olivais tradicionais: muitos olivais modernos em Portugal superam os indicadores de sustentabilidade face a explorações convencionais, e fazem-no com base em evidência científica (…).
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Autoria: Gonçalo Moreira, gestor de Projetos na OLIVUM
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