O Pavilhão de Exposições do Instituto Superior de Agronomia (ISA), em Lisboa, acolheu a segunda edição da AEISA Summit 2026, um encontro que reuniu estudantes, docentes e empresas do setor agrícola e dos recursos naturais com o objetivo de aproximar o meio académico do mercado de trabalho.
Na sessão de abertura, o secretário de Estado da Agricultura, João Moura, dirigiu-se sobretudo aos estudantes, sublinhando a importância de iniciativas que promovem o contacto direto entre a academia e o mundo empresarial.
“Esta conjugação entre o ensino, a academia, a ciência, o mundo empresarial e as oportunidades que estão lá fora é de vital importância”, afirma. Segundo o governante, este tipo de eventos permite que os estudantes, sobretudo os que estão numa fase inicial da formação académica, comecem a perceber melhor as diferentes áreas de especialização dentro das ciências agrárias. “Vão ganhando algum gosto mais especial e começam a ter algumas luzes daquilo que lhes vai sendo direcionado na própria academia”, explica aos presentes.
Conhecimento cada vez mais essencial na agricultura
Durante a sua intervenção, João Moura salientou que o conhecimento científico e técnico tem hoje um papel central no desenvolvimento da agricultura. “Nunca, como hoje, foi tão importante o conhecimento e o ensino nesta área”, afirma, explicando que o setor enfrenta exigências cada vez maiores. “Os desafios são cada vez maiores, as regras são cada vez mais apertadas e os níveis de eficácia são cada vez de maior rigor”, acrescenta. Nesse contexto, defendeu que a formação superior nas áreas da agronomia, das ciências florestais e das ciências agrárias é essencial para responder aos desafios atuais do setor.
O governante alertou também para a existência de perceções negativas sobre a atividade agrícola que, segundo ele, foram sendo construídas ao longo do tempo.
Segundo João Moura, ao longo dos anos foram sendo construídas perceções erradas sobre a agricultura, muitas vezes transmitidas através de alguns manuais escolares. O governante considera que essa visão contribuiu para associar a atividade agrícola a práticas prejudiciais ao ambiente. “Foram sendo construídas narrativas que diziam que quem se dedica à agricultura são malfeitores, que consomem a água, que utilizam pesticidas ou que produzem animais que emitem gases com efeito de estufa (…), sublinha João Moura.
O secretário de Estado defende que essa visão deve ser contrariada, sublinhando o papel dos agricultores na preservação do território e dos recursos naturais. “Os agricultores foram durante anos os grandes guardiões deste património natural. São eles os grandes respeitadores da utilização dos recursos e procuram sempre formas mais eficientes de os utilizar”, reforça.
Agricultura como setor de oportunidades
Na sua intervenção, João Moura procurou também transmitir uma mensagem de confiança e ambição aos estudantes presentes, destacando o potencial do setor agrícola em Portugal.
“Estes cursos e esta área vocacional são não só para aqueles que têm um dom, mas também para aqueles que são ambiciosos”, afirma.
O governante recordou ainda que o país possui condições únicas para produzir alimentos de elevada qualidade. “Portugal tem um conjunto de condições extraordinárias para produzir daquilo que há melhor no mundo”, disse, apontando exemplos como vinho, azeite, carne, queijo ou mel.
“Os turistas que nos visitam adoram a nossa gastronomia. E quem é que produz isso? Qual é a matéria-prima? Somos nós, são vocês, são os agricultores. E como é que o fazemos? (…) com o melhor conhecimento científico”, sublinha.
Um apelo ao empreendedorismo e à criação de valor
João Moura incentivou os estudantes a olharem para a agricultura também como uma área de negócio e inovação, defendendo uma maior ambição no setor agroalimentar português.
“Temos que ser um bocadinho mais ambiciosos”, afirma, acrescentando que Portugal deve apostar mais na transformação e valorização dos produtos agrícolas. Para ilustrar essa ideia, referiu o exemplo dos Países Baixos, um dos países mais fortes do agronegócio europeu. “Eles são fortíssimos na transformação dos produtos e na revenda que fazem”, explica.
Dirigindo-se diretamente aos estudantes, deixou um desafio claro: “Espero e desejo ter jovens empreendedores dinâmicos, com capacidade, a olhar com visão para o negócio e a gerar riqueza”.
Na parte final da intervenção, João Moura voltou a dirigir-se aos estudantes do Instituto Superior de Agronomia, reconhecendo o papel histórico da instituição na formação de profissionais do setor agrícola.





