A transição digital, os desafios climáticos e a necessidade de uma agricultura mais sustentável estão a transformar profundamente o setor agrícola português. Para Carlos Carneiro, membro do Conselho de Administração da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo do Alto Douro – CCAM Alto Douro, o futuro da agricultura dependerá não apenas do conhecimento técnico, mas também da capacidade de planeamento financeiro e de adaptação dos produtores às novas exigências do mercado.

Carlos Carneiro, membro do Conselho de Administração da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo do Alto Douro

Carlos Carneiro destaca que a parceria entre o Crédito Agrícola e o Ciclo de Conferências InovEnsino está alinhada com a missão histórica da instituição de apoiar o desenvolvimento rural e o setor agrícola. “Isto reflete, de alguma maneira, o compromisso do Crédito Agrícola, um compromisso que é histórico, no fundo, de estar associado ao desenvolvimento rural, de estar próximo da agricultura, associado à valorização que sempre concedemos ao conhecimento”, afirma. O responsável sublinha ainda a importância da formação e da investigação para enfrentar os desafios futuros da agricultura. “Consideramos que, na realidade, a investigação, o ensino, é essencial para formar novos profissionais que estejam muito mais adaptados ao futuro e que permita uma agricultura mais competitiva, mais sustentável, mais resiliente”, destaca. Segundo Carlos Carneiro, investir no conhecimento é funda mental para capacitar profissionais capazes de responder às novas exigências do setor e contribuir para a sua evolução.

FORMAÇÃO AGRÍCOLA AINDA PRECISA DE AJUSTES

Questionado sobre o estado atual da formação agrícola em Portugal, Carlos Carneiro reconhece avanços significativos, mas considera que ainda há margem para adaptação dos programas de ensino às novas realidades.

“Penso que já evoluímos bastante. Há aspetos de modernidade que, efetivamente, fomos conseguindo ajustar”, refere. Ainda assim, defende uma integração mais clara de temas ligados à transição digital, sustentabilidade ambiental e alte rações climáticas.

“Entendo, porém, que há que adaptar os próprios programas de estudo, de modo a que integrem de forma evidente as questões da transição digital, as questões das alterações climáticas e as questões da sustentabilidade ambiental”, sublinha.

Na sua perspetiva, os desafios ambientais passarão inevitavelmente a fazer parte do quotidiano dos futu ros técnicos agrícolas

“Os desafios climáticos, a questão da sustentabilidade ambiental, vai estar necessariamente na agenda do dia dos técnicos”, considera. Mas alerta que o conhecimento técnico, por si só, deixará de ser suficiente. “Vão ter que ganhar, nos próximos anos, valências muito mais evidentes ao nível da gestão, ao nível do planeamento e ao nível, inclusive, da própria literacia financeira”, acrescenta.

FINANCIAMENTO É “ABSOLUTAMENTE CRÍTICO”

Carlos Carneiro considera que o acesso ao financiamento continuará a ser determinante para garantir a modernização do setor agrícola.

“Consideramos que o financiamento é absolutamente crítico na questão agrícola e no desenvolvimento agrícola porque, sem o financiamento, é quase impossível a maioria dos agricultores conseguirem dar o salto tecnológico”, afirma. O responsável lembra que muitos dos projetos que permitiram modernizar a agricultura portuguesa só avançaram graças ao apoio financeiro disponível.

Na região abrangida pela CCAM Alto Douro, a atividade agrícola distribui-se por várias fileiras estratégicas, desde a vinha e o castanheiro até à olivicultura, cereja e setor pecuário

“Nós abrangemos um largo território, em que temos várias fileiras importantes, como o castanheiro, a olivicultura, a vinha, a cereja e também o setor pecuário, nomeada mente do porco-bísaro”, explica. Segundo Carlos Carneiro, a experiência acumulada pela instituição permite acompanhar os agricultores desde a criação do projeto até às necessidades que surgem ao longo do ciclo produtivo. “Os nossos colaboradores estão muito vocacionados para fazer esse acompanhamento e para apresentar as melhores soluções em função da necessidade que o agricultor apresente”, garante (…).

Representantes do Crédito Agrícola na 6.ª Conferência InovEnsino: Isabel Morgado (coordenadora Regional da Dir. Dinamização Negócio), Rui Lacerda (coordenador da Área Comercial da CCAM do Alto Douro), Paulo Martins (presidente do Conselho Adm. da CCAM do Alto Douro), Filipa Rodrigues (coordenadora da Agência João da Cruz – Bragança), Carlos Carneiro (Adm. da CCAM do Alto Douro) e Adérito Pires (coordenador da Área de Suporte da CCAM do Alto Douro)

→ Leia este e outros artigos completos na Revista Voz do Campo, edição de junho 2026.