Numa onda de calor*, o mais importante não é apenas regar mais; é garantir que toda a água aplicada chega de forma uniforme e eficiente às plantas.
Numa onda de calor, há vários aspetos da gestão da rega que podem fazer uma diferença significativa, para além de aumentar as dotações ou prolongar os tempos de rega.
Deverá seguir estes conselhos práticos:
→ Verificar pressões no início dos setores. Com mais horas de funcionamento, é comum surgirem quedas de pressão que comprometem a uniformidade de rega.
→ Inspecionar filtros diariamente. O maior tempo de rega aumenta a probabilidade de entupimentos, sobretudo em sistemas alimentados por barragens, charcas ou rios.
→ Confirmar o funcionamento de todos os emissores. Um gotejador entupido ou um aspersor avariado tem muito mais impacto quando as plantas estão sob stress térmico.
→ Evitar regar nas horas de maior calor, não apenas pela evaporação, mas porque a rega por aspersão pode provocar choques térmicos e favorecer algumas doenças. Sempre que possível, concentrar a rega entre o final da tarde, noite e madrugada.
→ Reduzir o tempo entre ciclos. Em solos mais pesados, pode ser preferível dividir a rega em duas aplicações mais curtas do que fazer uma única muito longa, reduzindo perdas por escorrência e melhorando a infiltração.
→ Monitorizar a humidade do solo. Durante ondas de calor, o consumo pode aumentar 20–40%, mas nem todos os solos secam à mesma velocidade. Sondas de humidade ajudam a evitar tanto défices como excessos.
→ Ter atenção às fertirrigações. Em períodos de calor extremo, soluções muito concentradas podem aumentar a salinidade junto às raízes. Muitas vezes é preferível aumentar a frequência e reduzir a concentração.
→ Verificar fugas. Uma pequena fuga que normalmente passa despercebida pode representar centenas de metros cúbicos desperdiçados quando o sistema trabalha muitas horas por dia.
→ Reforçar a manutenção preventiva. Bombas, variadores de velocidade e motores trabalham mais horas e em temperaturas elevadas. Convém verificar temperaturas de funcionamento, níveis de óleo (quando aplicável) e ventilação dos quadros elétricos.
*Em Portugal, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera define uma onda de calor como um período em que a temperatura máxima diária é superior em 5° C ao valor médio mensal, durante pelo menos 6 dias.
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