No Ribatejo, a história da Planície Verde começou de forma modesta, em 1989, quando Luís Correia iniciou atividade como Jovem Empresário Agrícola. Mais de três décadas depois, a empresa produz alface, melão, meloa e melancia em cerca de 700 hectares distribuídos entre o Ribatejo, o Alentejo e o Algarve, num percurso em que a certificação tem tido um papel crescente.

A evolução da empresa acompanhou as exigências do mercado e a transformação da agricultura portuguesa. Em 2004 nasceu oficialmente a designação Planície Verde, refletindo uma estrutura mais profissionalizada e orientada para a grande distribuição. “Começámos com alguns legumes, acabámos por nos especializar numa única cultura que é a alface e posteriormente passámos a fazer as culturas do melão”, recorda Luís Correia, gerente da empresa. “Temos alguns produtores que trabalham connosco e acabámos por nos especializar nestas culturas”, partilha.

Luís Correia, gerente da empresa

O crescimento aconteceu lado a lado com a grande distribuição, um mercado que obrigou a empresa a elevar padrões de qualidade, segurança alimen tar e rastreabilidade

“Foi com a grande distribuição que crescemos, foi com as exigências que a grande distribuição nos colocou, que nos levou a chegar a este patamar de qualidade”, afirma Luís Correia.

“Neste momento estamos preparados para exportar. O ano passado já exportámos significativamente e está nos nossos projetos, nos próximos anos, atingirmos uma grande parte da nossa faturação na exportação”, acrescenta. Atualmente, o melão e a melancia representam uma parcela significativa da atividade da empresa, embora a alface continue a ocupar um lugar central desde os primeiros anos. A permanência da cultura em solos utilizados durante largos períodos levou a Planície Verde a investir na regeneração e reestruturação agrícola.

“Houve uma preocupação e uma necessidade, com a ajuda dos microrganismos e todo o processo de reestruturação do solo, fizemos uma reabilitação do solo e neste momento continuamos a produzir alfaces na Planície Verde”, explica Luís Correia.

CERTIFICAÇÃO COMO FERRAMENTA DE CRESCIMENTO

A certificação tornou-se, ao longo dos anos, uma das bases estratégicas da empresa. Muito antes dos referenciais internacionais se generalizarem no setor, a Planície Verde já tra balhava sob exigentes cadernos de encargos impostos pelas cadeias de supermercados. “Nós desde o início que certificámos, já há muitos anos, quando os processos de certificação ainda eram praticamente desconhecidos para a maior parte dos produtores”, sublinha Luís Correia. “Na altura eram muitos processos feitos com base em referenciais de algumas cadeias de supermercados”, afirma.

Hoje, a empresa trabalha com certificações como GLOBALG.A.P., IFS e BRC, fundamentais para o acesso aos mercados internacionais e para responder às exigências crescentes da distribuição moderna

Nesse percurso, Luís Correia destaca o papel da NATURALFA enquanto parceira para a certificação. “Aprendemos muito com a NATURALFA. Para além de ser uma entidade certificadora, foi uma entidade em que durante todo o processo que se preocupou em disponibilizar informação necessária”, refere Luís Correia.

Da esquerda para a direita: Hélder Terrinca, auditor da NATURALFA e Luís Correia, gerente da Planície Verde

AGRICULTURA REGENERATIVA E COMBATE AOS RESÍDUOS

Na componente agrícola, os desafios atuais passam sobretudo pela redução de resíduos fitossanitários e pela adaptação às restrições impostas pela legislação europeia, nomeadamente pela retirada de substâncias ativas.

Henrique Mendes, responsável agrícola da Planície Verde, explica que a empresa encara estas mudanças como uma oportunidade de evolução.

“Os problemas são problemas até os resolvermos. Pelo menos é assim que a Planície Verde tem olhado para estes desafios”, afirma.

Com uma carteira diversificada de clientes e diferentes níveis de exigência, a estratégia da empresa passa por trabalhar sempre ao nível mais elevado

“A nossa estratégia é adotar um método que satisfaça o cliente mais exigente. Nós, estando a satisfazer o mais exigente, vamos satisfazer todos”, destaca Henrique Mendes.

Para responder aos novos desafios fitossanitários, a empresa tem vindo a apostar na microbiologia aplicada ao solo e às culturas.

“Estamos a apostar muito na microbiologia, tanto no solo como em aplicações foliares, fazendo tratamentos preventivos, utilizando substâncias básicas nos tratamentos”, explica Henrique Mendes. “Muitas vezes com melhores resultados que o próprio químico, visto as doenças e as pragas já se encontram com muita resistência aos químicos”, afirma.

O acompanhamento técnico permanente, com visitas semanais às explorações e recomendações ajustadas às necessidades de cada cultura, faz parte da rotina operacional da empresa

“A Planície Verde o que faz é, todas as semanas vamos ao campo, fazemos a recomendação de acordo com a necessi dade, de modo a que também tenhamos um produto de qua lidade no final”, acrescenta Henrique Mendes (…).

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