Garantir a produção segura de alimentos, proteger a segurança económica dos produtores e salvaguardar a saúde pública: são estes os pilares da sanidade pecuária – uma preocupação constante nas nossas explorações.
Prevenir, controlar e erradicar doenças que afetam a produção animal exige um conjunto de práticas fundamentais: vacinação, controle de parasitas, quarentena e fiscalização de trânsito de animais, inspeções sanitárias rigorosas e um maneio diário atento. Estes procedimentos, hoje mais imprescindíveis do que nunca, são essenciais não só para a segurança alimentar, mas também para garantir que os produtos de origem animal – carne, leite, ovos – sejam seguros e de alta qualidade, minimizando riscos de contaminação.

Numa era marcada pelo aumento do comércio internacional de animais e derivados, a vigilância sanitária rigorosa torna-se vital para o cumprimento das normas internacionais e para evitar barreiras comerciais.
A vacinação, em particular, ocupa um lugar central neste esforço. Ela protege os animais contra doenças infeciosas que, sem imunização, poderiam ser fatais. Além de prevenir surtos de zoonoses e proteger a saúde pública, a vacinação reduz a necessidade do uso de medicamentos como antibióticos, contribuindo no combate à resistência antimicrobiana – um dos grandes desafios globais da atualidade. E não menos importante: promove o bem-estar animal.
Contudo, as preocupações dos produtores não podem ser ignoradas. O elevado custo de algumas vacinas, especialmente das obrigatórias, compromete muitas vezes a rentabilidade da produção. A disponibilidade irregular de vacinas, particularmente em regiões mais remotas, prejudica o cumprimento dos calendários sanitários. Problemas logísticos, como a necessidade de transporte refrigerado e as falhas na cadeia de abastecimento, agravam ainda mais esta realidade.
Importa também reforçar que a sanidade pecuária não se sustenta apenas na vacinação. Uma boa nutrição é igualmente crucial: animais bem alimentados, com fornecimento adequado de proteínas, vitaminas, minerais e energia, desenvolvem respostas imunitárias mais robustas, ganham peso mais rápido e produzem mais e melhor.
Por fim, as práticas de maneio diário – redução de stresse, prevenção de ferimentos, organização adequada do ambiente, limpeza e ventilação das instalações – são peças fundamentais na prevenção de surtos respiratórios e digestivos.
Manter a sanidade pecuária exige, pois, um esforço contínuo e multidisciplinar. Vacinar é indispensável, mas não suficiente: é a combinação de boas práticas de saúde, nutrição e maneio que, no fim, assegura que a sanidade pecuária esteja verdadeiramente “vacinada” contra os desafios do presente e do futuro.
PAULO GOMES ›DIRETOR VOZ DO CAMPO EDITORA
REVISTA VOZ DO CAMPO • EDITORIAL DA EDIÇÃO DE MAIO 2025
BOAS LEITURAS!


