O medronho tem vindo a protagonizar um desenvolvimento crescente no nosso país, com destaque para as regiões do Algarve, Alentejo e Centro onde, atualmente, se concentram a maioria das plantações ordenadas desta espécie mediterrânica e onde mais medronho se produz.
No âmbito da Ovibeja o Trevo, com o apoio da Hubel Verde, organizou uma sessão dedicada à cultura do medronheiro e as suas potencialidades nos sistemas agroflorestais do Baixo Alentejo.
O evento, realizado a 1 de maio, contou com especialistas em várias temáticas complementares, tendo em vista o incentivo e o esclarecimento de atuais e futuros produtores de medronho no Baixo Alentejo e no país. Daniel Montes, do Trevo, abordou o tema do enquadramento e possíveis financiamentos do investimento no PEPAC, salientando os apoios à instalação, manutenção e o modo de produção biológico. Jorge Grilo, da Hubel Verde, debruçou-se sobre o papel das micorrizas e das bactérias PGPR como elementos fundamentais na sobrevivência de plantações, nomeadamente florestais. Uma intervenção mais técnico-científica foi proferida pela investigadora Leonor Pato da ESAC – Instituto Politécnico de Coimbra, realçando o papel desta instituição na clonagem de plantas e nos novos modelos de produção.
O ponto alto deste evento foi a mesa-redonda sobre o título deste artigo onde vários produtores nacionais de medronho (José Burnay, Carlos Fonseca) e o Presidente da Câmara Municipal de Almodôvar, António Botas, puderam partilhar as suas opiniões e conhecimentos, sob a moderação de Nuno Faustino da ACOS.
O medronho tem vindo a protagonizar um desenvolvimento crescente no nosso país, com destaque para as regiões do Algarve, Alentejo e Centro onde, atualmente, se concentram a maioria das plantações ordenadas desta espécie mediterrânica e onde mais medronho se produz. Todavia, o interesse manifestado pelos proprietários agroflorestais, nem sempre é acompanhado por um devido acompanhamento técnico e científico, conduzindo a algumas situações menos positivas para os seus promotores. Como tal, sessões de esclarecimento como a que foi organizada pelo Trevo são fundamentais para que se possam disseminar as boas práticas de gestão, que vão desde a seleção da planta, a plantação propriamente dita e os usos sustentáveis desta espécie com grande potencial em vários territórios rurais do nosso país.
O Baixo Alentejo, onde o medronheiro ocorre de uma forma espontânea, principalmente nas zonas mais elevadas, apresenta condições para o fomento desta espécie, com destaque para a sua consociação com espécies arbóreas, como o sobreiro, a azinheira e, eventualmente, o pinheiro, entre outras, mas, em alguns casos, como pomar.
Assim, é possível encarar este arbusto resiliente ao incêndio, mas também aos crescentes efeitos das alterações climáticas, como uma solução para a paisagem do Baixo Alentejo, podendo complementar o retorno económico de uma região onde também a monocultura de outras espécies está a ganhar escala. O medronheiro, enquanto planta autóctone, encontra-se bem-adaptado a uma diversidade muito considerável de solos espalhados pelo país, com produtividades variáveis ao longo do ano e de região para região. Como tal, há a necessidade de se proceder à seleção das melhores plantas para que possamos garantir produções mais estáveis ao longo dos anos e, se possível, melhores produções.

Também as práticas de gestão terão de sofrer alterações, sendo necessário que os produtores de medronho caminhem no sentido da implementação de práticas mais sustentáveis e inovadoras, capazes de contribuir para a manutenção e enriquecimento do solo, ao mesmo tempo que promovam o aumento da biodiversidade, dos serviços do ecossistema e, acima de tudo, que possibilitem maior retorno económico capaz de fixar famílias nos territórios, através de criação de produtos de elevada qualidade, como são algumas aguardentes e outros derivados alcoólicos do medronho, que já se podem encontrar no mercado.
Neste sentido, a certificação das áreas de medronho (em modo de produção biológico e no âmbito da certificação de produtos florestais não lenhosos), apresenta-se como uma forma de valorizar as plantações, os produtos e os territórios.
A diversificação dos usos do medronho e do medronheiro é fundamental para a sua valorização a médio-longo prazo. Apesar de já existirem alguns produtos de alto valor acrescentado, é necessária mais investigação e conhecimento para se ampliar os usos desta espécie tão relevante para a economia local e para o nosso país que é, atualmente, considerado o maior produtor de medronho do Mundo.
A afirmação deste setor deverá passar também por uma caracterização detalhada de toda a cadeia de valor do medronheiro e do medronho em Portugal, mobilizando-se produtores, transformadores, mercado, utilizadores finais, entidades de investigação e ensino, associações setoriais, autarquias locais, comunidades intermunicipais, tutela e o Governo, de modo a que se consiga criar um modelo de governança que possa posicionar esta cultura como uma das mais relevantes para os territórios rurais, com forte impacto social, ambiental e económico e de grande projeção internacional.
Sessão na íntegra em www.ovibeja.pt
A Medronhalva
A Medronhalva® Lda. é uma empresa com sede em São Pedro de Alva, Penacova (CIM Região de Coimbra), que se dedica à valorização territorial através da promoção do medronho e de outras espécies mediterrânicas. Com cerca de 20 hectares, é detentora do primeiro medronhal certificado do Mundo (FSC® C010103), sob a égide da Unimadeiras, em modo biológico (PT-BIO-03), e é titular da primeira certificação internacional de cadeia de custódia de produtos derivados de medronho como a aguardente de medronho Imperatriz do Medronheiro® e o fruto em fresco e desidratado (APCER-COC-151200/FSC® C181765). Inspirado nesta cultura a Medronhalva promove o turismo sustentável através de uma oferta diferenciada na unidade de Turismo “O Medronheiro”, em plena Praia Fluvial do Vimieiro, na Zona de Pesca Lúdica “Terras de Mondalva®” e em diversas atividades e experiências como a apicultura e o agrofitness®. Presta ainda consultoria especializada nas várias vertentes do medronheiro e do medronho.
Carlos Fonseca*, Medronhalva Lda.
www.medronhalva.pt
www.terrasdemondalva.com
*geral@medronhalva.pt
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