Ao longo dos 15 anos de experiência, a Deifil tem demonstrado, através de diversos trabalhos, o potencial da simbiose entre fungos micorrízicos e o castanheiro. Agora, com o projeto MicroHealthChest, a Deifil pretende consolidar-se como parceiro estratégico na inovação agrícola e ao mesmo tempo revolucionar o setor da castanha.

O projeto aposta nas variedades Marsol e Martaínha e tem como objetivo desenvolver formulações microbianas bioestimulantes, capazes de fortalecer a fitossanidade e aumentar a resiliência climática dos castanheiros, ao mesmo tempo que promove práticas agrícolas mais sustentáveis, produtivas e economicamente viáveis.O castanheiro (Castanea sativa Mill.) é uma árvore de elevado interesse cultural e económico para Portugal, particularmente nas regiões do interior Norte e Centro, onde representa uma das principais fileiras agrícolas. Atualmente, Portugal é o 8.º maior produtor mundial (4.º na Europa) e o 2º maior exportador a nível europeu. Dados estatísticos revelam uma balança comercial internacional altamente favorável a Portugal, com valores de exportação de 27,8 milhões de euros e ganhos líquidos (export/ import) de 23,1 milhões de euros. Apesar do seu inegável valor cultural e económico, este setor enfrenta uma crise sem precedentes devido a uma conjugação de fatores adversos, que têm vindo a provocar enormes perdas ao nível da produção.

As alterações climáticas, aliadas ao aumento da incidência e severidade de doenças, como o cancro do castanheiro, a doença da tinta e, mais recentemente, a podridão da castanha, comprometem gravemente a sustentabilidade dos soutos.

O castanheiro é muito sensível a longos episódios de calor e secura, cenários que são cada vez mais comuns em Portugal, devido às alterações climáticas. Paralelamente, esta instabilidade climática resulta também numa maior incidência e agressividade dos principais agentes patogénicos do castanheiro, com comportamento epidémico e altamente devastador, e que têm contribuído para perdas progressivas e significativas no potencial produtivo e fatalidade do castanheiro ao longo das últimas décadas. Neste sentido, o desenvolvimento de estratégias que permitam aumentar a resiliência de Castanea sativa a um ambiente em constante mudança, onde eventos extremos e a incidência de agentes patogénicos se tornam cada vez mais frequentes e agressivos, é um assunto de colossal relevância, especialmente na região do interior Norte e Centro de Portugal, onde a produção de castanha assume particular importância e onde se encontram diversos ecótipos de castanheiro.

Ao longo dos anos, a Deifil tem trabalhado nesta problemática, demonstrando que a simbiose entre fungos micorrízicos e castanheiros potencia significativamente o desenvolvimento radicular e a absorção de água e nutrientes, tornando os castanheiros mais vigorosos e resilientes.

Estudos adicionais comprovaram que a presença de fungos ectomicorrízicos aumenta a tolerância dos castanheiros jovens à secura e ao calor, ativando mecanismos de defesa naturais e mantendo o estado hídrico mesmo em condições ambientais adversas. Assim, e com base nestas premissas, surge o projeto MicroHealthChest que pretende promover a sustentabilidade dos soutos, com especial enfoque na caracterização e mitigação dos impactos combinados das alterações climáticas e da incidência de doenças através do uso de diferentes consórcios microbianos. Os seus objetivos estratégicos incluem: melhorar a fitossanidade; aumentar a resiliência climática dos castanheiros; fomentar práticas agrícolas sustentáveis e economicamente viáveis; e gerar impacto económico e ambiental, valorizando a produção e o setor da castanha e minimizando as suas perdas.

Consórcio multidisciplinar, liderado pela Deifil: Este projeto conta com um consórcio multidisciplinar, liderado pela Deifil, em colaboração com a empresa MontemuroMel e com entidades científicas de referência como o Instituto Politécnico de Bragança (IPB) e a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) e integra um conjunto de atividades ambiciosas, nomeadamente: Avaliação e caracterização da microbiota do ecossistema do castanheiro; Avaliação do impacto dos consórcios microbianos na resposta a stresses bióticos e na fitossanidade do castanheiro; Avaliação do impacto dos consórcios microbianos na resposta a stresses ambientais e na resiliência climática do castanheiro e Scale-up e validação em ambiente semi-controlado dos consórcios como bioestimulantes, que permitirão atingir os objetivos propostos.

O arranque do projeto ocorreu em outubro de 2025 e, no âmbito da atividade 1, os trabalhos iniciaram com a avaliação da diversidade e caracterização funcional da microbiota da rizosfera e da endosfera do castanheiro em soutos selecionados.

Com o objetivo de obter um conhecimento abrangente da diversidade microbiana do ecossistema do castanheiro, foram selecionados oito soutos nas regiões Norte e Centro, cada um representando uma situação agroecológica distinta. Quatro soutos foram escolhidos por se encontrarem em condições tão saudáveis quanto possível, relativamente à infeção pelas principais doenças do castanheiro, enquanto os outros quatro apresentam elevada taxa de infeção.Neste sentido, a Deifil, em colaboração com o IPB, deslocou-se a quatro zonas estratégicas, Espinhosela (Bragança), Carrazedo de Montenegro (Vila Real), Trancoso (Guarda) e Sernancelhe (Viseu), onde georreferenciou seis árvores por souto e recolheu amostras de ramos, folhas, ouriços, castanhas e solo. Paralelamente, a Deifil recolheu carpóforos de cogumelos micorrízicos existentes nos soutos, para posterior isolamento in vitro no seu laboratório.

Foram recolhidas espécies dos géneros Boletus, Amanita, Paxillus e Scleroderma.

Cada carpóforo foi limpo, e de seguida, em condições de assepsia, ou seja, em câmaras de fluxo laminar, foi cortado longitudinalmente, com um bisturi, de forma a expor o tecido interno. Porções internas, com cerca de 0,5 a 1,0 cm2 de área foram retiradas dos tecidos internos do chapéu e pé e colocadas em placas de Petri com meios de cultura adequados para o crescimento de fungos. As placas de Petri foram incubadas a 24 ± 1 °C, na obscuridade. Atualmente, o micélio está em desenvolvimento, para posterior obtenção de subculturas e envio a entidades externas para confirmação da identificação molecular.

Simultaneamente, e no âmbito da atividade 2, a Deifil selecionou, com base na sua experiência prévia e na sua micoteca, um conjunto de fungos micorrízicos específicos de castanheiro, e desenvolveu ensaios de micorrização in vitro, com castanheiros das variedades Marsol e Martaínha e espécies dos géneros Amanita, Boletus, Paxillus, Pisolithus e Scleroderma. Estes ensaios têm como objetivo avaliar o efeito destes fungos no desenvolvimento aéreo e radicular das plantas, bem como no aumento da resiliência das plantas a temperaturas elevadas, escassez de água e à ação de agentes patogénicos. Com base nos resultados, serão selecionadas as espécies mais eficazes para avançar com ensaios de compatibilidade e sinergia entre diferentes espécies fúngicas e outros microrganismos endofíticos, como bactérias, potenciando posteriormente o desenvolvimento de formulações de consórcios microbianos capazes de aumentar a resiliência climática e a fitossanidade dos castanheiros.

Com este projeto, a Deifil continua a destacar-se pela sua missão de utilizar a biotecnologia ao serviço da agricultura, desenvolvendo soluções que promovem a sustentabilidade dos soutos, a valorização dos seus recursos naturais e o aumento da resiliência dos castanheiros, assegurando o futuro desta cultura, tão valorizada.

Agradecimentos:

Agradecemos aos produtores dos soutos de Espinhosela, Carrazedo de Montenegro, Trancoso e Sernancelhe, cuja colaboração e disponibilidade, que tornaram possível o arranque e desenvolvimento deste projeto.

A operação MicroHealthChest – N.º de Projeto 21721, COMPETE2030-FEDER-02304200, é apoiada pelo Compete 2030, pelo Portugal 2030 e pela União Europeia. Os Fundos Europeus Mais Próximos de Si.

Este e outros artigos podem ser consultados na edição de dezembro 2025 da Revista Voz do Campo.

Catarina Ribeiro*1 , Fátima Oliveira*1 , Andreia Afonso*1 , Paula Rodrigues*2

  • *1 Deifil Technology, Lda.
  • *2 Instituto Politécnico de Bragança