Em 2015, após décadas de economia linear de desperdício, a UE comprometeu-se com uma economia circular. Dez anos depois, já deveríamos estar a ver resultados. Então, onde estão eles?
OPINIÃO DE JOAN MARC SIMON, FUNDADOR DA REDE ZERO WASTE
Comecei a trabalhar em soluções de resíduos zero no início dos anos 2000, muito antes de «circularidade» se tornar uma palavra da moda. Naquela época, defender os resíduos zero rendia tanta credibilidade quanto um alienígena solicitando pela paz mundial. Ótima ideia, espécie errada.
Vinte anos atrás, o debate sobre resíduos não era sobre sistemas circulares ou eficiência de recursos — era sobre se a reciclagem era melhor do que a incineração. Alguns atores influentes argumentavam que a queima de resíduos tinha impactos ambientais comparáveis aos da reciclagem. As grandes vitórias foram o estabelecimento de uma hierarquia de resíduos com prevenção e reutilização, a separação da reciclagem da incineração e a definição de uma meta de reciclagem de 50% para 2020. Muitos consideraram essa meta extremamente idealista.
Felizmente, eu não estava isolado em Bruxelas a teorizar sobre resíduos. Eu projetava e implementava práticas de resíduos zero em Itália e em Espanha.
Entre 2007 e 2015, desenvolvemos sistemas locais que recolhem mais de 65% dos resíduos sólidos urbanos, permitindo as taxas de reciclagem mais altas da Europa. Esses sistemas eram mais baratos e apresentavam melhores resultados sociais e ambientais do que a recolha tradicional a granel e a grande infraestrutura de descarte. A barreira nunca foi técnica. Sempre foi política.
Quando a UE publicou a sua estratégia de economia circular em 2015, estávamos prontos. Propusemos soluções concretas para resolver os desafios da gestão de resíduos na Europa, usando as nossas práticas de resíduos zero como referência para o que a UE deveria almejar até 2035.
Hoje, a UE desenvolveu uma estrutura robusta e abrangente de gestão de resíduos.
Ainda há um longo caminho a percorrer na implementação e continuam a existir lacunas importantes. O progresso é real e, mais importante ainda, a narrativa mudou. A circularidade tornou-se mainstream. A filosofia de resíduos zero foi normalizada.
Mas eis a verdade incómoda: apesar de toda a nova legislação em matéria de resíduos, a taxa de circularidade da Europa manteve-se estável na última década.
As políticas levam tempo a implementar e a mostrar todo o seu impacto. Compreendo isso. Mas já deveríamos estar a ver algumas melhorias.
Não é o caso. Porquê?
Os fatores fundamentais que sustentam a economia linear não mudaram.
Melhorar a gestão de resíduos contribui para a circularidade, mas talvez seja apenas um terço da solução. O cerne da circularidade é obter a mesma utilidade dos materiais, utilizando cada vez menos recursos. Em termos de resíduos: prevenção e reutilização. Em termos de design de produtos: durabilidade, reparabilidade e segurança. Em termos económicos: novos modelos de negócio, redesenho das cadeias de valor e fomento da inovação (…).
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