O presente artigo nasce das Jornadas Luso-Espanholas sobre o sistema Agrossilvopastoril, em clima mediterrânico realizado numa herdade na localidade de Arraiolos, Portugal.
Analisando a orografia do terreno, a capacidade dos solos, as suas características naturais para produção de pastagem com estados fenológicos ideais e a sua permissão para o pastoreio, permitem ao técnico a sua boa gestão e divisão das parcelas de pastoreio rotacional.
Será imprescindível esta dinâmica entre os solos, as espécies vegetais existentes, a estação do ano e uma boa gestão, de forma a responder às exigências dos animais, nas fases essenciais de alimentação, como na época de partos, época de cobrição, fase de aleitamento, desmame.
METODOLOGIA – O presente trabalho resulta de uma visita de campo e é desenvolvido através de uma conversa formal, técnica, relacionando aspetos teóricos e práticos, bem como problemas reais:
– Realizou-se a identificação dos solos, a sua caracterização e os tipos que se podem encontrar. Analisou-se a melhor forma de gestão da estruturação de cada um, adaptando o maneio mais indicado para a evolução estrutural, química e orgânica, promovendo a sua manutenção e melhoria.
– Caracterizaram-se as plantas das espécies essências envolvidas, como as gramíneas e as leguminosas. Analisou-se a sua adaptabilidade ao sistema extensivo de sequeiro, as suas defesas ao excesso e diminuto pastoreio, o controlo de espécies infestantes e o seu contributo à evolução dos solos.
– No que respeita aos animais, caracterizaram-se as raças mais bem-adaptadas ao sistema, de acordo com as suas características genotípicas, fenotípicas e adaptação ao meio ambiente (a sua alimentação e a sua inserção no sistema).
– Todos estes temas são discutidos, porque neste sistema há que perceber que todos os agentes estão interligados e que os seus estados vão proporcionar a tomada de decisão na gestão e equilíbrio do montado.
A Herdade em que se realizou o presente trabalho tem cerca de 500ha. É composta por uma parcela com cerca de 150ha de pastagem permanente de sequeiro, dividida em duas parcelas de montado, uma parcela de vegetação forrageira semeada, e uma zona de pasto natural, onde permanecem, constantemente, em rotação, um encabeçamento de cerca de 75 bovinos de raça autóctone portuguesa Mertolenga. Na restante propriedade permanecem, ainda, uma manada de bovinos de raça autóctone Alentejana e outra de bovinos cruzados destas raças com raças melhoradoras, exóticas, como Limousine e Charolês, numa zona dividida por folhas de sequeiro e regadio, por pivot, uma folha de montado e uma folha de regadio natural onde se situa uma barragem.

Os animais alimentam-se melhorando as qualidades do solo.
Perfeita associação entre uma pastagem com mistura de leguminosas e gramíneas, onde a falta de uma das espécies é compensada pela outra, onde nas épocas mais fracas de pastagem, para alimentação animal o montado responde com o fornecimento do seu fruto (a bolota) e com a rama. Os animais alimentam-se, satisfazendo as suas necessidades e transformam a alimentação num composto que fornece alimento mais tarde às espécies vegetais, melhorando as qualidades do solo (…).
→ Leia este e outros artigos completos, na Revista Voz do Campo – edição de dezembro 2025, disponível no formato impresso e digital.
Autoria: Mário Picoto Pereira¹*
¹ Câmara Municipal da Chamusca Gabinete Médico Veterinário, Engenheiro da Produção Animal, Portugal
* Contacto: mario_j_pereira@hotmail.com

