Em 2024, a atividade da ATF centrou-se no tema “A Produção Animal é mais do que alimento”, e organizou dois eventos: um simpósio conjunto com a Comissão de Sistemas de Produção Pecuária da Federação Europeia de Ciências Animais, em Florença (01/09/24), e um seminário da ATF em Bruxelas (20/11/24).Estes eventos reuniram os avanços mais recentes, apresentando novas investigações, inovações aplicadas e análises sistémicas. A mensagem foi clara: os sistemas pecuários, quando concebidos com multifuncionalidade, e circularidade, não são só compatíveis com os objetivos climáticos e de biodiversidade da UE- são essenciais para os alcançar.

PORQUE É QUE A PRODUÇÃO ANIMAL É IMPORTANTE?

Os sistemas pecuários são importantes não apenas para a produção alimentar, mas também para a transição da Europa rumo a uma bioeconomia circular e sustentável. O seu papel na recirculação de nutrientes, produção de energia, reutilização materiais, gestão da paisagem e meios de subsistência rurais, devem ser reconhecidos e apoiados nas estratégias de investigação, políticas de agendas de inovação da União Europeia.

OS SISTEMAS PECUÁRIOS NA EUROPA ESTÃO NUM PONTO DE VIRAGEM

Num contexto de crescente pressão para reduzir o consumo de carne, o número de animais e as emissões agrícolas; os contributos mais amplos da produção animal são frequentemente ignorados por cidadãos e decisores políticos.Quando gerida de forma sustentável, a produção animal é determinante para a resiliência climática, eficiência dos recursos, desenvolvimento rural e serviços dos ecossistemas. Frequentemente, o setor é conhecido apenas pelas emissões de gases de efeito de estufa ou pela produção de proteína, sendo desvalorizado o seu real valor na sociedade. Para além da alimentação, os sistemas pecuários contribuem para:

  • Ciclo de nutrientes, através do uso do estrume como fertilizante renovável e da valorização de alimentos fora de consumo e subprodutos.
  • Valorização de subprodutos e coprodutos na bioeconomia circular (e.g., couro, lã, ossos, gorduras), nas indústrias farmacêutica, têxtil e construção.
  • Gestão da biodiversidade e da paisagem, sobretudo em zonas de pastoreio ou de elevado valor natural.
  • Meios de subsistência rurais, património cultural e identidade regional e local.
  • Saúde e nutrição, através de compostos bioativos presentes nos produtos de origem animal.
  • Produção de energia renovável via biogás a partir de resíduos animais.
  • Companheirismo e benefícios terapêuticos.

Estas funções alinham-se com a agenda de sustentabilidade da UE. O Pacto Ecológico Europeu, a Estratégia do Prado ao Prato e a Estratégia da UE para a Bioeconomia- destacam a redução do desperdício, o uso circular dos recursos e a promoção de sistemas alimentares resilientes e favoráveis à natureza. Há também clara coerência com as recentes orientações da FAO, no documento “Livestock in a Circular Bioeconomy” (1).


Contudo, o papel multifuncional da pecuária tem ainda pouca relevância em muitos destes quadros. Alguns exemplos:

  • A Estratégia do Prado ao Prato visa reduzir o uso de fertilizantes e pesticidas, expandir a agricultura biológica e melhorar a gestão de nutrientes, metas estas que exigem sistemas integrados de culturas e pecuária.
  • A Estratégia da UE para a Bioeconomia promove o aproveitamento de subprodutos e resíduos biológicos- área onde a pecuária pode transformar recursos de baixo valor em produtos de alto valor, fechando ciclos de nutrientes.
  • A Política Agrícola Comum (PAC) propões eco-regimes agroambientais, e apoios mas carece de ferramentas para recompensar os sistemas pecuários pelos seus serviços ecossistémicos ou circulares.
  • As Orientações da FAO- Livestock in a Circular Bioeconomy- definem que uma bioeconomia circular combina os princípios da bioeconomia e economia circular para criar soluções sustentáveis e com baixas emissões que garantam o uso eficiente dos recursos biológicos derivados da produção pecuária. A pecuária tem um papel importante na bioeconomia circular, ao valorizar os produtos agrícolas não adequados para consumo humano, transformando-os em alimentos de origem animal ricos emnutrientes, e ao fornecer estrume e recursos do seu processamento para outras indústrias. A compreensão dos impactos ambientais positivos e negativos dos sistemas pecuários é fundamental para definir uma bioeconomia circular sustentável, algo que não é avaliado atualmente por metodologias de aproximação linear como a Avaliação do Ciclo de Vida (LCA).

Para além disso, as métricas tradicionais de sustentabilidade, como o LCA, focam se nos impactos ao nível do produto (ex.: CO₂ por kg de carne), penalizando sistemas multifuncionais e ignorando as externalidades positivas associadas à produção animal. Estas avaliações ignoram o valor acrescentado da pecuária em termos de saúde do solo, armazenamento de carbono, retenção de água e dinamismo rural, etc., não avaliando adequadamente os sistemas pecuários. É necessário passar de uma metodologia LCA linear metodologias de LCA circulares (…).

Leia a publicação completa na edição de janeiro 2026 da Revista Voz do Campo.

Fonte: www.animaltaskforce.eu


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