ENTREVISTA A PAULO RAMALHO, VICE-PRESIDENTE DA COMISSÃO DE COORDENAÇÃO E DESENVOLVIMENTO REGIONAL DO NORTECCDR NORTE

Modernizar sem descaracterizar, ganhar escala sem perder identidade e valorizar economicamente quem cuida do território. Este é o desafio que marca o primeiro ano de Paulo Ramalho à frente da área da Agricultura da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR NORTE). Num contexto de alterações climáticas, envelhecimento do setor e forte diversidade regional, o responsável aponta caminhos para uma agricultura mais justa, resiliente e integrada no desenvolvimento regional.

Que balanço pode ser feito neste primeiro ano à frente dos desígnios da CCDR NORTE na área da Agricultura?
O primeiro ano à frente da área da Agricultura na CCDR NORTE foi, acima de tudo, um exercício de auscultação do território, das suas necessidades e ambições, aliado a um pragmatismo operacional orientado para dar resposta eficaz e atempada às necessidades dos agricultores e à missão confiada pelo Governo.

Herdámos da extinta DRAP NORTE uma estrutura com quadros técnicos altamente qualificados, profundamente conhecedores do território e do setor, mas que se encontrava fragilizada por vários anos de subinvestimento, perda de meios e recursos humanos. Nesse contexto, este primeiro ano foi marcado pela definição de uma estratégia de reforço e de rejuvenescimento da estrutura, pela modernização de equipamentos e sistemas digitais, com novas ferramentas tecnológicas e pela renovação da frota automóvel, condição essencial para garantir a necessária presença no terreno.

Recordo que a área de influência da CCDR NORTE estende-se por 86 municípios, mantendo a sua estrutura de agricultura uma proximidade ímpar ao território, assegurando presença em 57 locais distintos da região, 32 dos quais, em espaços sob a sua gestão e em permanência (….).

Como nos carateriza a Região Norte em termos agrícolas?
A Região Norte carateriza-se por uma elevada diversidade agroecológica e por uma forte heterogeneidade estrutural e cultural do ponto de vista agrícola. Mais do que uma agricultura, coexistem na região várias agriculturas: sistemas mais intensivos e orientados para o mercado no Noroeste e litoral, favorecidos pela densidade populacional e proximidade aos centros de consumo, e sistemas extensivos, agroflorestais e de sequeiro nas áreas interiores e de montanha, condicionados pela orografia, fragmentação fundiária e disponibilidade hídrica.

Esta diversidade traduz-se em paisagens agrícolas muito diferenciadas, como o Douro vitivinícola, o Minho policultural ou Trás-os-Montes, dominado por sistemas permanentes e extensivos, particularmente de sequeiro.

Predomina uma agricultura de base familiar, constituída essencialmente por explorações de pequena dimensão, com parcelas fragmentadas e dispersas.

A agricultura e a floresta ocupam mais de 90% do território regional. Em 2023, a Superfície Agrícola Utilizada ascendia a cerca de 619 mil hectares, distribuídos por pouco mais de 100 mil explorações, que envolviam cerca de 7% da população residente. Decompondo a SAU, 42% era ocupada por culturas permanentes, 34% por pastagens permanentes e 23% por terras aráveis.

Em síntese, o Norte não é uma região de monoculturas dominantes, mas de mosaicos agrícolas, culturais e paisagísticos. Do Douro vitivinícola ao Minho policultural e de Trás-os-Montes extensivo às áreas periurbanas do litoral, encontramos uma enorme heterogeneidade, que exige abordagens diferenciadas e territorializadas.

Quais são hoje as principais culturas, sistemas de produção e especificidades que distinguem o território no contexto nacional?
As principais fileiras combinam culturas permanentes, sistemas forrageiros e pecuária, com expressão diferenciada por sub-região. Destacam-se a vitivinicultura, presente em praticamente toda a região, com quatro Regiões Demarcadas, a dos Vinhos Verdes, a do Douro, a de Trás-os-Montes e a de Távora Varosa, a pecuária leiteira no Noroeste, o olival no interior, a castanha nas zonas de maior altitude de Trás-os-Montes e do Douro Sul, bem como a fruticultura e a horticultura, todas elas com algum grau de organização e canais comerciais. O leite e o vinho assumem, aliás, um papel central, sendo duas das fileiras mais competitivas da agroindústria nacional.

Recordo que é no Norte que se concentra a maior produção nacional de leite bovino e se situa o maior grupo empresarial português de lacticínios e derivados, detido por 3 cooperativas nacionais. Da mesma forma, que é no Douro onde se produz o vinho português com maior reconhecimento internacional, o Vinho do Porto. E sublinho, igualmente, que os Vinhos Verdes, são também dos vinhos nacionais que mais têm crescido, em termos de exportações, nos últimos anos (…).

Leia na íntegra a Grande Entrevista na edição de fevereiro. 


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