Santarém acolhe hoje e amanhã, no CNEMA, o XVI Congresso Nacional do Milho, iniciativa organizada pela Anpromis em colaboração com a ANPOC – Associação Nacional de Produtores de Cereais – e a AOP – Associação de Orizicultores de Portugal. O evento integra ainda o 2.º Encontro das Culturas Cerealíferas e propõe uma reflexão sobre os 40 anos de integração de Portugal na Europa, os desafios técnicos da produção de cereais e o papel da Política Agrícola Comum na coesão da União Europeia.

Na sessão de abertura, o presidente da Câmara Municipal de Santarém, João Teixeira Leite, destaca o simbolismo da realização do congresso na capital ribatejana.“É com particular honra que Santarém acolhe, uma vez mais, o 16.º Congresso Nacional do Milho, num espaço que é símbolo e ponto de encontro do mundo rural português”, afirmou, sublinhando o papel do CNEMA como “palco maior do mundo rural”.

Ribatejo como território estratégico

O autarca reforçou a centralidade da agricultura para o território. “O Ribatejo não é um cenário rural. É um território competitivo, estruturante e estratégico, que ajudou a construir Portugal e continua a ser essencial para o seu equilíbrio económico e territorial”, vinca.

Referindo-se ao tema do Congresso, associou a cultura do milho a questões estratégicas para o país e para a Europa. “Falar de milho é falar de soberania alimentar, de capacidade produtiva e de autonomia estratégica. Temas que hoje regressam ao centro do debate europeu”, sublinha.

“A agricultura não pode ser regulada apenas a partir de um gabinete”

Num contexto de exigências ambientais, acordos comerciais globais e pressão sobre os custos de produção, João Teixeira Leite defende uma política agrícola assente no realismo. “A agricultura não pode ser regulada apenas a partir de um gabinete. Precisa de ser pensada a partir do território. O município de Santarém procura afirmar essa visão. Uma agricultura moderna, tecnicamente evoluída, ambientalmente responsável, mas economicamente viável. Uma agricultura integrada numa estratégia mais ampla de desenvolvimento território e de valorização do mundo rural”, defende.

O presidente da autarquia considera ainda que encontros como este são fundamentais para aproximar produtores, investigadores e decisores: “Aqui constrói-se conhecimento aplicado e propostas concretas. É desse trabalho conjunto que depende a capacidade de Portugal e da Europa responder aos desafios do presente sem comprometer o futuro”.

“A importância do Congresso como espaço de união do setor cerealífero”

Jorge Neves, presidente da Anpromis, na sua intervenção, sublinha a importância do Congresso como espaço de união do setor cerealífero e realça que “reunimos aqui mais de 600 participantes, entre agricultores, técnicos, investigadores, decisores e representantes da indústria, o que mostra que os cereais continuam a ser um pilar estratégico na agricultura portuguesa”, destacando a integração de produtores de milho, cereais praganosos e arroz num único evento.

40 anos de integração europeia

Jorge Neves recorda o marco histórico da entrada de Portugal na então Comunidade Económica Europeia. Explica que “assinalamos 40 anos da integração de Portugal na Europa, um período que trouxe oportunidades, investimento, modernização, mas também desafios e ajustamentos difíceis, que ainda hoje sentimos no setor cerealífero”.O dirigente sublinha os desafios atuais da produção cerealífera e acrescenta que “alterações climáticas, fenómenos meteorológicos extremos, pressão sobre a produção e exigências ambientais crescentes exigem mais ciência, mais precisão e mais resiliência do que nunca. A inovação genética, a digitalização e a transferência de conhecimento são essenciais”.

Cereais como questão estratégica

O presidente da Anpromis alerta para o contexto global e afirma que “vivemos tempos de instabilidade, rupturas nas cadeias de abastecimento e crescente instrumentalização da alimentação. A produção de cereais é agora também uma questão de soberania e segurança alimentar”.

Na sua intervenção, reforça ainda o papel da PAC, explicando que “não é apenas um instrumento financeiro, mas político, económico e social. Para ser eficaz, tem de ser equilibrada, justa e adaptada às realidades nacionais. Não há sustentabilidade ambiental sem sustentabilidade económica, nem transição verde sem agricultores”.

Jorge Neves conclui, sublinhando o papel da associação: “A Anpromis tem sido uma voz responsável e tecnicamente fundamentada na defesa dos produtores de milho e do setor cerealífero (…). Este Congresso pretende gerar conhecimento, promover diálogo e contribuir para soluções concretas”.

Comissário Europeu destaca 40 anos de cooperação e futuro da agricultura portuguesa

Presente também na sessão de abertura do XVI Congresso Nacional do Milho, Christoph Hansen, Comissário Europeu da Agricultura e Alimentação, sublinha o papel central da agricultura na trajetória de Portugal na União Europeia. “Há 40 anos, Portugal fez uma escolha, pela estabilidade, pela cooperação, pela agricultura. E a agricultura tem estado e continua a estar no centro desta trajetória”, afirma.

O Comissário recordou que a adesão à UE trouxe desenvolvimento económico e social. “Portugal trouxe para a Europa a sua terra, a sua força rural e as suas tradições, e a Europa apoiou o seu desenvolvimento. Desde que aderiu à União Europeia, a economia portuguesa mais do que duplicou, foram criados mais de um milhão de postos de trabalho e as exportações multiplicaram-se, incluindo as agroalimentares”, destaca.

A importância da Política Agrícola Comum

Christoph Hansen sublinha a relevância da Política Agrícola Comum para a estabilidade do setor: “Todos os anos, cerca de 200.000 agricultores portugueses recebem apoios que estabilizam os rendimentos, permitem investimentos e possibilitam o planeamento, época após época. No atual plano estratégico da PAC para Portugal estão previstos mais de 7 mil milhões de euros para a agricultura, incluindo 120 milhões em pagamentos diretos para milho, arroz, cereais e proteaginosas”.O Comissário apontou ainda as prioridades para o futuro: competitividade, inovação e mercados previsíveis. “Para que a inovação se traduza em resultados, é necessário conhecimento, cooperação e também mercados que funcionem, simples, justos e previsíveis. Portugal prova a sua força com 800.000 toneladas de cereais e 600.000 toneladas de milho por ano”, afirma.

Christoph Hansen destaca também o apoio futuro da União Europeia: “Portugal beneficiará de 32,5 mil milhões no próximo período de programação, incluindo 7,4 mil milhões dedicados à agricultura. Em toda a União, a nova rede de segurança de 6,3 mil milhões ajudará os Estados-Membros quando os mercados enfrentarem choques. Trata-se de proteção quando realmente importa”.

O Comissário encerrou com uma mensagem de confiança e cooperação.

“Uma janela de 40 mil milhões no Fundo Europeu para a Competitividade e no Horizonte Europa impulsionará a inovação em eficiência hídrica, biofertilizantes, novas tecnologias e solos mais saudáveis (…). A Europa e Portugal são bem-sucedidos quando estão unidos. Vamos construir o próximo capítulo com a mesma confiança. Para a Europa, isso continuará a significar parceria, solidariedade e oportunidades para todos os produtores portugueses de milho e cereais”.

Mais desenvolvimento em breve na Revista Voz do Campo.

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XVI Congresso Nacional do Milho’26 / 2º Encontro das Culturas Cerealíferas (CNEMA, 11 e 12/02/2026)


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